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A casa às costas

"Tive oportunidade de ir para o Southampton. O José Fonte dizia-me 'anda mano, isto é top, é para subir à Premier'. Não fui e arrependi-me"

Na segunda parte da entrevista, Paulo Sérgio conta como foi jogar e viver no Brunei e na Indonésia, onde conheceu um príncipe, mas tinha de equipar-se na rua e tomar banho num chafariz, com a ajuda de um balde. Fala também de lagartixas e do trauma que causaram. Assim como de um pião que fez com o carro num relvado e que lhe valeu um processo disciplinar. E revela, que se pudesse mudar uma regra no futebol, tornava as substituições ilimitadas durante os jogos

Alexandra Simões de Abreu

Ana Baiao

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A primeira saída para o estrangeiro é para Salamanca. Como surgiu?
Fizemos uma época muito boa no Portimonense e o diretor desportivo do Salamanca liga-me, diz que estava interessado em mim. Eu tinha opções para continuar na I Liga em Portugal, mas como Salamanca está perto, a II Liga espanhola é muito competitiva e davam-me contrato de três anos, porque não? E arrisquei.

Foi sozinho ou com a família?
Com a família. Adorámos. Adaptámo-nos super bem. A liga de facto era competitiva, o estádio estava sempre cheio. Fazia um frio do caneco, nevava. Tive pena de no segundo ano ter de chegar a acordo com eles.

Não ficou porquê?
Porque houve uma alteração na direção, queriam baixar-me o salário, eu não aceitei e chegámos a acordo. O Jorge Costa quis-me também e voltei, para o Olhanense, para a I Liga. Depois era aquela coisa do Jorge Costa, o “Bicho”, que eu tinha apanhado como jogador. Pensei, fogo, o gajo é espectáculo, deixa lá ver, pode ser que as coisas corram bem.

Que tal o Jorge Costa como treinador?
O Jorge é 10 estrelas. Mesmo a comunicação dele, é top.

Mais calmo do que como jogador?
Completamente [risos]. Nem parecia o “Bicho” que era no Porto, poça. Dizia-lhe: “Então mister, estamos a ser roubados e não vai para cima dos árbitros? Quando era jogador ia para cima dos árbitros, agora não vai?” [risos]. E ele: "Não Paulinho, agora não se pode, agora é diferente". Mas era um espectáculo, tínhamos sempre coboiada nos treinos. Tínhamos o Ukra, o Castro, o Rabiola, o Baião, o Garcia, era um grupo... O Duda. O Duda era uma máquina, era só rir, era um palhaço de primeira. O gajo só fazia palhaçada no treino. O senhor que nos tratava da relva tinha uma mota, uma Zundap, ele pegava na mota mais o Ukra, andavam pelo campo, rebentavam com o campo todo, para darem trabalho ao homem, coitado. [risos]. O Ukra era o pior. Estava sempre na palhaçada. Sempre.

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