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A casa às costas

“No Sporting, quando o Paulo Bento falava comigo só me lembrava dos sketches do Ricardo Araújo Pereira. Eu tinha de me conter, senão...”

Nesta primeira parte, Pedro Mendes recorda a infância de emigrante, uma história deliciosa com Fábio Paim (envolve uma bifana), a chegada ao Sporting, os treinos de Paulo Bento e a forma como foi tratado pelos de Alvalade: "Foram fazer o estágio para a Suíça e eu fui equipado à Sporting, no mesmo avião que eles, mas eles na classe executiva e eu atrás, sozinho. Desembarcamos todos na Suíça e nem uma palavra do género: “Boa sorte, mano, boa continuação”. Não gostou

Alexandra Simões de Abreu

Marco Luzzani

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Nasceu na Suíça, em Neuchâtel. Como é que foi lá nascer?
O meu pai chama-se Aristides dos Santos Mendes, é parecido com Aristides de Sousa Mendes, e é angolano. Os meus avós paternos eram cabo-verdianos. Eu nasci na Suíça porque já venho de uma família imigrante, os meus avós imigraram para Angola e mais tarde para Portugal. O meu pai conheceu a minha mãe, Isabel, em Portugal - ela é lisboeta - e depois emigraram ambos para a Suíça, não sei se na altura ela já estava grávida de mim ou se engravidou na Suíça. Já tinham o meu irmão Marcos, mais velho quatro anos do que eu.

Quando foram para a Suíça, o que faziam os seus pais profissionalmente?
Acho que a minha mãe fazia limpezas nuns escritórios de advocacia e o meu pai jogava no Neuchâtel Xamax.

O seu pai era jogador profissional de futebol?
Não chegou a ser profissional porque, ele mesmo diz, não tinha caráter para engolir certos sapos que às vezes é preciso engolir no futebol. Acho que ele também trabalhava noutra profissão, mas não sei o quê. Das histórias que ouvi, acho que ia com ideias de ganhar dinheiro no futebol, esse era o principal objetivo, mas tinha outro trabalho complementar. Só que as coisas não correram como ele estava à espera.

Saíram da Suíça?
Arrancámos para Espanha, mais uma vez à procura de uma melhor qualidade de vida. O meu pai queria sempre mais e melhor para a família e deixou uma boa vida na Suíça; acho que enquanto casal arrependem-se até hoje de terem saído da Suíça. Mas foram atrás de promessas.

No futebol?
Sim, no futebol, mas também em outros ramos. O nosso tio tinha convidado o meu pai para ir trabalhar com ele, mas não se passou como o previsto. Fomos para Huelva, sul de Espanha, eu tinha meses ainda. Fiquei lá até aos seis anos.

Que memórias guarda de Espanha?
Lembro-me perfeitamente de ir comprar pão sozinho, a pé, o que para mim era um grande ato de responsabilidade [risos]. Era à frente de casa e a minha mãe via-me pela varanda, tinha eu quatro anos. Ainda tenho algumas memórias de ir para a pré-primária, por exemplo, de ser operado a uma hérnia inguinal, são coisas que me marcaram.

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