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A casa às costas

“No V. Setúbal apanho jogadores que, ao contrário de mim, sabem que já não vão a lado nenhum, já não têm ambições e não treinavam a 100%”

Filho de mãe portuguesa e pai polaco, Tomas Podstawski, de 26 anos, esteve quase uma década no FC Porto sem conseguir um lugar no plantel principal, apesar de ter jogado quatro anos na equipa B. Fez dois europeus, um Mundial e os Jogos Olímpicos de 2016 com a camisola de Portugal, mas nunca foi chamado à seleção A. Do FC Porto rumou ao V. Setúbal, onde encontrou mais dificuldades do que pensava para alcançar os seus objetivos. Acabou por ir jogar para a Polónia, mas disso falamos no domingo, na segunda parte da entrevista.

Alexandra Simões de Abreu

Dean Mouhtaropoulos - FIFA

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Nasceu no Porto. É filho de um polaco e de uma portuguesa. Como é que eles se conheceram?
Os meus pais conheceram-se ainda na ex-União Soviética, na Ucrânia, em Kiev, quando estavam a estudar educação física. Casaram em 1991, em Portugal onde ficaram a viver. A minha mãe apesar de ter nascido em Penafiel viveu a vida inteira até adulta em Torres Vedras, e o meu pai vem de uma cidade a 300 quilómetros de Varsóvia, uma cidade central que se chama Bydgoszcz. Eles decidiram viver no Porto, para obter a equivalência do curso que tinham feito na Ucrânia, gostaram e ficaram sempre no Porto. Eu nasci em 1995, na Sé.

Eles praticaram algum desporto federado?
O meu pai quando era novo praticou basquetebol, mas mais a sério, a um nível mais elevado e federado, jogou andebol, em Varsóvia. No entanto, quando terminou o curso a sua especialidade foi basquetebol. A minha mãe fez ginástica, foi campeã nacional de mini trampolim.

Tem irmãos?
Tenho dois. O Filipe tem 21 e o António 23 anos.

Recorda-se como era em criança?
Não dava muito trabalho, acho eu, era calmo. Não tenho assim histórias de passar das regras e dos limites. Gostava da escola. Não ia com uma motivação enorme para as aulas, mas era bom aluno e estava bastante atento. Era uma das minhas qualidades para ter boas notas, estar mais atento nas aulas.

Em casa falavam consigo em polaco e em português, ou só em português?
Tentávamos falar em polaco também, mas, claro, era muito difícil, porque viver em Portugal com mãe portuguesa e numa escola portuguesa... Conseguíamos falar polaco com o meu pai, mas normalmente falávamos em português. Agora, íamos todos os anos de férias no verão para a Polónia, onde tínhamos contacto com a família polaca, essas raízes e essa ligação à Polónia sempre existiu.

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