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A casa às costas

“Entrei, os adeptos todos mascarados, a insultarem-me, comecei a contar passos e um deles salta para dentro do campo. E eu disse: ‘anda cá’”

Na segunda metade da conversa: as aventuras de Vítor Pereira no estrangeiro, dos beijos e abraços entre árabes, o vídeo viral "i speak the truth", as peripécias gregas e com a polícia de choque, o atentado na Turquia e a fuga de Istambul, e a vida na China e o medo da pandemia. Não faltam histórias

Alexandra Simões de Abreu

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Diz que não quis ficar no FC Porto...
...Fui eu que decidi não ficar no Porto. Muita gente ainda pensa que não. Fui a quatro reuniões para renovar contrato com o FC Porto, porque eles não se convenciam de que eu não ia continuar. Disse-lhes que estou muito grato ao clube e a gratidão para mim é uma coisa para a vida toda, mas que não queria continuar.

Já tinha contactos com a Arábia Saudita?
Não tinha nada. A única coisa que tinha marcado era uma reunião com o Everton. Mas a questão não era essa. Eu tenho de me sentir bem onde estou. Não quero estar onde não sou reconhecido, prefiro ir para outro lado. Nunca tive medo de aventura, quem lutou como eu lutei, e ainda continua a lutar, tem medo de alguma coisa? Eu não tenho medo de nada. De hoje para amanhã vou para outro país qualquer e estou convencido de que temos sucesso na mesma.

Sentiu que podia estar a fechar definitivamente uma porta no FC Porto?
Eu estive oito anos no clube. É muito tempo na carreira de um treinador. Estive cinco anos na formação, três anos na equipa principal. Virei a página, satisfeito com a minha vida, segui o meu caminho. Dessa decisão eu não me arrependo absolutamente nada.

Não respondeu. Sentiu que podia estar a fechar a porta do FC Porto por estar a dar uma "nega"?
Mas eu assumi isso sem problema nenhum. Aliás, quando saí a primeira vez do FC Porto, da formação para ir treinar a Sanjoanense, eles disseram-me: "Olha que normalmente quem sai não volta ao FC Porto". Um ano depois estavam a convidar-me para voltar. Quando saí a segunda vez, para o Santa Clara, voltaram a dizer-me a mesma coisa. Mas eu voltei outra vez ao FC Porto.

Na terceira vez, voltaram a dizer?
Não. Acho que ficou ali uma mágoa, é natural. Porque dizer não ao FC Porto... Mas isso não é um problema meu, é um problema deles. Eu dei tudo de mim ao FC Porto.

Como ficou a história do Everton?
Fui à entrevista. Na altura eu não sabia como se processavam as entrevistas em Inglaterra. Em Portugal estava habituado a que quando alguém me pede para ir a uma entrevista, é para ser contratado. É uma questão de chegarmos a acordo. Lá não é assim. Eles entrevistam 10 para escolher um. Em Inglaterra já tive duas vezes o contrato definido, para mim e para os meus adjuntos, com anos de contrato. E ainda não fui para lá. Quando fui aquela primeira vez ao Everton acabaram por contratar o Martinez que está agora na seleção da Bélgica.

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