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A casa às costas

“Na invasão, vi o Jorge Jesus a sangrar, tinham-lhe dado um murro. Cabelos brancos, aquela idade, foi como se fosse o meu pai. Tive medo”

Na segunda parte da entrevista, André Pinto conta como renasceu no regresso a Portugal e como foi importante a conquista da Taça de Portugal pelo SC Braga. Aborda a saída conturbada para o Sporting, confirma o feitio difícil de Jorge Jesus e relata o ataque à Academia de Alcochete, momento em que, confessa, sentiu medo. Segue-se a passagem pela Arábia Saudita e o choque cultural que por lá viveu. Tem contrato com o Farense até final da época, diz estar focado em ajudar o clube e garante que ainda é muito novo para pensar em deixar de jogar

Alexandra Simões de Abreu

D.R.

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Quando sai da Grécia, já sabia que ia para Braga?
Sim, faço o acordo porque um agente ligou-me e posteriormente telefonou-me o presidente do SC Braga a dizer que estavam à minha espera.

Mais uma vez é Jesualdo Ferreira o treinador.
Sim.

Mas jogou muito pouco nessa época 2013/14. O que aconteceu?
Eu tinha estado seis meses em litígio com o Panathinaikos e só treinava, não jogava. Estava em litígio por causa dos meses em atraso, começou a haver problemas porque depois tinha-se que assinar aquela folha a que estava tudo em dia para se mandar para a federação ou para a FIFA e eu comecei por não querer assinar. Eu só queria fazer valer os meus direitos, mas desportivamente fiquei prejudicado durante esses seis meses. Cheguei a Braga sem ritmo competitivo nenhum. Custou-me. A equipa já estava em andamento, engrenada, e não foi fácil jogar muito. Mas tinha noção disso e creio que o próprio clube também não me foi buscar para o imediato, até porque na altura assinei por três anos e meio.

Já tinha sido pai?
A minha mulher engravidou na Grécia, cheguei a Braga em janeiro e sou pai em abril. Assisti ao parto da Mafalda, que nasceu a 25 de abril e revolucionou a minha vida por completo. A partir do momento em que ela nasce já não dá para dizer simplesmente "Vamos jantar fora", porque "Eh pá, não podemos ir porque a menina a essa hora já está a dormir" [risos]. Ou seja, toda a vida muda, tudo passa a ser em função dela, dos horários dela. É o que acontece com todos os pais.

A época seguinte é com Sérgio Conceição. Como foi reencontrá-lo, sentiu que tinha evoluído?
Enquanto treinador, no aspecto tático, como é óbvio, de ano para ano vai tentando evoluir e melhorar. Agora, o homem, o carácter e a personalidade, encontrei exatamente o mesmo. Com ele, vou-me repetir, ou é preto ou é branco, cinzento não dá. Eu revejo-me um bocado nisso. Prefiro mil vezes uma verdade que doa, do que uma mentira só para passar mão das costas. Gosto da pessoa, do género dele, porque o jogador com ele sente-se protegido. Desde que o jogador seja sério sabe que dele vai ter tudo. Não vai deixar cair um jogador só por um mau passe, não. Não é esse tipo de treinador.

Pelos vistos ele também gostava de si porque fartou-se de jogar nessa época, em que terminaram em 4º lugar.
Sim e fomos à final da Taça de Portugal em que perdemos com o Sporting, mas ele fez um excelente trabalho em Braga. O SC Braga nessa época não teve competições europeias porque no ano anterior não conseguiu posição para isso. Ele lutou para pôr o clube na Liga Europa. E fez, a meu ver, um excelente trabalho. Confiou em mim. Eu tinha 24 anos e esse meu relançar ou afirmação, depois de ter estado no estrangeiro e ter atravessado um período de interregno, foi muito bom. Depositou toda a confiança em mim e só tenho a agradecer.

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