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A casa às costas

“Fui para a Arábia para juntar a parte desportiva à financeira, porque sentia que em Braga não recebia o que merecia”

Ao perceber que desportivamente nunca chegaria ao patamar que ambicionou em Portugal, Fábio Martins voltou-se para o mercado árabe e admite que a distância do filho e da família valem o esforço para lhes garantir um futuro melhor. Na Arábia Saudita foi barrado à entrada do Ikea porque vestia calções, provou carne de camelo e viu costumes entre os jogadores para si inaceitáveis. Esta época joga nos Emirados Árabes Unidos, um país mais aberto, onde espera ficar a viver pelo menos três anos, embora com estádios mais vazios

Alexandra Simões de Abreu

D.R.

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Quando chegou ao fim a época no Famalicão o que tinha projetado? Ficar em Braga?
Eu tinha mais dois anos de contrato com o SC Braga, mas a ideia não era ficar. Já não queria. Achava que o tempo de Braga já tinha passado. Queria coisas novas, se calhar estava na altura mesmo de sair do país. Não me apresentei em Braga e como não aparaceu nada que me agradasse fiquei a treinar à parte quatro ou cinco semanas com outros jogadores que também estavam a tentar resolver a vida. Acabou por aparecer o Al-Shabab, da Arábia Saudita. Foi uma luta para sair porque o SC Braga queria vender. Acabei por sair emprestado mas o SC Braga obrigou-me a renovar antes de sair. Renovei mais um ano para quando acabasse a época no Al-Shabab ficar na mesma com mais dois anos de contrato.

Era esse o mercado que ambicionava?
Eu já ponderava a perspectiva financeira. Queria juntar as duas coisas, a perspectiva desportiva, porque queria continuar a jogar num campeonato competitivo, mas também queria juntar a parte financeira, porque sentia que em Braga não recebia o que merecia. Em Portugal dificilmente iria acontecer isso e quis juntar as duas partes. Não procurava a Arábia Saudita, sou sincero, nunca teria pensado ir para a Arábia Saudita mas quando apareceu fui.

Quais eram os países que equacionava? Para onde queria ir?
Pensava numa Turquia, que é um país europeu, onde há competições europeias ainda, e já é um país que paga melhor. Uma Rússia, algo assim. Acabou por surgir a Arábia Saudita por culpa também do treinador que lá estava, o Caixinha. Acabei por arriscar. E bem.

Foi sozinho ou com a sua mulher? Foi um choque?
Eu fui primeiro por causa da pré-época e ela foi um mês depois. E sim, é um choque. Logo no aeroporto quando chegas só vês mulheres vestidas de preto e homens vestidos de branco. Lá é só isto, gente vestida de preto ou de branco. É um choque cultural muito grande

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