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Não é bem um prognóstico no final do jogo: o Sporting - FC Porto vai jogar-se assim

O analista Tiago Teixeira escreve sobre os pontos fortes, fracos, virtudes e defeitos das equipas de Silas e de Sérgio Conceição, que se encontram este domingo, em Alvalade, para o Clássico da jornada. E define, também, quais os homens a seguir de cada um dos lados

Tiago Teixeira

Carlos Rodrigues

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O Sporting de Silas

A fase de indefinição, em relação ao sistema de jogo preferencial, parece ultrapassada, e o Sporting é neste momento uma equipa a procurar crescer com base no 4x2x3x1, pelo que o jogo contra o FC Porto não deverá reservar nenhuma surpresa nesse âmbito.

Também no que diz respeito à escolha dos jogadores, Silas não deverá surpreender - com a despenalização de Bolasie, o 11 inicial deverá ser o mesmo da última jornada, frente ao Santa Clara (vitória por 4-0).

Com Maximiano na baliza, Coates e Mathieu como dupla de centrais, Acuna e Ristovski têm sido os principais responsáveis por dar largura e profundidade nos corredores laterais, Wendel e Doumbia no duplo pivô - quase sempre de perfil quando o Sporting está no meio campo ofensivo, Bruno Fernandes e Vietto a aparecerem muito no espaço entre linhas, e Bolasie a alternar entre a zona interior - mais próximo de Luiz Phellype, para pedir em profundidade, e a zona exterior - para receber no pé e forçar o 1x1.

Na imagem seguinte, o posicionamento médio dos jogadores do Sporting no jogo contra o Santa Clara.

Tendo em conta a ideia de jogo de Silas, é de esperar um Sporting a querer construir de forma apoiada desde zonas recuadas, sendo que a sua melhor versão neste momento do jogo, tem aparecido quando apresenta uma saída a três, que lhe permite ter Coates e Mathieu mais abertos, e Wendel a movimentar-se nas costas da primeira linha de pressão adversária.

Tem sido um Sporting mais forte, quanto mais vezes Vietto e Bruno Fernandes recebem a bola em zonas próximas da grande área adversária. São eles os principais desequilibradores do Sporting em termos ofensivos, pela criatividade e qualidade técnica que oferecem no último terço, seja em zonas centrais seja em zonas mais laterais (cruzamentos de Bruno Fernandes).

O Porto de Sérgio Conceição

Os últimos dois jogos (Tondela e Santa Clara) trouxeram um FC Porto bastante diferente do que vinha sendo habitual. A pressa e os passes longos em fases de construção, deram lugar a mais criatividade e critério, e as melhorias no futebol praticado foram bem visíveis.

A entrada de Nakajima para o 11 inicial – com liberdade para aparecer no espaço entre a linha média e a linha defensiva adversária, bem como o duplo pivô composto por Uribe e Otavio (incrível a diferença de qualidade para o duplo pivô com Danilo e Loum), trouxeram ao FC Porto maior capacidade para chegar ao último terço em condições vantajosas. Corona e Alex Telles foram os responsáveis pela largura e profundidade, permitindo ao FC Porto povoar muito o corredor central.

Na imagem seguinte, o posicionamento médio dos jogadores do FC Porto no jogo contra o Tondela

A saída a três foi também muito utilizada para o FC Porto conseguir construir de forma apoiada, com o objetivo de fazer a bola chegar ao espaço entre a linha defensiva e a linha média adversária, pelo que é provável que no clássico se volte a repetir.

O futebol tornou-se mais associativo e menos combativo, e a melhor prova dessa transformação são os lances do primeiro e terceiro golo, na vitória por 3x0 frente ao Tondela.

Pontos de desequilíbrio que podem decidir o clássico

Transição defensiva do Sporting

Tem sido o momento do jogo onde o Sporting passa por mais dificuldades quando não tem a bola em sua posse. Há falta de agressividade na recuperação defensiva em vários jogadores da frente, o que a juntar aos posicionamentos em organização ofensiva – muitos jogadores à frente da linha da bola e a aparecer em zonas de finalização – pode levar a que o FC Porto encontre muito espaço em transição ofensiva, principalmente no corredor lateral direito do seu ataque, onde Vietto demora sempre mais a incorporar a linha média do Sporting.

Bolas paradas ofensivas do FC Porto

Sendo o FC Porto uma das equipas mais fortes da europa nas bolas paradas ofensivas (Alex Telles bate sempre com muita qualidade e na área há Soares, Marega, Pepe, Marcano, Danilo), e tendo em conta as fragilidades do Sporting a defender os cantos e livres laterais, as bolas paradas podem ter um peso significativo no desfecho final do clássico.

Ataque posicional Sporting

Apesar da boa imagem que o FC Porto deixou nos últimos dois jogos, a verdade é que este novo FC Porto (pelo menos em termos individuais) ainda não foi verdadeiramente testado do ponto de vista defensivo, e terá no clássico uma prova de fogo nesse momento. Se o Sporting demonstrar competência na sua fase de construção, poderá encontrar espaço nas costas da linha média do FC Porto, onde Vietto e Bruno Fernandes podem causar muitos problemas à linha defensiva portista.

Ataque posicional Porto

Se a ideia de Sérgio Conceição for a mesma dos últimos dois jogos, poderá ser o FC Porto mais capaz em ataque posicional, isto quando comparado ao dos últimos clássicos disputados frente ao Sporting, ainda com Keizer ao comando. O Sporting, apesar de estar melhor do que há uns meses do ponto de vista defensivo, ainda concede muito espaço dentro do seu bloco, principalmente quando pressiona um pouco mais à frente. Com jogadores como Nakajima, Luiz Diaz e/ou Otavio a aparecer entre linhas, o FC Porto pode provocar vários desequilíbrios.

As figuras

Mathieu. Será difícil o Sporting não passar por muitas dificuldades se o central francês não estiver ao seu melhor nível. É, de longe, o mais competente a controlar a profundidade, e já se sabe que contra o FC Porto isso é fundamental. Com bola, muito do que o Sporting for capaz de fazer numa primeira fase de construção, passa pela sua inteligência e qualidade no passe.

Wendel. A capacidade que tem para construir, e manter a bola mesmo quando é pressionado de forma agressiva, pode ser decisiva frente a um FC Porto que tem por hábito pressionar muito os médios adversários. Sabendo das dificuldades de Doumbia na fase de construção, é essencial que Wendel apareça em grande nível para que o Sporting tenha capacidade para chegar a fases de criação.

Bruno Fernandes. É impossível falar do Sporting sem referir o papel do seu capitão. Seja na construção, na criação ou na finalização, é sempre ele o principal desequilibrador ofensivo, e muito do que o Sporting for capaz de fazer – principalmente no último terço – passa pela criatividade e qualidade técnica de Bruno Fernandes.

Uribe. Independentemente da posição que ocupar no clássico (pode jogar mais recuado caso Danilo não seja opção), Uribe terá um papel fundamental em todos os momentos do jogo. Fundamental para garantir os equilíbrios necessários no momento após a perda de bola, mas também muito importante para ligar a fase de construção com a de criação, principalmente se jogar ao lado de Danilo em vez de Otavio.

Corona. Jogue a lateral direito ou a extremo, Corona será sempre uma dor de cabeça para a organização defensiva do Sporting. Mais aberto caso seja lateral, ou mais por dentro caso joga a extremo, a criatividade e qualidade técnica no 1x1 serão fundamentais para o FC Porto criar desequilíbrios ofensivos.

Nakajima. É dele que se esperam os lances de maior qualidade no ataque do FC Porto, dada a capacidade que tem para jogar entre a linha média e a linha defensiva adversária, mesmo nos momentos em que existe pouco espaço. Decide bem e rápido, o que a juntar à qualidade técnica com que executa, faz de Nakajima um dos principais perigos do ataque portista.