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A casa às costas

“É difícil lidar com o Sérgio Conceição: é impulsivo, tive discussões e choques, manda-te logo f... É como o Jesus, o melhor é nem ligar”

Na primeira parte deste "A Casa às Costas", o defesa Bruno Gaspar recorda os tempos de infância, o embate e as comparações com três treinadores portugueses, e uma desventura com um agente que não quer nomear, antes de sair pela primeira vez de Portugal para jogar na Fiorentina

Alexandra Simões de Abreu

MIGUEL RIOPA

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Tenho indicação de que nasceu em Évora. É assim?
Não, nasci em Vila Real de Trás-os-Montes, só que o meu pai, Fernando Gaspar, jogava futebol e só fiquei uma semana em Vila Real. Fui logo para Évora, onde os meus avós e a minha mãe vivem. O meu pai é luso-angolano, jogava nas II divisões, a minha mãe é portuguesa e conheceram-se em Évora, ainda a minha mãe estudava, era muito nova. Começaram a namorar e a minha mãe passou a acompanhar o meu pai.

Tem irmãos?
Tenho três irmãos, uma irmã mais velha do mesmo pai e da mesma mãe, e dois mais novos do mesmo pai.

Fica em Évora até que idade e foi criado por quem?
Fiquei em Évora até aos 13 anos, cresci com a minha irmã mais velha, com a minha mãe e com os meus avós maternos. Depois fui para o Benfica e fui viver para o Seixal.

Antes disso não passou pelos Canaviais?
Sim, foi lá que comecei a dar os primeiros toques na bola. Nós vivíamos numa quinta e eu andava sempre a correr e a jogar à bola sozinho. Depois comecei a ir para os ringues com os amigos, passava as tardes a jogar e foi surgindo o gosto pelo futebol. O meu pai estava a jogar em Évora e acompanhava-o muito, ele fazia questão.

Gostava da escola?
Gostava, os intervalos eram bons para jogar. Levava a bola num saco de plástico e dava uns toques.

Quem eram os seus ídolos?
Quando era pequeno, o Thierry Henry. Depois o Rui Costa e o Cristiano, quando começou a aparecer.

Torcia porque clube?
Prefiro não dizer [risos].

Como e quando vai parar ao Grupo Desportivo dos Canaviais?
O meu pai na altura jogava no Lusitano de Évora e um dia levou-me a um treino com os miúdos da minha idade, só que eu só tocava na bola quando a bola ia para fora. Não quis ficar, nem o meu pai, porque eu não estava feliz. Então ele pensou meter-me nos Canaviais, que era um clube mais pequeno. Iam buscar-me depois das aulas e levavam-me a casa. A partir daí comecei a treinar e a jogar com os miúdos da minha idade, só que a minha mãe trabalhava, os meus avós tinham as coisas deles para fazer, o meu jogava e ninguém ia ver os meus jogos. Até que um dia comentam com o meu pai: "Olha o teu puto joga bem. Devias aparecer aqui um dia”. Ele apareceu e viu que eu realmente tinha potencial. Passado um ou dois anos, fui ao Sporting treinar e não fiquei. No mês a seguir vou ao Benfica, era para fazer dois ou três treinos e fiquei logo no primeiro.

E foi viver para o Seixal?
Nos primeiros dois anos, a minha mãe tirava férias para me levar aos treinos duas vezes por semana. Fazíamos duas viagens Évora-Lisboa-Évora e ao fim de semana também. Tornou-se muito cansativo e quando houve a oportunidade do Seixal, vou para a academia viver. Fui muito novo, eu era dos mais novos, senão o mais novo, tinha 14 anos.

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