À beira dos 35 anos, Hélio Roque não é um nome sonante, faz parte do grupo de jogadores que chegou cedo a um grande, mas não conseguiu afirmar o seu valor e preferiu tentar a sorte lá fora. O futebol também se faz destas histórias, que são aliás a maioria invisível. Hélio não se arrepende das opções que tomou num percurso que o levou até ao Chipre, onde conheceu a mulher e mãe dos dois filhos e passou por Angola, a terra que o viu nascer mas da qual não guarda recordações de menino. Regressou há dois anos para jogar o Campeonato de Portugal. Diz que um dia vai ser treinador, mas que ainda é cedo para pendurar as chuteiras.
Aos 35 anos, Diogo Valente não pensa em pendurar as chuteiras, apesar de terminar contrato com o SC Espinho em junho. Viciado em chocolates, casado e pai de dois filhos, tem um vasto currículo, que começou no Beira-Mar, passou por Boavista, Chaves, FC Porto, Leixões, SC Braga, Académica e Gil Vicente, além da Roménia e da Turquia, antes de regressar definitivamente a Portugal. Com muitas histórias na bagagem, revela que Sérgio Conceição pagava um leitão a todos depois das vitórias, mas não sabe lidar com as derrotas, e conta que Jorge Costa criou uma "Casa dos Segredos" na Académica
A César Peixoto só faltou o Sporting, clube de que gostava quando era pequeno, para poder dizer que jogou nos três grandes de Portugal. Ainda que os tempos de maior glória tenham sido vividos no FC Porto, foi no Benfica que conquistou o título que lhe deu mais gozo, duas épocas depois de o terem dado como acabado para o futebol. Teimoso e irreverente na juventude, explica a mística do FC Porto, fala da grandeza do Benfica e da eficácia de JJ, da sua passagem fugaz por Espanha e de como fez questão de terminar a carreira na posição que lhe dava mais gozo, a de médio. Depois, tornou-se treinador e deixou recentemente o comando do Chaves, mas diz-se tranquilo e à espera de novos projetos
Acabado de chegar da Arábia Saudita onde comemorou os 50 anos, em plena pandemia, Rui Vitória diz ainda não saber se vai renovar com o Al Nassr. Numa entrevista realizada por telefone, enquanto estava na Arábia, o treinador que levou o Benfica ao tetra, foi descrevendo o filme da sua vida profissional e pessoal, que começou em Alverca, passou por Vila Franca de Xira, Paços de Ferreira, Fátima, Guimarães antes de chegar ao Benfica, onde ganhou seis títulos em três anos e meio. Com dois casamentos e quatro filhos, chegou a ter uma pastelaria, aprendeu a tocar bateria, e foi chamado de pé de chumbo quando jogava. A morte repentina dos pais, quando tinha 32 anos, moldou-lhe o carácter que, garante, sempre foi calmo
Aos 44 anos, Pedro Resendes está feliz com tudo o que alcançou no futebol, mas confessa que o maior sonho da sua vida só foi vivido há um ano, quando assistiu à festa de formatura do seu filho mais velho, na universidade. A Tribuna Expresso republica este "A Casa às Costas" no dia em que Pauleta celebra 47 anos
Vítor Paneira tem 54 anos e um passado de peso no Benfica e no Vitória de Guimarães, depois de ter feito a formação no Famalicão, o clube da sua terra, que viria a treinar anos mais tarde. Numa longa viagem ao passado, fala-nos dos anos que passou na Luz, na pena que teve de cumprir por ter sido considerado desertor, nas diferenças entre Toni e Artur Jorge, explica como uma entrevista o pôs fora do Benfica e como, mais tarde, um gesto de Pimenta Machado ditou a sua saída de Guimarães, um ano antes de terminar um contrato que esteve para não existir
Mário Felgueiras foi empurrado para a baliza por ser gordinho e da aldeia, mas acabou por conseguir jogar no clube do coração, o Sporting, foi campeão europeu em 2003, com 16 anos, andou pelo SC Espinho, Portimonense, SC Braga, V. Setúbal e Rio Ave, antes de se aventurar pela Roménia, onde deixou €200 mil. Seguiu-se a Turquia e o regresso a Portugal, ao Paços de Ferreira. Ainda voltou a sair, para o Chipre, mas as muitas lesões que foi tendo deixaram mossa e acabou por abandonar o futebol para se dedicar ao curso de Psicologia, aos investimentos imobiliários e a um franchising de uma pastelaria
Aos 36 anos, Nélson assume que vive há quase dois em exclusivo para os três filhos. Com a rotina instalada em Espanha, de onde não pensa sair, diz que gostava de ser treinador de crianças e que está a preparar-se para isso. Nesta viagem ao passado recorda as dificuldades que sentiu no início de carreira, quando chegou a Portugal, altura em que chegou a viver sem água, sem luz e a ir para os treinos sem tomar o pequeno-almoço. Fala da importância que treinadores como Jaime Pacheco ou Fernando Santos, entre outros, tiveram no seu amadurecimento e da fortuna que gastou a tentar recuperar o pai que ficou tetraplégico após uma queda. Lembra ainda os anos felizes que passou no clube do coração, o Benfica
O percurso de Carlos Secretário ficou marcado pela carreira no FCP antes e depois da passagem pelo Real Madrid, de onde saiu sem glória. A morte repentina do pai, um divórcio litigioso e as inúmeras críticas de que foi alvo levaram-no a um quadro de depressão do qual só se ergueu com ajuda médica e o imprescindível apoio de Pinto da Costa, José Mourinho e dos colegas que com ele conviveram nos últimos anos em que esteve no FCP. À beira de completar 50 anos, Secretário aproveita esta entrevista para agradecer-lhes e pedir desculpa por algum comportamento menos correto que teve durante aquele período negro da sua vida. Hoje, ao comando da equipa francesa Créteil-Lusitanos, que já fez subir de divisão, e com menos 16kg, diz-se tranquilo e muito orgulhoso da carreira e das conquistas que fez. Mas no fim, faz questão de deixar um alerta
Daniel Carriço está só à espera do visto para se pôr a caminho de Wuhang, na China, a terra onde surgiu o coronavírus que agora está a parar o mundo. Começou a jogar no Estoril Praia, aos oito anos, mas foi no Sporting que se afirmou, antes de partir para Sevilha, clube pelo qual conquistou três troféus da Liga Europa. Casado e pai de dois filhos, fez nascer uma barbearia junto do estádio do Sevilha e está agora apreensivo com o negócio, mas tranquilo quanto ao seu futuro, que tanto pode passar pelo futebol como pela área do imobiliário
Diogo Salomão, 31 anos, está desde o início deste ano no Santa Clara, onde diz ter encontrado uma família. A formação foi feita nos clubes perto de casa, Estrela de Amadora, Damaiense e Casa Pia, antes de chegar ao Sporting onde nunca conseguiu afirmar-se. Foi em Espanha que mais jogou, no Deportivo da Corunha e no Maiorca, antes de voar para a Roménia onde representou o Dínamo de Bucareste e o Steaua, com uma passagem pela Arábia Saudita. Com a liga parada por causa do coronavírus, diz que a saúde é mais importante do que o futebol e por isso aconselha todos a seguirem à risca os conselhos dados pelas autoridades de saúde e pelo governo
Nascido e criado em Setúbal onde ainda hoje vive com a mulher e duas filhas, Mário Loja recorda o seu passado no mesmo jeito tímido com que começou a dar os primeiros pontapés na bola. Depois de fazer toda a formação no Vitória onde se tornou profissional, rumou ao Boavista que, segundo ele, ainda lhe deve quase 90.000 euros; passou pelo Beira Mar e voou até Paris, para jogar no Créteil-Lusitanos durante quatro anos, antes de regressar a Portugal. Só desistiu do futebol na época passada, aos 41 anos. E agora ganha a vida como empregado fabril
A timidez marcou a carreira de Bruno Gama, que, aos 32 anos, está a jogar no Aris, da Grécia. Nascido numa família numerosa em que todos os rapazes, cinco no total, foram jogadores de futebol, recorda que chegou a dizer que queria ser professor de matemática, mas não se lembra porquê. Com a mesma namorada desde os 15 anos, e ainda sem filhos, começou a carreira perto de casa no SC Braga, passou pelo FC Porto, V. Setúbal e Rio Ave antes de se aventurar por Espanha, mas foi na Ucrânia que viveu a maior alegria ao chegar à final da Liga Europa. Ainda não sabe o que vai fazer do futuro, mas já investe no imobiliário e tem um Airbnb
A paixão pelos cavalos era tão grande que aos 10 anos partiu o mealheiro para poder ter aulas de equitação. Pouco dedicado à escola, aproveitou a ida à tropa para, através de passagem administrativa, concluir o 12º ano. Depois de dar instrução na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, atirou-se finalmente aos estudos e diz ter sido um dos principais responsáveis pela homologação do curso de Educação Física no Instituto Superior da Maia. Em paralelo, sempre o futebol, a paixão maior. Depois de uma breve curta carreira enquanto jogador, ganhou fama como adjunto de Jesualdo Ferreira, no Benfica, no FC Porto, em Espanha e na Grécia. É treinador principal desde 2012 e, atualmente à frente do Marítimo, promete mais e melhor
Fala com o coração e ainda hoje ri muito das partidas de que foi alvo quando chegou ao Sporting, vindo de Moçambique. Numa conversa via telefone, Paíto conta como era difícil fazer amigos na escola porque andava descalço e vestia a mesma roupa durante uma semana ou como a matéria da escola não entra quando se está com fome. Entre muitas histórias, garante que podia ter morrido por causa do futebol, revela que Fernando Santos era conhecido como o "senhor das duras". E fala da famosa "cueca" que fez a Luisão, num jogo da Taça, na Luz. A viver em Moçambique, apesar de a família estar em Portugal, é dono de várias lojas de conveniência, de camiões cisterna e, desde dezembro assumiu o cargo de vice-presidente para as seleções na federação do seu país de origem
Aos cinco já estava a pegar uma vaca de caras, por vontade do pai, forcado amador, a quem Pedro Caixinha ainda seguiu as pisadas durante 12 anos, pelo Grupo de Forcados Amadores de Montemor. Alentejano de gema, nem os anos que passou lá fora, lhe levaram ainda o sotaque. Foi observador de jogos para Fernando Santos, adjunto de Peseiro no Sporting, na Arábia, Grécia e Roménia, mas sem nunca perder o sonho de ser treinador principal. Apesar das passagens por Leiria e a Madeira é no México que alcança os primeiros títulos e onde diz ter mercado, já que em Portugal parece continuar despercebido
As idas ao futebol a partir dos cinco anos criaram em Rui Almeida uma paixão tal pelo jogo que cedo percebeu que o seu caminho não era ser futebolista, mas estudar e conhecer o futebol profundamente. Esteve na génese das escolas de formação do Benfica, aventurou-se sozinho pela Síria, tornou-se adjunto de Jesualdo Ferreira - a sua referência - na Grécia, no Sporting, no SC Braga e no Egito, até decidir trilhar novamente o seu caminho como treinador principal, em França, onde vive há quase seis anos
Despiu o fato de jogador para vestir o de treinador, no Olhanense. Seguiu-se o Santa Clara e o Beira-Mar, mas foi no Paços de Ferreira e no V. Guimarães que o seu trabalho passou a ser mais reconhecido, acabando por ser contratado pelo Sporting. Desiludido com a (des)organização leonina, lançou-se para o estrangeiro, primeiro no Hearts, da Escócia, onde conquistou a Taça, e a seguir na Roménia e no Chipre. Regressou a Portugal para treinar a Académica, mas o sonho de ficar foi interrompido com a ida para o futebol árabe. Primeiro Emirados Árabes Unidos, depois Irão e, por fim, Arábia Saudita. Num momento de pausa, confessa que um dia gostaria de treinar o “seu” Belenenses.
Paulo Sérgio cresceu numa casa de benfiquistas, mas foi o Belenenses o clube que acabou por ocupar-lhe o coração quando se tornou jogador. Ponta de lança também do Paços de Ferreira e Salgueiros, andou por Setúbal, Santa Clara, Estoril e Olhanense, onde terminou a carreira e abraçou a profissão de treinador. Pelo meio ainda teve uma experiência no Grenoble, em França, casou e foi pai de duas filhas. O ar calmo e sereno escondem um jovem que gostava de fazer algumas noitadas fora de tempo, jogar às cartas e fazer inusitadas partidas. No domingo, o jogador dará lugar ao treinador, na segunda parte deste “A Casa às Costas”
À primeira vista tem um ar duro, de quem pode partir tudo e todos a qualquer momento, mas Ricardo Duarte, mais conhecido por Santamaria, tem coração grande, que começou a encher de amor ainda adolescente. Aos 13 anos já conhecia aquela que se tornou na mulher da sua vida; aos 16 levou para casa uma afilhada por não suportar ver os maus tratos a que era sujeita. Casou, teve dois filhos biológicos, o Tiago e a Bruna, que jogam futebol; lutou pela guarda legal da afilhada e transformou-se em fiscal da Emel. Esta é a historia do mais jovem jogador de sempre do Sporting a estrear-se na equipa principal. Uma grande esperança que só não o foi para o futebol. Que o diga a Andreia
Pai de quatro filhos e com 53 anos, Pedro Barny iniciou carreira de treinador como adjunto de João Alves, na Académica. Depois assumiu o comando do Boavista por três jogos apenas e acabou por sair do Bessa, em litígio, que se mantém até hoje. Assumiu entretanto o comando do SC Espinho, mas acaba por não conseguir dizer não ao convite de Manuel José e volta a adjunto, primeiro em Angola, depois na Arábia Saudita, no Egipto e Irão. Em 2017, assume o papel principal como treinador do Ismaily, também no Egipto, país que o marcou pela Primavera Árabe e pelos acontecimentos de Port Said, que viveu intensamente e onde morreram 74 pessoas. Em dezembro passado assumiu a liderança do El-Gouna, no Egipto
Homem do norte, bairrista e boavisteiro, Pedro Barny começa por descrever a falta de condições que encontrou na formação do Boavista, mas como tudo isso era ultrapassado com a carolice de treinadores que eram como uns segundos pais; conta como o major Valentim Loureiro era hábil nas negociações e como foi dificil trocar o Porto por Lisboa, quando vai para o E. da Amadora. Fala das partidas que fez e que sofreu, da época passada no Sporting, dos três anos no Belenenses e de como demorou a perceber que a carreira como futebolista tinha terminado. Amanhã, na parte II da entrevista, revela como tem sido a vida de treinador
O treinador de 49 anos Pedro Martins conta nesta segunda parte da entrevista como começou a carreira no banco, revela o acordo que fez com o presidente do Marítimo, explica por que razão não concorda quando dizem que as suas equipas são de transições, fala dos problemas que teve com Marega e Kléber e assume algumas coisas que lhe fizeram enquanto jogador e que agora recusa fazer como treinador. Mas também relata o choque que sofreu com a morte do pai e do irmão mais velho e de como pressentiu ambas
Pedro Martins mantém as raízes em Santa Maria da Feira, onde ainda tem o primeiro negócio que abriu com a namorada, há 31 anos. Casou com ela e teve dois filhos, depois de ter feito toda a formação de jogador no clube do coração, o Feirense. Nesta extensa entrevista (cuja segunda parte será publicada no domingo), o treinador do Olympiacos relata vários episódios marcantes da sua vida pessoal e profissional, conta histórias que tanto falam de copos, mulheres e escapadelas de estágios, agressões e tentativas de "linchamento", desastres em rotundas do Algarve, como de malas metálicas com taças de champanhe ou de apostas de elevador
Um acidente de moto aos 17 anos, mudou-lhe a forma de jogar futebol e a vida. Madjer deixou, então, a relva e uma equipa de 11, para se dedicar ao futebol de praia e conquistou tudo o que um jogador pode ambicionar, entre títulos individuais e coletivos. À beira de completar 43 anos, despiu em dezembro o equipamento de jogador com mais um titulo mundial para Portugal e foi eleito pela France Football como o melhor jogador de futebol de praia de sempre. Para já quer ficar em Portugal, garante, numa entrevista onde passa em revista a sua história pessoal e profissional - e faz algumas confissões
Geraldo Alves tem 39 anos e está a viver na Roménia, país que primeiro estranhou e depois entranhou. Chegou lá em 2010, jogou em três clubes diferentes, conheceu a mulher, teve uma filha e está a tirar o curso de treinador, embora sem a certeza de querer seguir essa carreira. Irmão mais velho de Bruno Alves, não tem dúvidas de que este é melhor do que ele e talvez por isso tenha torcido sempre mais por Bruno do que por si próprio. Entre várias histórias, conta que chegou a ter 200 pares de ténis, gosta de fazer tiro ao alvo e de bom pagode ou samba. Depois de pendurar as botas passou a cuidar melhor da sua alimentação, está quase vegetariano e puxa ferro todos os dias no ginásio
João Paiva começou no Olivais e Moscavide, passou para o Sporting e, aos 36 anos, confessa que a maior frustração da carreira foi não ter conseguido vingar na equipa principal do clube de Alvalade. Ainda assim, garante que não trocava nada do que tem agora por isso. Depois de épocas menos felizes no Marítimo e no SC Espinho e de histórias mal contadas com empresários, aventurou-se e nunca mais voltou. Começou pelo Chipre, onde diz ter feito a melhor época de sempre, que culminou com o título de campeão e o de "cozinheiro do Apoel". Mas foi na Suíça que criou raízes e construiu o futuro. Nesta entrevista conta histórias do Europeu sub-16, em 2000, e de como pegou fogo a uma cozinha, entre outras. Tem um curso de gestão desportiva, um Master em coaching do Instituto Johan Cruyff e está a tirar o nivel UEFA A do curso de treinador, função que já desempenha
Aos 32 anos, Luís Leal mantém a mesma timidez com que entrou no Sporting, aos 10 anos, depois de ter começado a dar os primeiros chutos na bola no Arrentela, clube da terra onde cresceu. Nascido em solo português, filho de são-tomenses, acabou por não vingar no futebol português ao mais alto nível, optando por isso por jogar fora e representar a seleção de São Tomé e Príncipe. Andou pelas Arábias, experimentou o Chipre e a Turquia, mas foi na América Latina que assentou arraiais, nos argentinos do Newell's Old Boys, onde começou Messi e também brilharam Batistuta e Maradona