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A casa às costas

"O Quaresma conduzia a minha acelera sem carta. Dizia-lhe: 'Se a policia manda parar, estamos feitos'. E ele: 'Não, a gente é do Sporting"

O metro e sessenta e cinco de altura foi sempre um convite para o chamarem de 'Baixinho' nos clubes por onde passou. Irreverente, Paulo Sérgio chegou a frequentar as escolinhas do Benfica, mas o chumbo na escola valeu-lhe o afastamento do clube do coração e atirou-o para o rival Sporting, onde acabou por fazer toda a formação. Cheio de histórias, conta neste primeira parte da entrevista como Fernando Santos o mandou uma vez tirar as calças, revela uma mudança de atitude em Carvalhal, explica porque não se entendeu com Couceiro e Daúto Faquirá e como não entendia os gestos que o prof. Neca lhe fazia do banco

Alexandra Simões de Abreu

Ana Baiao

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Nasceu em Lisboa. Filho de quem?
A minha mãe sempre foi empregada doméstica e o meu pai bate-chapas. Fui nascido e criado no bairro da Curraleira, perto das Olaias.

Tem irmãos?
Dois mais novos, de pai diferente. A minha irmã Isa vai fazer 26 anos, o meu irmão Fernando tem 21. Eu sou o único do primeiro casamento da minha mãe. A minha mãe, Ana Paula, sofreu bastante na minha infância porque o meu pai infelizmente maltratava muito a minha mãe. Um dia ela cansou-se. Depois arranjou este homem e graças a Deus tem sido super feliz. Lembro-me do tempo que passei sozinho com a minha mãe, os maus bocados em relação ao meu pai. Ele não deixa de ser o meu pai, mas lembro-me perfeitamente daquilo que a minha mãe sofreu. Inclusive houve um dia em que a minha mãe saiu de casa e dormimos os dois debaixo de um daqueles tanques antigos de lavar a roupa.

Tinha quantos anos?
Quatro, cinco anos.

Era um puto calmo ou reguila?
Era traquina, muito traquina. Sabe como é que é, aquela malta nascida e criada ali no bairro... Aquilo são todos traquinas. Fazia muita porcaria [risos].

Lembra-se de alguma patifaria que tenha feito?
Então não me lembro? As motas da Telepizza já não podiam entrar no bairro que a gente levava as motas todas [risos]. Fazíamos ligação direta [risos].

Alguma vez foi parar à esquadra à conta do seu comportamento?
Fui sim senhora, por estupidez. Tinha 10 ou 12 anos. Eu e os meus amigos, a gente ia sempre jogar à bola, na Alameda, à noite. Jogava a parte de baixo do bairro contra a parte de cima e jogávamos até às tantas da manhã. Quando vínhamos embora para casa, havia sempre brincadeiras estúpidas, que Deus me perdoe [risos]. Cada vez que passava pelos caixotes do lixo, mandávamos os caixotes do lixo abaixo, aquela coisa de miúdos. A polícia um dia veio, levaram-nos para a esquadra, a minha mãe foi buscar-me, deu-me tantas, tantas... Até com o pau da vassoura ela me deu, Jesus, nunca mais me esqueço [risos]. Nunca mais, nunca mais fiz porcaria.

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