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A casa às costas

Luís Leal: “O Sá Pinto, ao querer ganhar sempre, acaba às vezes por passar um bocado o limite. Mas é uma grande pessoa"

Aos 32 anos, Luís Leal mantém a mesma timidez com que entrou no Sporting, aos 10 anos, depois de ter começado a dar os primeiros chutos na bola no Arrentela, clube da terra onde cresceu. Nascido em solo português, filho de são-tomenses, acabou por não vingar no futebol português ao mais alto nível, optando por isso por jogar fora e representar a seleção de São Tomé e Príncipe. Andou pelas Arábias, experimentou o Chipre e a Turquia, mas foi na América Latina que assentou arraiais, nos argentinos do Newell's Old Boys, onde começou Messi e também brilharam Batistuta e Maradona

Alexandra Simões de Abreu

Jam Media

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Onde cresceu e quem era a sua família?
Nasci em Lisboa e cresci na Arrentela, na Margem Sul. Quando nasci já tinha duas irmãs e um irmão. Depois de mim nasceu uma irmã

Alguém na família era ligado ao futebol?
O meu pai foi jogador em São Tomé, antes de emigrar para Portugal e o meu irmão mais velho também jogava futebol no Arrentela.

O futebol começou em casa então.
Sim, e na escola, na rua, até que depois um rapaz da minha rua, mais velho do que eu, levou uns quatro ou cinco jogadores ao Seixal FC para fazer um teste. Eu também fui. Fiquei eu e outro.

Tinha quantos anos?
Se não me engano tinha uns oito para nove anos.

Ficou quanto tempo nesse clube do Seixal?
Seis meses, depois fui transferido para o Arrentela.

Transferido como e por quem?
Na inocência da juventude acabei por ir ao Arrentela sem dizer nada ao Seixal. As pessoas do Arrentela gostaram de mim e acabaram por me inscrever, mas foi um pouco complicado porque eu ainda estava inscrito no Seixal e não queriam deixar-me ir embora. Quando fui para o Seixal o meu pai nem tinha conhecimento, acabou por me acompanhar mais tarde quando me transferi para o Arrentela. Aí sim, já me acompanhava para todos os jogos, tanto em casa, como fora, mas sempre me apoiou, tanto o meu pai como a minha mãe.

Torcia por algum clube?
Sempre torci pelo Sporting, muito antes de ir para lá. Quando fiz cinco anos já era adepto do Sporting.

E da escola, gostava?
A escola sempre foi meio complicada para mim (risos). Houve alturas em que ainda tive algum bocado de prazer mas estava totalmente focado no futebol. Andava na escola porque era uma obrigação.

Desisitiu em que ano?
A meio do 10º ano.

Luis Leal (em pé à direita) começou a jogar no Arrentela

Luis Leal (em pé à direita) começou a jogar no Arrentela

D.R.

Sempre quis ser jogador de futebol ou houve alguma altura em que quis ser outra coisa?
Desde pequeno que sempre disse que queria ser jogador de futebol. Era aquilo que tinha na cabeça, não parava de jogar futebol com os meus amigos na escola, em todo o lado. Quando as professoras me perguntavam o que é que eu queria ser quando fosse grande, eu dizia futebolista.

O que faziam os seus pais profissionalmente?
O meu pai e a minha mãe ainda fazem o mesmo que faziam quando eu era pequeno. O meu pai sempre foi isolador. Trabalha no isolamento das casas, dos edifícios; e a minha mãe é cozinheira.

Era um miúdo irrequieto ou era sossegado?
Com os amigos era um bocado irrequieto, brincalhão, divertido, mas quando estava com outras pessoas, sempre fui uma pessoa muita reservada e muito tímida.

Quem eram os seus ídolos?
Na altura eram o Ronaldo, o fenómeno, e depois passou a ser o Thierry Henry, o jogador com que mais me identifiquei, tentei sempre seguir os seus passos e a sua forma de jogar, foi uma pessoa que sempre me encantou.

Luis Leal com a bola, num jogo do Arrentela

Luis Leal com a bola, num jogo do Arrentela

D.R.

Como vai parar ao Sporting? Quem o leva, quem o descobre?
Quanto estava no Arrentela já tinha um bocado de qualidade, destacava-me nos jogos, e o Sporting e Benfica acompanhavam alguns torneios. Acabei por ser chamado para o Sporting e também para o Benfica. O Sporting acabou por pedir para eu ir fazer alguns treinos à experiência. Fui, estive lá uma semana e meia a treinar, eles gostaram de mim e pediram-me para ficar. Mas foi um bocado complicado porque o Arrentela naquela altura não me quis deixar ir, pediam dinheiro, não me deram a carta e fiquei seis meses sem poder ir para o Sporting. Depois quando chegaram a um acordo, o Sporting disponibilizou bolas, coletes e aquelas coisas normais na altura.

Foi viver para o lar do Sporting?
Não, naquela altura o centro de estágio era no estádio José Alvalade e não havia grande necessidade de ir para lá viver porque o meu pai levava-me aos treinos e para os jogos. Quando fizeram o centro de estágios em Alcochete mandaram-me uma carta para ir para lá viver, mas como havia um autocarro que apanhava grande parte dos jogadores em Alvalade, acabava por fazer assim. Chegava a casa um bocado mais tarde, às onze, meia-noite, mas era o que eu queria.

Foi para o Sporting com com dez anos. O que o marcou mais na formação?
O treinador que me marcou mais foi o primeiro que tive, César Nascimento. Depois apanhei o Paulo Cardoso e o Luís Dias, se não me engano.

Lembra-se de alguma amizade que tenha feito com algum jogador dessa altura?
Tinha amizade com o Fábio Paim, que era um ano mais novo do que eu, mas era do mesmo escalão, com o Sido Jombati; o Rui Santos e o João Santos, que eram os dois da Margem Sul, às vezes íamos juntos para o treino; o Ruben Guerreiro também era da Margem Sul, o Conceição que na altura era o capitão e que era uma referência para nós, o Tiago Pires, havia uma malta ali com quem tive uma boa relação.

Luis Leal (ao meio na fila do meio), na escola

Luis Leal (ao meio na fila do meio), na escola

D.R.

Por que vai para o Cova da Piedade?
Naquela altura no formato do campeonato só podia jogar um estrangeiro e eu apesar de ter nascido em Portugal, como os meus pais eram estrangeiros, não tinha nacionalidade portuguesa e então complicou um bocado. E naquela altura jogava o Zezinando, que era um jogador muito forte fisicamente, com muita qualidade, então pediram-me para ser emprestado ao Casa Pia ou ao Cova da Piedade. O Casa Pia era em Lisboa e eu vivia na Margem Sul, por isso optei por ir para o Cova da Piedade.

Gostou desse tempo no Cova da Piedade ou percebeu que havia uma diferença muito grande para o Sporting?
A diferença era muito grande em termos técnicos, físicos, de instalações, tudo aquilo que se possa imaginar, mas penso que foi a melhor coisa que fiz, o ir para o Cova da Piedade. Posso dizer que aprendi muita coisa no Sporting, mas onde aprendi praticamente tudo, depois do Sporting, foi no Cova da Piedade, a quem estou muito agradecido até hoje.

É lá que faz a sua estreia como sénior?
Sim, ainda era júnior quando fui chamado à primeira equipa e tive a oportunidade de ser campeão. Fiz a minha estreia como sénior e as coisas correram-me bem logo no primeiro ano, depois estive lá mais seis meses, marquei muitos golos, até que fui chamado pelo treinador Carlos Manuel.

Luís Leal (2º em baixo à direita)foi para o Sporting com 10 anos

Luís Leal (2º em baixo à direita)foi para o Sporting com 10 anos

D.R.

Para ir para o Atlético?
Sim.

Já tinha empresário?
O Edmar Hipólito, cujo filho é o Pedro Hipólito, treinador.

Quando vai para o Atlético ainda tinha contrato com o Sporting?
Não, já estava livre. Um bocado antes de chegar a sénior a minha ligação com o Sporting terminou. Mandaram-me uma carta a dizer que estava livre.

Ficou muito desiludido nessa altura?
Não fiquei desiludido porque tive outras oportunidades para onde ir, Guimarães, etc., mas havia aquele entrave de só poder jogar um estrangeiro e muitas equipas tinham dois jogadores estrangeiros. Por isso era meio complicado para mim.

Estava a contar que o Carlos Manuel o chama para ir para o Atlético...
Exatamente. Estive alguns meses com o Carlos Manuel antes da saída dele. Saiu muito cedo. Era um grande treinador que sempre me ajudou e apoiou.

Nessa altura vem viver para Lisboa?
Não, nessa altura ainda estudava, ainda vivia em casa dos meus pais, ia de transportes para o Atlético.

Luís (2º baixo à direita) saiu do Sporting em 2001/02

Luís (2º baixo à direita) saiu do Sporting em 2001/02

D.R.

Entretanto como surge a hipótese de ir para o Moreirense?
O Moreirense surge depois de ter feito uma grande época no Atlético, onde fui o melhor marcador da zona sul. Despertei o interesse do Moreirense e o meu empresário também tinha alguns contactos com pessoas do Moreirense e acabei por assinar contrato.

Quando recebe o seu primeiro dinheiro do futebol?
Comecei a ganhar o meu primeiro salário no Cova da Piedade, como sénior. Tinha 19 anos, eram 150 euros.

Lembra-se do que fez com esse dinheiro?
Sinceramente não me lembro. Naquela altura os meus pais tinham boas condições, davam-me tudo, não tinha que dar dinheiro para casa, era praticamente todo para mim.

Onde é que gostava de gastar o dinheiro?
Sempre gostei, e até hoje gosto, de comprar uns bons ténis e roupa.

Quando começam as primeiras saídas à noite?
As primeiras vezes que saí à noite ainda estava no Cova da Piedade, era júnior de segundo ano, tinha 18 anos.

Nunca teve problemas por causa das noitadas?
Não. Sabia das minhas limitações, sabia das minhas responsabilidades. Saía tranquilamente, não muito em vésperas de jogos. O meu pai também nunca colocou nenhum entrave, sempre me disse para ter cuidado com aquilo que fazia. Sempre fui uma pessoa responsável.

E os primeiros namoros quando começam?
Na escola. Se não me engano estava no Atlético quando conheci uma rapariga que vivia na mesma zona do que eu e andava na mesma escola. Namorei com ela, a Daniela, e ficámos juntos uns dois anos.

Depois do Sporting, Luís Leal (à esquerda) foi jogar para o Cova da Piedade

Depois do Sporting, Luís Leal (à esquerda) foi jogar para o Cova da Piedade

D.R.

Estava a contar que entretanto foi para o Moreirense. Saiu de casa dos pais para ir viver sozinho?
Sim, fui para uma pensão que o Moreirense tinha. Estavam lá muitos jogadores brasileiros, alguns que vinham de Lisboa, por isso foi muito fácil a adaptação, era um ambiente familiar. Posso dizer que foi o clube de que mais gostei, onde me senti bem tratado e acarinhado e onde me deram todas as condições para continuar a crescer. As pessoas dos norte são mais carinhosas e tratam melhor do que as pessoas da zona do sul. Sempre fui acarinhado na zona do norte e gostava muito de lá estar. O clube também foi sempre cinco estrelas, sempre que precisava o presidente estava sempre disponível para me ajudar, não só ele como as pessoas que trabalhavam no clube. Por isso foi o clube que mais me marcou.

Depois do Moreirense ruma novamente a sul, para o Estoril.
Exatamente. O Moreirense tinha interesse em continuar comigo, eu disse-lhes quais eram as minhas condições e o que é que o Estoril me tinha oferecido. Era uma grande diferença para o que o Moreirense me oferecia na altura, mas disse-lhes que se me oferecessem a mesma coisa ficava lá porque já estava adaptado. Mas disseram que não tinham condições para me pagar o que eu pretendia e acabei por ir para o Estoril.

Voltou a casa dos pais?
Não, fui viver para um apartamento muito próximo do estádio.

Sozinho?
Na altura fui viver com a mãe do meu filho, o Sandro, que tinha nascido há alguns meses, ainda não tinha feito um ano. O meu filho nasceu quando eu estava no Moreirense.

Assistiu ao parto dele?
Não tive oportunidade de assistir ao parto. Naquela altura pedi ao treinador, ao mister Casquilha que neste momento é o treinador do Cova da Piedade, para assistir ao parto, mas ele disse-me que tínhamos um jogo na Madeira, que precisava de mim para estar presente no jogo e que depois do jogo eu podia seguir para Lisboa em vez de regressar ao norte. Cheguei no dia seguinte ao nascimento do meu filho. Não tive oportunidade de assistir ao parto.

Luís Leal, a jogar pelo Cova da Piedade, disputa a bola com um jogador do seu anterior clube, o Sporting

Luís Leal, a jogar pelo Cova da Piedade, disputa a bola com um jogador do seu anterior clube, o Sporting

D.R.

Quando chegou ao Estoril quem era o treinador?
Nesse ano o treinador era o Vinícius Eutrópio. Foi na altura em que o Estoril era da empresa Traffic e tinha muitos jogadores brasileiros para potenciar a equipa.

Adaptou-se bem?
Os primeiros cinco meses foram complicados, não joguei praticamente nada. Era convocado, às vezes ficava de fora, aquecia e não entrava. Até que no final de novembro, fizemos um jogo de treino contra o Leiria, ganhámos 3-1, fiz dois golos e as pessoas começaram a olhar-me de outra maneira. Nos jogos seguintes fui sempre titular, fiz golos e as coisas correram de outra maneira.

Na época seguinte é emprestado ao União de Leiria, porquê?
Fui emprestado justamente por causa desse jogo. Eles ficaram muito encantados comigo, pediram logo para eu ir em janeiro, mas naquela altura o Estoril não deixou porque tinha objetivos. Na época seguinte, quando terminou o ano, tive a oportunidade de ir para o Leiria emprestado.

Quem era o treinador quando lá chegou?
Pedro Caixinha. Era um bom treinador. Treinava com muita intensidade, com tudo, mas as coisas acabaram por não correr bem e ao fim de três jogos, se não me engano, acabou por ser despedido.

E veio quem?
O Manuel Cajuda.

Luis Leal com um sobrinho ao colo, junto de primos e amigos

Luis Leal com um sobrinho ao colo, junto de primos e amigos

D.R.

Completamente diferente do Caixinha.
Sim, o Caixinha naquela altura era um treinador jovem, com muito talento. O Cajuda já era um treinador muito mais experiente, mais à antiga.

Deu-se bem com ele?
Não correu tão bem como poderia ter corrido. Na verdade no seu primeiro jogo de estreia, jogámos contra o Braga, acabei por ser o melhor jogador em campo, fiz golo, e no jogo seguinte não joguei. Achei estranho. Um jogador que é destaque, faz golo e dá a vitória à sua equipa... Pensei que tivesse um pouco mais de respeito por mim, um pouco mais de consideração. Não contava assim tanto comigo, porquê, não sei.

Nunca lhe perguntou?
Não. Não sou de chegar ao pé do treinador e perguntar porque é que não jogo. Os treinadores têm as opiniões deles, o jogador tem sempre de acabar por aceitar porque faz parte do futebol.

Foi viver para Leiria sozinho?
Não, fui com a mãe do meu filho e com o meu filho.

Entretanto começou a ter ordenados em atraso.
Sim, penso que foi numa altura em que o Leiria já estava para terminar, estava com muitos problemas, muitos processos. Estávamos com três, quatro meses de atraso e decidi não terminar a época. Fui falar com o sindicato para me ajudar a rescindir o contrato de empréstimo, para poder voltar ao Estoril, onde ainda tinha contrato.

Leonardo Pires, André Leal, Mário Rui e Luís Leal

Leonardo Pires, André Leal, Mário Rui e Luís Leal

D.R.

E regressa ao Estoril.
Exatamente. Na altura o treinador já era o Marco Silva e o Estoril tinha subido para a I Liga.

Gostou do Marco Silva?
Foi dos melhores treinadores que apanhei. Apesar de ser muito jovem era um treinador com muita ambição, que me conhecia, porque antes de ser treinador, no seu último ano de jogador e no meu primeiro no Estoril, fomos colegas de equipa, jogámos juntos. Quando fui para o Leiria ele era o diretor desportivo, foi ele que me levou ao Leiria para assinar os contratos.

Quando regressa ao Estoril, regressa à casa onde tinha vivido antes de ser emprestado?
Não, voltei para a Margem Sul para uma casa alugada, para ficar mais perto da família.

Como acontece a ida para a Arábia Saudita?
Estava a fazer uma grande época no Estoril, havia muitas equipas interessadas mas ainda era novembro. Já se falava de muita coisa, estávamos a jogar na Liga Europa, onde as coisas também estavam a correr bem, até que me ligou diretamente o Vítor Pereira, que tinha treinado o FC Porto, tinha ganho três campeonatos seguidos e foi para o Al-Ahli. Recebi uma chamada dele a dizer que precisava de mim. Quando um jogador recebe um telefonema diretamente de um treinador, tem sempre em consideração e foi mais isso que me fez ir para a Arábia. Naquela altura pensava ficar na Europa, numa equipa com um bom projeto, mas acabei por aceitar o desafio e ir para a Arábia.

Como foi o primeiro impacto?
Naquela altura desconhecia o mundo árabe, o futebol árabe, por isso o primeiro impacto foi grande. Era um clube onde os adeptos eram muito fanáticos, o país é muito fanático pelo futebol, tive a sorte de ter um staff praticamente 90% português, pessoas que me ajudaram a adaptar a tudo.

Sabia falar inglês?
Não, não sabia nada de inglês. Não falava, entendia muito pouco. Fui viver sozinho para um condomínio, mas tinha todas as condições e apoio das pessoas do clube para o que precisava e a adaptação acabou por ser boa.

A sua mulher e filho não foram porquê?
Porque nos países árabes só se pode levar a mulher quando se é casado e como eu não era casado com ela…

Como correu futebolisticamente?
Os dois primeiros jogos foram um bocado difíceis porque cheguei lesionado. Já estava lesionado no Estoril.

Que tipo de lesão?
Tinha um problema no pé, uma sesamoidite. O impacto com o piso fazia-me ter muitas dores quando corria e em todos os movimentos. Acabei por recuperar e depois as coisas correram muito bem.

Luís Leal foi para o Estoril Praia na época 2010/11

Luís Leal foi para o Estoril Praia na época 2010/11

EuroFootball

O futebol era muito diferente daquilo a que estava habituado?
Sim, é um futebol diferente, onde se corre muito, os jogadores são muito agressivos, a qualidade não é tanta, embora já naquela altura fosse interessante. Não como é agora, porque agora tem muito mais estrangeiros, mas a coisas acabaram por correr bem, fiz 15 jogos, marquei 10 golos. Correu muito melhor do que estava à espera.

Do que gostou mais e a que lhe custou mais adaptar?
A comida era totalmente diferente, mas acabei por me habituar à gastronomia árabe. Também havia muitos lugares onde havia comida europeia, há muitos restaurantes italianos, franceses. Mas eu gostava daquela comida tradicional, do arroz com o cordeiro que se tinha de comer com a mão. Ao princípio fazia-me um bocado de confusão mas depois habituei-me e gostava muito.

Não tem nenhuma história caricata que possa contar?
Quando cheguei, como não sabia como o país funcionava, às vezes quando queria ir ao shopping, encontrava o shopping totalmente fechado porque quando tocava para a reza eles fechavam o shopping, fechavam as lojas todas e eu tinha de esperar 30/40 minutos até a reza terminar para poder entrar. Algumas vezes também ia de de calções e eles diziam que não se podia entrar de calção no shopping.

E do Vítor Pereira, gostou?
Sim. Tivemos uma boa relação, ele ajudou-me muito, foi um treinador muito especial.

Depois da passagem pela Arábia Saudita, Emirados, Turquia e Chipre, Luís Leal volta a Portugal para jogar no Belenenses

Depois da passagem pela Arábia Saudita, Emirados, Turquia e Chipre, Luís Leal volta a Portugal para jogar no Belenenses

Gualter Fatia

Mas não fica lá. Porquê?
Acabei por rescindir o meu contrato passados seis meses porque o Vítor Pereira foi-se embora e nos países árabes funciona assim: os treinadores que chegam, contratam os estrangeiros que eles querem, quando vem outro treinador também contrata dois ou três jogadores que quer. Por isso aqueles jogadores que tinham ido com o Vítor Pereira acabaram por sair porque não eram os jogadores escolhidos pelo novo treinador.

Quando rescindiu já tinha a hipótese de ir para os Emirados ou estava sem clube?
Quando rescindi o contrato passei as férias à espera de um novo clube. Foi quando me apareceu o Sporting de Braga e acabei por assinar por três anos. Mas como o processo do Al-Ahli estava na FIFA, acabei por não cumprir o contrato com o Braga e depois apareceu-me o contrato para os Emirados.

Porque é que o processo do Al-Ahli estava na FIFA?
Porque como eu tinha mais dois anos e meio de contrato, tínhamos chegado a um acordo para eles pagarem o resto do contrato que faltava e como era um processo um bocado demorado, era aquele tempo de 60 dias mais ou menos, as pessoas do Braga acabaram por não querer esperar tanto e eu acabei por seguir para os Emirados, onde fiquei 30 dias à espera da decisão da FIFA e por sorte correu tudo bem.

Os Emirados são muito diferente da Arábia Saudita?
Sim, totalmente diferente, um país muito mais aberto, com muitos estrangeiros, com uma cultura mais aberta, tem casinos, tem bares, discotecas é um país praticamente artificial, foi praticamente todo montado do zero.

Gostou mais dos Emirados do que da Arábia?
Posso dizer que ao nível de futebol gostei mais da Arábia porque estava num grande clube e as coisas correram-me bem. Mas em termos de vida gostei mais dos Emirados.

Luís Leal (1º à direita) optou por representar a seleção do São Tomé e Príncipe

Luís Leal (1º à direita) optou por representar a seleção do São Tomé e Príncipe

VI-Images

Nos Emirados também ficou sozinho?
Naquela altura já estava separado da mãe do meu primeiro filho, por isso estava sozinho.

O que fazia nos tempos livres?
Ficava em casa, às vezes juntava-me com os meus companheiros, dois brasileiros que jogavam na mesma equipa que eu. Almoçávamos e jantávamos juntos, iamos passear para o centro, íamos até ao shopping, até à praia.

Não era de jogar Playstation?
Jogava muito Playstation quando ainda estava no Cova da Piedade, com 19, 20 anos. Depois com o tempo passou-me aquele gosto. Agora jogo um bocado com o meu filho para o acompanhar.

Segue-se a Turquia.
Estava nos Emirados, as coisas estavam a correr bem em termos pessoais, mas em termos de equipa nem tanto. A equipa estava a lutar para não descer, ainda era dezembro, mas já se tinha a noção de que a equipa poderia descer de divisão. E recebi uma proposta da Turquia. Como já tinha aquela vontade de sair do clube, acabei por aceitar essa proposta e fui para a Turquia.

E que tal a experiência no Gaziantepspor?
Na Turquia tinha alguns colegas brasileiros e sempre dava para falar um bocado português. Juntava-me com eles, passeávamos, mas o clube também estava a passar por algumas dificuldades, já tinha alguns salários em atraso, então acabei por terminar a época e fui-me embora. Foram só seis meses.

Luís Leal (à esquerda) com Nathan Junior, Ukra (vestido de Pai Natal) e as mulheres de ambos, mais duas filhas de Ukra.

Luís Leal (à esquerda) com Nathan Junior, Ukra (vestido de Pai Natal) e as mulheres de ambos, mais duas filhas de Ukra.

D.R.

Acabou também o seu contrato com os Emirados e foi para o Chipre. Foi isso?
Não, nos Emirados ainda tinha um ano de contrato mas como a equipa acabou por descer de divisão, a melhor opção que tinha era rescindir o contrato. Acabei por receber uma proposta do Apoel. O treinador era o Domingos Paciência, tinha a oportunidade de jogar na Europa, foi mais por esses motivos que acabei por ir. Queria jogar a Liga dos Campeões.

Chegou a jogar a Liga dos Campeões?
Fiz os play-off da Liga mas no último jogo, a poucos minutos do fim, sofremos um golo e acabámos por não conseguir alcançar a entrada na fase de grupos.

Gostou do Chipre?
Sim, um bom país, com uma temperatura boa, onde havia muitos estrangeiros também, praias…

Também estava sozinho?
Sim, estive sempre sozinho até agora.

Vai tendo namoradas aqui e ali?
Não. Quando estive sozinho na Turquia e no Chipre era difícil ter namoradas. Aquelas relações mais curtas tinha quando ia a Portugal, mas enquanto vivi nesses países nunca tive nenhuma relação séria.

Do que gostou menos e mais no Chipre?
O Chipre era diferente, a condução era do lado esquerdo como os ingleses, tive de me habituar.

Por falar em condução, qual foi o seu primeiro carro?
O primeiro carro que comprei foi um Audi A4, que ainda tenho. É o carro de que mais gosto, mas neste momentos como jogo fora acabei por dar ao meu pai. Mas o primeiro carro onde andei era do meu ex-cunhado, um Rover, que conduzi mesmo não tendo carta. Depois acabei por lhe entregar o carro porque não podia continuar a conduzir sem carta, para não ter problemas (risos).

Em 2016 Luís Leal representou o Cerro Porteño, do Paraguai

Em 2016 Luís Leal representou o Cerro Porteño, do Paraguai

Amilcar Orfali

Depois do Chipre é emprestado ao Belenenses. Como surge?
Como não conseguimos a entrada na Liga dos Campeões, que era um dos objetivos do clube e era um sonho meu também, quando surgiu o interesse do Belenenses e do Sá Pinto em contar comigo para jogar a Liga Europa, resolvi regressar a Portugal e jogar a Liga Europa.

Ficou a viver onde?
Nessa altura já tinha uma casa própria à conta dos contratos que tinha feito na Arábia e nos Emirados. Tive a oportunidade de comprar a casa que mantenho até agora, no Seixal.

Gostou do Sá Pinto?
Sempre me dei muito bem com ele. Posso dizer que foi uma pessoa muito importante para mim. Ajudou-me, sempre contou comigo, joguei sempre com ele, não tenho nada a apontar. É um treinador muito exigente, talvez por isso possam dizer que tem a imagem de uma pessoa conflituosa, mas na realidade não é. É uma pessoa que gosta de ganhar e ao querer ganhar sempre acaba às vezes por passar um bocado o limite. Mas penso que agora já está um bocado mais controlado. Dentro do grupo é uma pessoa que está sempre próxima do grupo, ajuda em tudo, ri, brinca. É uma grande pessoa.

Essa época no Belenenses corre-lhe bem?
A primeira metade correu bem, a Liga Europa também. Depois o Sá Pinto acabou por sair. Era uma pessoa que contava comigo. Veio outro treinador já na reta final, o Velázquez, que está no Setúbal, e eu no final já tinha praticamente a minha saída acertada para o Cerro Porteño, do Paraguai. É aí que começa a minha caminhada pela América Latina.

Depois de nova passagem pela Arabia e de jogar no México, Luís Leal (à direita) foi paraos Newell's Old Boys

Depois de nova passagem pela Arabia e de jogar no México, Luís Leal (à direita) foi paraos Newell's Old Boys

Marcelo Endelli

Porquê o Paraguai?
Surgiu através do meu empresário e um sócio dele, o Pedro Aldave, que é o empresário do Oscar Cardozo, que jogou no Benfica. O Pedro Aldave na altura era o diretor desportivo do Cerro Porteño. Estava a armar a equipa para jogar a Libertadores, o equivalente à Liga dos Campeões, achei interessante o desafio e aceitei a proposta.

O Paraguai é uma realidade completamente diferente da europeia e do mundo árabe.
Sim. Não tinha grande conhecimento do Paraguai. Um pouco antes de ir para lá comecei a pesquisar. Cheguei e vi que era um grande clube, o primeiro ou segundo melhor do Paraguai, onde as pessoas exigem muito. Logo no primeiro, segundo jogo que joguei a titular, fiz golo e a partir desse momento as coisas começaram a correr bem, joguei sempre, joguei a Libertadores, fui o melhor marcador do campeonato. É um clube e país pelos quais vou ter sempre muito carinho. É um país muito bonito que tem muitos estrangeiros a investir e está a evoluir bastante.

A que costume do Paraguai teve de se habituar rapidamente?
Aqui na América Latina, a cada dois dias fazem um churrasco, que aqui se chama assado. Cada vez que os jogadores se juntavam ou que as pessoas se juntam fazem um assado para conviver. É uma forma de falarem umas com as outras e integrarem-se. Apesar de estar agora aqui na Argentina, posso dizer que o Paraguai foi o país onde mais gostei de jogar.

Porquê?
Não sei, talvez por causa da forma como tratam as pessoas. Como eu dizia há pouco, as pessoas do sul são uma coisa, as pessoas no norte são outra, então senti-me totalmente bem no país. As pessoas gostavam de mim e eu delas. Não é um país onde te olham de maneira diferente, são pessoas que abrem os braços e mostram carinho.

Luís Leal está na Argentina há três anos

Luís Leal está na Argentina há três anos

Marcelo Endelli

Antes de ir para o México, ainda tem uma passagem pela Arábia Saudita.
Recebi um convite do Sá Pinto, ele conhecia-me, tinha confiança em mim e voltou a chamar-me para o seu projeto na Arábia. Em termos financeiros sabemos que na Arábia temos outra vida e então acabei por aceitar.

Esteve lá quanto tempo?
Seis meses. Mais uma vez as coisas correram bem até ele ir embora. Foi embora passado dois meses de eu ter chegado. Os árabes são muito impacientes, querem resultados imediatos. Os jogadores que tinham contrato como eu ficaram até ao final da época. Depois aí surgiu o contacto para ir para o México.

Muito diferente do Paraguai?
Não tem nada a ver. O México é um país gigante, cada jogo fora tem de se andar de avião. O futebol mexicano é quase equivalente a um futebol europeu, é um futebol muito evoluído. Os estádios são quase todos recentes. Gostei imenso de lá estar. Gostei dos mexicanos, da comida picante.

Também gostou de tequila?
Provei, um bocado forte, mas com o tempo acabei por me habituar (risos).

Até que vai emprestado para o Newell's Old Boys, da Argentina.
Na realidade não é emprestado. Figura que fui emprestado mas fui como jogador livre. O ser emprestado aqui significa que o jogador tem o passe na mão e se as coisas correm bem o clube compra o passe do jogador. Aqui na Argentina funciona muito assim.

Foi isso que aconteceu consigo?
Sim, fiquei um ano, as coisas correram bem e acabaram por comprar-me o passe e depois assinei um contrato de três anos.

Este é o terceiro ano que aí está.
Sim, falta um ano e meio para terminar contrato.

E como foi chegar a um clube pelo qual passaram figuras míticas como Maradona, Valdano, Batistuta, Bielsa, Oscar Cardozo e onde começou Leonel Messi?
Tento sempre fazer o meu trabalho respeitando a história do clube. Passaram aqui grandes jogadores que continuam a ser muito admirados, Maradona tem o nome dele numa das bancadas o Bielsa dá nome ao estádio. É um clube com muita história, que forma jogadores de muita qualidade.

Está a gostar da Argentina?
Sim. Este é o clube onde estou mais tempo depois de sair de Portugal, porque por onde passei era quase sempre seis meses aqui, um ano ali. Estou estabilizado e contente no clube.

Pensa ficar até final do contrato então.
No mundo do futebol nunca se sabe o que é que pode acontecer amanhã. Já recebi umas quantas propostas de alguns países por isso não é fácil dizer se vou continuar ou não. Depois também depende do clube se me deixa sair ou não.

Luís Leal durante um treino da seleção de S. Tomé e Príncipe

Luís Leal durante um treino da seleção de S. Tomé e Príncipe

D.R.

Se pudesse escolher para onde gostava de ir a seguir?
Gostava de ir para China ou para o Japão.

Gosta mesmo de andar com a casa às costas...
Na verdade, quando jogava no Estoril, numa boa fase da minha carreira, não pensava que as coisas fossem correr desta maneira. Acabou por acontecer e tive de encarar com muita vontade e naturalidade para poder aguentar e seguir a minha caminhada, porque sou jogador de futebol, foi isso que sempre sonhei e tive de seguir o meu caminho. Se pudesse escolher de maneira diferente, escolhia, mas o futebol às vezes é assim.

Acabou por não ver o seu filho crescer.
Sim, quando saí de Portugal o meu filho tinha praticamente quatro anos. Hoje tem 10. Não é fácil para um pai e para um filho estarem tanto tempo longe.

Como matam as saudades?
Falamos sempre por videochamada e quando estou em Portugal tento que ele fique comigo, em minha casa, para levá-lo à escola, ao futebol, ele também joga. Tento aproveitar todos os momentos que tenho para estar com ele, porque as férias nem sempre são muito longas. Naquele curto espaço de mês, mês e meio, tento ao máximo estar com ele porque quando vou embora estou cinco, seis meses outra vez longe.

Ele nunca lhe cobrou? Nunca lhe perguntou por que vai embora e nunca lhe pediu para ficar?
Não, na verdade penso que a mãe dele, e eu também, conseguimos explicar a situação e ele acabou por se habituar. Ao princípio estranhava quando eu estava muito tempo fora, mas ao longo do do tempo começou a habituar-se e hoje aceita bem.

Ele joga futebol a onde?
Começou no Arrentela e este ano transferiu-se para o Amora.

Onde ganhou mais dinheiro até agora?
No México.

Investiu onde?
No ramo imobiliário. Compro uma casa ou outra e alugo. Quando voltar a Portugal vou ver o que vou fazer.

Luís Leal com o filho mais velho, Sandro

Luís Leal com o filho mais velho, Sandro

D.R.

Já pensou no que vai fazer depois de pendurar as chuteiras?
Tenho duas coisas em mente, uma é ser treinador e a outra é ser empresário. Ainda tenho tempo de pensar melhor no que quero. Mas gostava mais de ser treinador.

Fez ou está a fazer algum curso ou algum nível do curso de treinador?
Na verdade o meu empresário já me disse para começar o curso. Mas o meu problema é começar o curso e amanhã ser transferido para outro lado e ter de deixar as coisas a meio. Quando começar não quero ter nenhum problema e parar, para depois recomeçar.

Tem alguma meta? Alguma data definida para deixar de jogar?
Às vezes brinco com alguns colegas e com alguns amigos e digo que só vou jogar mais dois anos e depois retiro-me. Eles dizem: “Não faças isso, ainda tens muito para jogar, tens um físico muito bom”. A verdade é que sou um jogador que faz praticamente todos os jogos, nunca me lesiono, nem nunca tive qualquer tipo de problema. Penso jogar até o corpo dar. Neste momento não tenho nenhuma meta mas se pudesse jogar até aos 36, 37 anos seria interessante.

Quando é chamado a primeira vez a uma seleção?
Fui chamado à seleção de São Tomé em 2012, quando jogava no União de Leiria.

Nunca colocou a hipótese de jogar pela seleção portuguesa?
Eu antes de ser chamado tinha vontade e tinha ambição de representar a seleção de Portugal mas como estava a passar uma fase meio complicada no Leiria, não jogava muito, não recebia, as coisas não estavam a correr bem, quando recebo o convite de S. Tomé e Príncipe pensei "se as coisas não estão a correr bem agora, vai ser muito mais difícil representar Portugal". Se calhar é altura de representar a seleção do meu país. Podia ter esperado mais um ano ou dois e ter trabalhado e lutado para ver se tinha alguma oportunidade de ser chamado à seleção de Portugal que não é fácil, mas acabei por aceitar em 2012 a convocatória para a seleção de S. Tomé.

Está arrependido?
Hoje não estou arrependido, estou contente por ser um embaixador da minha seleção. Tento sempre fazer o meu melhor pela seleção, dentro e fora de campo. Estou muito contente por tudo aquilo que tem acontecido e espero no futuro poder ajudar muito mais.

É crente?
Não, nunca fui muito de religiões. Acredito em mim.

Tem superstições ou algum ritual que faça sempre antes dos jogos?
Tenho uma forma de rezar sempre que entro em campo. Rezo pelos meus familiares e pelo meu filho e também para as coisas correrem bem dentro de campo e as pessoas ficarem orgulhosas de mim.

Essa forma de rezar, é um pedido a Deus?
A mim próprio.

Tem tatuagens?
Não e não sei se vou fazer alguma.

Luís com o filho mais novo, Gabriel

Luís com o filho mais novo, Gabriel

D.R.

Pensa casar e ter mais filhos?
Neste momento tenho uma relação de quase quatro anos com a mãe do meu filho Gabriel, que tem dois meses.

A sua mulher é portuguesa?
A Luísa nasceu em Portugal mas é de origem angolana. Conhecemo-nos numa festa de um amigo em comum, que tinha feito anos, o meu melhor amigo. Ao início não me pôde acompanhar porque estava tirar gestão bancária. Conseguiu acabar o curso e depois veio morar comigo na Argentina. Quando engravidou achei melhor ela ser acompanhada pela mãe e pelos familiares dela, porque aqui só me tinha a mim e eu muitas vezes fico de estágio dois, três dias e não conseguia estar 100% com ela aqui, acompanhá-la às consultas. Achamos melhor ela ir para Portugal para ser acompanhada. Na próxima época já vai me acompanhar. Vem para aqui se eu estiver aqui ou para onde eu for.

Espera conseguir acompanhar mais este segundo filho?
Sim, a ideia é essa. E penso ter mais uns três ou quatro filhos, por aí. Gostava de ter quatro ou cinco. Ter a casa cheia.

Qual foi a maior extravagância que fez na vida?
Sempre fui uma pessoa muito tranquila, muito pensadora, não entro em grandes loucuras, mas sempre gostei, e gosto de carros. Então acabei por comprar o carro que queria, porque tinha condições para isso.

Qual é o carro?
Era um Porsche Panamera. Já não o tenho.

Tem alguma coisa de que goste muito de fazer, extra futebol?
Gosto de estar com a minha família quando vou a Portugal. Gosto de estar com os meus amigos, aproveitar as férias.