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A casa às costas

"No início, em Inglaterra, fui jantar com o Lucas João, ele pede um 'burger' e começa a abrir e fechar os braços. Não sabia dizer 'chicken'"

Pepe, Neymar e Pablo são os "filhos" que têm acompanhado Marco Matias e a mulher para todo o lado. O extremo direito, que esta época está no Nacional a lutar pela subida à I Liga, revela na segunda parte da entrevista como foi difícil perceber o inglês cheio de sotaque de Sheffield, conta a história de uma asneira mal dita por Carlos Carvalhal e que deixou toda a gente a rir às escondidas no balneário. Confessa que é chato com os árbitros e que ganhou o bichinho da compra, venda e remodelação de casas, por onde vai passar o seu futuro

Alexandra Simões de Abreu

Nick Potts - EMPICS

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Como surgiu a oportunidade de jogar no Sheffield, de Inglaterra?
Surgiu já no final da época no Nacional. As coisas foram muito rápidas, eu tinha propostas de alguns clubes.

De que clubes?
Tive do Málaga, do Besiktas e de outros clubes que não posso revelar os nomes porque não vieram nem valores, nem o documento oficial. Mas que houve muitos contactos de clubes houve, quer em Portugal, quer no estrangeiro. Aguentei, porque queria tomar uma decisão certa. Ingressar no futebol inglês era um dos meus sonhos. Foi o Amadeu Paixão, que já não era meu empresário, pela Doyen, que fez o acordo com o meu empresário para eu ir para o Sheffield Wednesday, jogar no Championship. E não me arrependo de nada. Fiquei feliz pelo passo que dei. Acho que todos aqueles anos de sacrifício foram compensados pelos momentos que passei em Sheffield.

Quais foram as primeiras impressões quando lá chegou?
Nós fomos numa transição, o chairman, que era tailandês, comprou um clube histórico de Inglaterra e estava a montar uma equipa para voltar à Premier League. Foi com esse pensamento que também quis ir para lá e que abracei o projeto com o mister Carlos Carvalhal. Claro que aquele primeiro momento de chegar a Inglaterra é fantástico. É diferente, mesmo sendo II liga inglesa, acho que foram poucas as vezes que joguei num ambiente como aquele que encontrei em Inglaterra.

O que tem de tão diferente?
Tudo. Os adeptos, os adeptos com os jogadores, a dedicação, o amor, quer jogássemos duas, três ou quatro vezes por semana, os estádios estavam sempre cheios. O tipo de futebol, mais rápido, já a roçar as melhores ligas do mundo. Eram clubes que praticamente estiveram todos na Premier League. Jogar naqueles estádios que só vemos na televisão... Foi esse conjunto de coisas que fez com que fosse o sítio onde mais gostei de jogar futebol.

E dos ingleses no dia a dia, gostou?
Sim, é uma cultura diferente. São muito pontuais. Aqui não estamos muito habituados a isso. Não são tão calorosos. Nós, os latinos, somos pessoas mais amigas, mais calorosas do que os ingleses. Eles são muito mais frios.

Ganhou hábitos ingleses?
Sim, o sair à tarde com aquela névoa, aquele frio, para ir a um Starbucks, por exemplo, beber um hot chocolate.

Do que gostou menos?
Claramente a falta da comida portuguesa. O clima era difícil, porque escurece muito cedo, embora confesse que hoje tenho um bocadinho de saudades. Gostava quando a meio da tarde às vezes começava a nevar ou a chover, e nós em casa a descansar. Era muito caseiro já na altura devido ao esforço quase a dobrar que havia no futebol inglês, comparado com o português.

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