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Amigos, amigos, táticas à parte: eis o que podemos esperar do dérbi de Alvalade, liderado por Bruno e Pizzi

Um dérbi é sempre um dérbi e nunca se sabe bem o que se pode esperar de um dérbi - quer dizer, pelo menos até se ler a antevisão do analista Tiago Teixeira, que explica como entrarão em campo Sporting e Benfica, esta noite, em Alvalade (21h15, SportTV1)

Tiago Teixeira

SOPA Images

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Um Sporting sem Coates e Vietto

Apesar das duas ausências de peso, não é de todo provável que Silas faça alterações na estrutura do Sporting, seja no momento defensivo, seja no momento ofensivo.

Assim, é esperado que o Sporting se apresente no habitual 4x2x3x1 em organização ofensiva, principalmente quando passa a primeira fase de construção, onde muitas vezes recorre a uma saída com três elementos, com Doumbia a baixar para o meio dos dois centrais.

Se mesmo com Vietto a movimentar-se para zonas interiores o Sporting tem tido muitas dificuldades para criar pelo corredor central em ataque posicional, não é expectável que a sua ausência traga alguma melhoria nesse sentido.

Deste modo, é de prever um Sporting mais perigoso pelos corredores laterais, como aconteceu, por exemplo, na receção ao FC Porto, onde o melhor período do Sporting no jogo (entre os 45’ e 70’ da segunda parte) surgiu de constantes desequilíbrios sobre o corredor lateral esquerdo, onde Acuna, Bruno Fernandes e Vietto apareciam para combinar, como se pode ver nestes dois lances.

No momento defensivo, e tendo em conta o que aconteceu no jogo frente ao FC Porto, é muito provável que o Sporting volte a ser uma equipa muito pressionante, para tentar condicionar a saída de bola do Benfica desde zonas recuadas, sempre com a intenção de não permitir que o duplo pivô (Gabriel e Weigl ou Taarabt) receba a bola em condições de ligar com a zona de criação.

Um Benfica na máxima força

Ao contrário do Sporting, o Benfica desloca-se a Alvalade na máxima força, uma vez que já conta com o regresso de Rafa, que, embora ainda não esteja preparado para ser titular, pode ser uma excelente opção para lançar durante o jogo, se Bruno Lage assim o entender.

O sistema não sofrerá alterações, e o Benfica apresentar-se-á no 4x2x3x1 habitual, com Grimaldo e Cervi responsáveis pela progressão sobre o corredor lateral esquerdo, e com Chiquinho e Pizzi sempre próximos e com trocas posicionais, entre o meio e o corredor lateral direito.

É precisamente a partir da proximidade e combinações entre Pizzi e Chiquinho que o Benfica pode fazer a diferença no dérbi, quando estiver no momento ofensivo. A qualidade que ambos oferecem a nível técnico e na tomada de decisão permite ao Benfica entrar no último terço e em zonas de finalização em melhores condições.

Dois exemplos:

No momento defensivo, a estratégia de Bruno Lage poderá passar por condicionar logo a fase de construção do Sporting numa fase inicial, mas com o objetivo de a orientar para o lado direito, de modo a que Mathieu tenha menos bola nessa fase.

Controlo da profundidade

Tanto o Sporting, como o Benfica, têm demonstrado dificuldades no controlo da profundidade, e foi daí que nasceram alguns dos golos sofridos nos últimos jogos.

Em Alvalade, Coates e Ristovski não acompanharam Mathieu na reação à bola descoberta, e Marega apareceu isolado na cara de Max, após uma bola longa de Corona.

Na Luz, para a Taça de Portugal, o Rio Ave chegou ao segundo golo com um passe de Matheus Reis para a profundidade, onde Taremi aproveitou o facto de Rúben Dias e Ferro não recuarem, mesmo com o portador da bola em progressão e sem contenção, e com muito espaço nas suas costas.

Num jogo onde estarão em campo jogadores com muita qualidade no passe, como Bruno Fernandes e Pizzi, entre outros, e vários jogadores com capacidade para realizar movimentos de rutura e explorar a profundidade, a equipa que revelar menos competência no momento de controlar a profundidade, poderá passar por grandes dificuldades defensivas.

Momentos pós perda

Não têm sido muitas as oportunidades de golo criadas em ataque posicional, nos jogos entre os grandes, pelo que os momentos após a recuperação da bola podem ser novamente decisivos.

Na transição ofensiva, a tendência é para que haja mais espaço para progredir, principalmente do lado contrário à zona onde a bola é perdida, dada a projeção dos laterais e os movimentos interiores dos médios ala, aquando do momento ofensivo.

Neste momento, jogadores como Wendel e Taarabt - capacidade de resistir à pressão adversária -, e Gabriel e Bruno Fernandes - facilidade com que mudam o centro de jogo através de passes mais longos -, poderão ter um papel chave.

As figuras

Apesar do Benfica ter mais qualidade individual do que o Sporting, tanto no 11 inicial como no plantel, há jogadores em ambos os lados capazes de desequilibrar o dérbi a favor da sua equipa.

Mathieu (Sporting)
O verdadeiro patrão da linha defensiva do Sporting. Percebe sempre mais rápido do que os restantes aquilo que tem de fazer, nomeadamente no que diz respeito ao controlo da profundidade. Com bola, é ele o primeiro desequilibrador ofensivo, e muito do que o Sporting conseguir fazer em zonas recuadas, passa pela qualidade de passe do central francês.

Acuña (Sporting)
Foi o melhor em campo frente ao FC Porto, e contra o Benfica pode voltar a encontrar um contexto favorável para sobressair a nível ofensivo. Pizzi nem sempre é agressivo no momento defensivo, e Acuña pode ter mais liberdade para aparecer vindo de trás e desequilibrar no último terço, principalmente se, como fez e bem no jogo contra o FC Porto, ligar mais vezes pelo chão.

Bruno Fernandes (Sporting)
Naquele que pode ser o seu último jogo de leão ao peito, o capitão do Sporting quererá, mais uma vez, ser decisivo. É da sua capacidade no último passe e da qualidade no momento da finalização, que residem grande parte das hipóteses do Sporting sair vitorioso do dérbi contra o seu eterno rival.

Rafael Camacho (Sporting)
A tarefa de substituir Vietto não se prevê nada fácil, uma vez que o argentino é, a seguir a Bruno Fernandes, o jogador mais desequilibrador do Sporting em termos ofensivos. Mas Camacho tem vindo a ganhar a confiança de Silas e tem demonstrado qualidades interessantes nos minutos que tem jogado: da facilidade que tem em jogar com os dois pés e da capacidade de drible, poderão sair lances de perigo no ataque do Sporting.

Adel Taarabt (Benfica)
Peça fundamental na organização ofensiva do Benfica, pela capacidade que tem em resistir à pressão adversária, e pela qualidade com que liga a fase de construção com a de criação, através do passe vertical. Muito do que o Benfica conseguiu fazer em ataque posicional, principalmente pelo corredor central, passará pelos pés de Taarabt.

Pizzi (Benfica)
Organiza, assiste, marca, gere os ritmos de jogo. Não há nada que Pizzi não faça neste Benfica. Seja mais aberto sobre o corredor lateral direito, ou a aparecer em zonas no espaço entre os defesas e médios adversários, Pizzi será um dos principais desequilibradores do Benfica no dérbi.

Chiquinho (Benfica)
A sua entrada no 11 melhorou o ataque do Benfica. A qualidade técnica com que executa, bem como a inteligência nas decisões que toma, permite ao Benfica criar com mais qualidade.

Carlos Vinícius (Benfica)
Já leva 15 golos em 24 jogos, e certamente que será uma dor de cabeça para os centrais do Sporting. Não participa muito na fase de criação, mas é fortíssimo nos movimentos de rutura para explorar a profundidade e muito agressivo em zonas de finalização.