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A casa às costas

“Em Espanha, meteram o meu Smart quase dentro do balneário. O capitão disse-me: ‘um jogador do Bétis não pode vir com um carro destes’”

Primo de Afonso Martins, ex-jogador do Sporting, Salvador Agra cresceu nas Caxinas e sempre carregou ao peito o Varzim SC, o primeiro clube onde jogou e formou-se homem. Em Olhão conheceu o treinador com quem mais trabalhou e por quem tem grande admiração: Sérgio Conceição. Estreou-se lá fora no Bétis de Sevilha, antes de rumar ao Siena de Itália. Voltou a Portugal, para o SC Braga, passou pela Académica e fez duas épocas no Nacional da Madeira antes de ser comprado pelo Benfica, onde nunca jogou e nem pré-época fez. Mas diz não guardar mágoa

Alexandra Simões de Abreu

Rui Duarte Silva

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Nasceu em Vila do Conde. Que ocupação tinham os seus pais?
O meu pai é pescador, tem o barco dele e a minha mãe trabalha na empresa do meu pai. Trata do camião para ir buscar o peixe e vender na lota.

Tem irmãos?
Tenho duas irmãs. Uma mais velha e outra mais nova. Temos cinco, seis anos de diferença uns dos outros.

Como foi crescer nas Caxinas?
Foi bom. Tem o modo de vida a que estou habituado, para mim sem dúvida é a melhor terra do mundo.

Caracterize-nos a zona onde cresceu.
É uma zona muito familiar, acolhedora, as pessoas são muito humildes, muito simples e identifico-me com isso. Desde miúdo fui habituado a acolher as pessoas que cá chegam e até por vezes a tirar alguma coisa de nós para dar a essas pessoas. É assim que vivemos e é aqui que nos sentimos felizes, porque basicamente estamos neste mundo para ajudar-nos uns aos outros.

Como era em criança?
Muito reguila [risos]. A escola, por exemplo, basicamente não queria nada com aquilo, portava-me muito mal, ia muitas vezes para a rua e a minha mãe era muitas vezes chamada. Ela ainda hoje conta que lhe dei muito que fazer. Uma vez, numa conversa de professor-aluno, exaltei-me um bocadinho e atirei uma peça de fruta à professora. Coisa que não quero que os meus filhos façam. Tirando isso, faltava muitas vezes às aulas porque tinha o bicho e a paixão pelo futebol.

Tinha alguém na família ligado ao futebol?
Tinha um primo, o Afonso Martins, que jogou no Sporting, e os meus tios que jogaram no Varzim. Só que os tempos eram totalmente diferentes, os meus avós precisavam deles para ter o pão dentro de casa e tiveram de abandonar, mas tinham qualidade.

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