Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
A casa às costas

“Gosto do Sérgio Conceição tal como é: um homem nota mil. Para ele é preto ou é branco. Tenho até saudades de ser treinado por ele”

Na primeira parte da entrevista, André Pinto conta como foi duro perder a mãe, aos 12 anos, já ele jogava no FC Porto, clube que o formou até adulto mas onde nunca conseguiu estrear-se oficialmente como sénior. E vai contra a imagem que se tem do treinador do FC Porto, a quem não poupa elogios. Na segunda-parte, o central fala sobre os traumas da invasão a Alcochete

Alexandra Simões de Abreu

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Partilhar

Nasceu em Vila Nova de Gaia. Filho e irmão de quem?
Filho de António Pinto e de Noémia. Sou filho único.

O que faziam os seus pais quando nasceu?
O meu pai é marceneiro, trabalhava numa fábrica de móveis e a minha mãe… A minha mãe faleceu quando eu tinha 12 anos. Passei de criança a adulto muito rápido.

Faleceu como?
Teve um cancro. Demorou anos. Teve um primeiro problema, depois durante um período de dois ou três anos, já não me recordo bem, esteve sensivelmente bem e depois teve uma recaída. Basicamente desde o primeiro momento até que faleceu foi um intervalo de cinco a seis anos.

Lembra-se de quando é que teve a noção da gravidade da doença?
Chamem-lhe o que quiserem, mas mesmo sendo um miúdo, não sei se faz parte da natureza humana, costuma dizer-se que as mulheres têm um sexto sentido, eu acho que os homens também o têm, e fui pressentindo e apercebendo-me. Mas talvez na parte final em que eu já era mais velho, aí sim, tenho mais presente o que se passou, até porque esteve hospitalizada.

Era uma criança calma ou irrequieta?
Acho que era meio termo [risos].

Gostava da escola?
Sempre a vi como algo obrigatório, em que devia tentar fazer o melhor possível. Mentia se dissesse que morria de amores pelo estudo e por ir para a escola. Tinha a noção da importância que tinha e tentei fazer o melhor possível, nunca sendo um aluno extraordinário, mas era um aluno mediano.

O futebol como surge?
Pelo que me contam, o futebol surge ao mesmo tempo em que comecei a gatinhar, ou seja, nunca houve um segundo desporto, nem uma segunda coisa que eu quisesse experimentar. Jogava em casa, na rua, na escola e depois, claro, no clube

Qual é o primeiro clube e como é que lá vai parar?
O Arcozelo, clube da freguesia onde ficava a casa da minha avó materna, em Arcozelo, Vila Nova de Gaia. Fui lá a primeira vez com cinco anos mas só se podia jogar a partir dos oito anos, disseram-me que era muito novinho mas como tinha jeito podia ir aos treinos, só que não podia ser inscrito para jogar. Como treinar para aquecer nunca foi a minha praia eu disse que não, nem pensar. Depois acabei por voltar lá aos sete anos. Como faço anos em outubro, o campeonato na altura começava em setembro, consegui ser inscrito.

Quem eram os seus ídolos?
Nunca tive ídolos. Via o futebol em geral.

Não torcia por um clube?
Não, nunca fui de torcer por um clube. Desde miúdo sempre gostei de futebol de uma maneira geral. A única coisa que sempre gostei desde miúdo era de ver a liga mais forte, que na altura era a italiana. Na altura a TVI passava jogos da liga italiana pelo menos uma vez por semana. Eu gostava de acompanhar, estavam lá o Sérgio Conceição e o Fernando Couto, na Lázio. Não posso dizer que eram ídolos, mas era o que eu gostava de ver, eram por assim dizer a referência.

Artigo Exclusivo para assinantes

No Expresso valorizamos o jornalismo livre e independente

Já é assinante?
Comprou o Expresso? Insira o código presente na Revista E para continuar a ler