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Muitos duelos físicos, muita pressão, muito futebol direto, enfim, outro Porto-Sporting muito fraco

O analista Tiago Teixeira revela que caminho levou a final da Taça da Liga disputada no sábado e que resultou na vitória do SCP, após um jogo em que a preocupação em desconstruir foi sempre maior do que a vontade de construir

Tiago Teixeira (analista de futebol)

MIGUEL RIOPA

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À imagem do que aconteceu no clássico em Alvalade para o campeonato (empate a zero), o duelo entre Sporting e FC Porto voltou a ser muito pobre do ponto de vista ofensivo, com ambas as equipas mais preocupadas em condicionar o adversário do que em construir e criar com qualidade, o que acabou por resultar num jogo com muitos duelos físicos, muito futebol direto e com pouquíssimas oportunidades de golo.

O início

O Sporting entrou em campo organizado em 4x4x2 no momento defensivo, num bloco médio e compacto, não permitindo aos médios do FC Porto receber a bola no espaço entre linhas.

Apesar do maior domínio do FC Porto ao nível da posse de bola, foi o Sporting que durante a primeira parte teve mais condições para chegar com perigo às zonas de finalização. Essas condições foram criadas através de uma pressão agressiva e bem definida, que resultou em algumas perdas de bola do FC Porto em zonas perigosas.

Quando o Sporting optou por passar do controlo para a pressão, utilizou muito os movimentos de fora para dentro, com Raphinha a revelar-se muito importante nesse momento. A movimentação do extremo brasileiro condicionou muito as ações de Pepe, que sentiu dificuldades para jogar curto.

O melhor exemplo dessa pressão realizada por Raphinha aconteceu no último lance da primeira parte, onde um passe errado de Pepe permitiu a Dost recuperar a bola e deixar o extremo do Sporting numa situação de 1x1 com Felipe.

O FC Porto optou sempre por pressionar o Sporting em zonas altas, com Marega e André Pereira a controlarem os centrais leoninos, e com um dos médios a encostar em Gudelj, para que este não tivesse espaço para receber a bola e enquadrar.

Como tem vindo a ser recorrente, o Sporting nem sequer tentou sair apoiado quando enfrentou uma pressão mais alta. Centrais pouco preocupados em dar linhas de passe a Renan, e o guarda-redes do Sporting apenas focado em jogar longo na frente, mesmo nos momentos em que até havia condições para uma construção mais curta.

O FC Porto foi também uma equipa com pouca qualidade na fase de construção. Como é imagem de marca de Sérgio Conceição, as bolas longas pelo corredor lateral direito (Marega e Corona) foram uma constante, mas perante um Sporting atento ao controlo da profundidade, raramente resultaram em situações de perigo. Do outro lado, Brahimi em zonas interiores mas sempre bem vigiado, nunca consegui receber a bola no espaço entre a linha defensiva e a linha média do Sporting.

Foram demasiados os momentos em que os centrais do FC Porto optaram por um passe mais direto, não demonstrando intenção de construir de forma a chegar apoiada.

O único lance de perigo neste tipo de situações, foi mais demérito de Acuña (péssima abordagem) do que propriamente mérito do FC Porto, apesar do excelente trabalho de Corona após receber a bola.

O recomeço

A segunda parte voltou a ser mal jogada do ponto de vista ofensivo, mas o FC Porto foi claramente a equipa que esteve por cima. Demonstrou uma maior capacidade para pressionar, para recuperar a bola em zonas altas, o que a juntar ao maior desgaste físico do Sporting, resultou em 45 minutos passados quase sempre perto da baliza de Renan, embora sem lances de grande perigo.

O Sporting teve mais dificuldades em manter o bloco compacto (médios mais lentos a recuperar), permitindo aos médios do FC Porto mais espaço e por isso mais facilidades para ganhar a segunda bola.

No golo do FC Porto, um exemplo do que foi o Sporting nos segundos 45 minutos. Bloco muito recuado e menos agressividade sobre o portador da bola. Herrera teve todo o espaço do mundo para receber a bola e conduzir até perto da grande área do Sporting.

Em desvantagem no marcador, o Sporting teve no posicionamento mais interior de Nani um fator chave para chegar perto da baliza portista. O canto conquistado antes do lance do penalti tem origem nesse mesmo posicionamento no corredor central de Nani, que não só ganhou a segunda bola num primeiro momento, como na sequência do lance foi ele que fez a abertura para Jefferson.

Nos penaltis, o Sporting voltou a ser mais feliz e competente, conquistando assim a Taça da Liga. A imagem que fica desta final - taticamente falando - é a de um jogo muito fraco a nível ofensivo, onde as duas equipas demonstraram muita incapacidade para construir e criar situações de finalização.