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A casa às costas

“Uma vez, o Cafú meteu-se fora do táxi pela janela e ouvimos a passar na central de rádio que havia um indivíduo com o cu de fora”

José Sá gostava de andar lá na frente a marcar golos como os outros miúdos, mas a necessidade de ocupar um lugar vago e a sugestão do seu primeiro treinador, levaram-no a defender as balizas. Aos 28 anos, o guarda-redes do Wolverhampton, conta como foi a passagem pelo Benfica, onde tem vários episódios engraçados com Cafú e Luís Martins, e relembra a amnésia que sofreu no Marítimo, depois de levar com uma bola na cabeça. Nesta I parte da entrevista fala, também, dos conselhos de Iker Casillas no FC Porto e da festa do título numa discoteca, antes de partir para Grécia

Alexandra Simões de Abreu

D.R.

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Nasceu em Braga. Filho e irmão de quem?
Tenho um irmão, o Miguel, oito anos mais novo, acabou há pouco os estudos na área do Turismo e está à procura de trabalho. O meu pai, José, é manobrador de máquinas, mas está de baixa porque foi operado a uma hérnia na coluna. A minha mãe sempre foi empregada doméstica e chama-se Rosa.

Como foi a sua infância?
Eu era um puto reguila. Uma vez, tinha eu 13, 14 anos, estava no ATL com um amigo a jogar à bola, sem querer partimos um vidro e como ao lado havia uma casa em obras e normalmente tinha lá trolhas a trabalhar, nós culpámos os trolhas, porque os trolhas tinham alguns conflitos com a dona do ATL [risos]. A dona chamou a polícia, um dos que também estavam no ATL foi dizer à dona que fomos nós que partimos o vidro, e pronto, deixámos de ir ao ATL.

O que dizia querer ser quando fosse grande?
Eu dizia que se não fosse jogador profissional, gostava de ser cantor [risos]. Mas só na brincadeira, porque não tenho jeito nenhum para a música. Eu tirei um curso profissional de metalomecânica, mas nem cheguei a acabar porque estava no 11.º ano quando fui para o Benfica. Ainda fui estudar à noite, mas como, entretanto, deixei o Benfica e fui para a Madeira, deixei de estudar. Tinha dois treinos por dia, treinava com os juniores, treinava com a equipa B e às vezes treinava com a equipa principal, então não continuei os estudos e arrependo-me. Penso um dia acabar.

Gostava da escola?
Nem por isso. Era uma seca. Se tinha faltas para dar, eu faltava [risos]. Às vezes faltava e assinava pela minha mãe. Uma vez ela descobriu, eu rasguei rápido os papéis da caderneta, deitei ao lixo e tentei dar a volta [risos]. Depois andei ali na linha.

Como e quando vai jogar para o Palmeiras FC?
Já não me lembro. Sempre gostei de futebol e de dar uns toques e resolvi lá ir, tinha uns 9 anos. Ainda por cima era perto da minha casa, ia a pé.

Já era guarda-redes?
Quando fui para o Palmeiras não estava na baliza, andava na frente a encher chouriços, como se diz [risos]. Depois, nos infantis, faltava guarda-redes e o meu vizinho de baixo que era o treinador na altura é que me pôs à baliza. Disse que eu tinha jeito e fui para a baliza. Eu gostava de estar à frente. Mas tive de gostar [risos].

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