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Benfica, cuidado com a equipa mais portuguesa da Ucrânia: como joga o Shakhtar Donetsk de Luís Castro e companhia

O Benfica vai à Ucrânia, nos 16 avos de final da Liga Europa (17h55, SIC), defrontar o Shakhtar Donetsk de Luís Castro e restante equipa técnica portuguesa. Conheça os pontos fortes e fracos da equipa que lidera o campeonato ucraniano, que está neste momento em pausa de inverno, desde dezembro do ano passado

Tiago Teixeira

Luís Castro, treinador do Shakhtar Donetsk

GENYA SAVILOV/GETTY

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O Shakhtar Donetsk, do nosso bem conhecido Luís Castro, lidera de forma categórica o campeonato ucraniano, com dezasseis vitórias e dois empates nas dezoito jornadas já disputadas, que se traduzem em catorze pontos de vantagem sobre o 2º classificado, o Dínamo Kiev.

Na Liga dos Campeões, no grupo de Manchester City, Atalanta e Dínamo Zagreb, discutiram até à última jornada o apuramento para os oitavos de final, mas acabaram por cair para a Liga Europa, ao terminarem com seis pontos.

Ideia de jogo e principais pontos fortes

Como é habitual nas equipas de Luís Castro, o Shakhtar assenta a sua ideia de jogo num futebol de posse, sempre com uma construção apoiada e chegada conjunta a zonas de finalização. Com base no sistema 4x2x3x1, procuram ligar a fase de construção com a de criação de forma muito paciente, e utilizando os três corredores na circulação de bola. Os extremos – Marlos é a principal figura – aparecem muitas vezes no espaço entre a linha média e a linha defensiva adversária, deixando a largura para os defesas laterais, que se envolvem muito no processo ofensivo.

É dessa envolvência dos laterais que surge um dos pontos fortes do Shakthar a nível ofensivo. Chegam ao último terço muito rapidamente para apoiar o extremo (e criar situações de dois para um), e procuram muitas vezes receber a bola já nas costas da linha defensiva adversária. Dois exemplos no vídeo seguinte (nos minutos 3 e 3.05):

Os movimentos de rutura do ponta de lança, Júnior Moraes, são uma das principais armas ofensivas da equipa de Luís Castro. Quando a bola chega ao espaço entre linhas, é muito comum ver o internacional ucraniano a realizar movimentos de ataque à profundidade.

Um exemplo disso foi o golo marcado frente à Atalanta (minuto 1.33):

No momento defensivo, a equipa de Luís Castro posiciona-se em 4x4x2 ou 4x1x4x1, e tem sempre como principal objetivo manter o bloco defensivo muito compacto, quer em profundidade – muita proximidade entre a linha defensiva e a linha média, quer em largura – ocupação de apenas dois corredores.

Pontos fracos

Apesar dos pouquíssimos golos sofridos no campeonato (9), o Shakhtar mostrou algumas fragilidades defensivas durante a fase de grupos da Liga dos Campeões, que se traduziram em 13 golos sofridos.

Controlo de cruzamentos

Tem sido um momento do jogo em que o Shakhtar passa por algumas dificuldades, e o seu guarda-redes, Pyatov, não fica isento de culpas, como se pode perceber no golo sofrido frente à Atalanta (minuto 1.10):

Nem só das más abordagens de Pyatov se explicam os problemas no controlo de cruzamentos. Há alguns momentos em que a zona à frente dos centrais se encontra mal protegida, bem como espaço ao segundo poste.

Espaço nos corredores

Uma vez que o Shakhtar é uma equipa muito compacta em largura e profundidade, não permite muito espaço entre linhas, mas concede algum espaço nos corredores laterais, o que pode ser aproveitado com variações do centro de jogo, até porque, muitas vezes, os médios do Shakhtar não pressionam de forma agressiva o portador da bola.

Caso Marlos seja o extremo direito escolhido por Luís Castro, a demora que revela em alguns momentos na sua recuperação defensiva pode ser aproveitada pelo Benfica para criar superioridade numérica nessa zona.

Destaques individuais

FILIPPO MONTEFORTE

Marlos. O internacional ucraniano é um dos jogadores mais dotados tecnicamente que Luís Castro tem ao seu dispor. Joga como extremo direito, mas tem liberdade para aparecer no corredor central, mais propriamente no espaço entre linhas. É aí que a sua visão de jogo e qualidade no passe causam muitos desequilíbrios. Também aparece muito bem em zonas de finalização.

Júnior Moraes. É o homem golo da formação ucraniana, levando já 17 golos em 24 jogos disputados esta época. À qualidade na finalização, junta muita inteligência na maneira como procura conquistar o espaço, principalmente através de movimentos de rutura.

Srna: “Vivi guerras, vendi legumes e fruta na rua, perdi o meu pai quando jogava o Euro-2016. Mas olho-me ao espelho e digo: sou boa pessoa”

Depois da guerra entre Croácia e Sérvia, vive a segunda guerra na Ucrânia. Em miúdo, vendeu vegetais e fruta num bazar e, certo dia, gastou todo o dinheiro numas botas. Darijo Srna, recordista com a seleção croata e ex-capitão do Shakhtar Donetsk, fala com a Tribuna Expresso sobre Luís Castro e os adjuntos portugueses, o clube onde jogou 15 anos, a família e a infância. No fundo, sobre a vida e de como a leva: "Não é fácil quando entras numa equipa técnica e eles não te conhecem. É tão, tão, tão difícil mas vou dizer-te a verdade: desde o primeiro dia com o <em>mister </em>Castro, Filipe [Celikkaya], João [Brandão], Vítor [Severino] e [José] Roque, temos uma relação fantástica. Senti imediatamente que são meus amigos. Eles não são só bons treinadores, são também boas pessoas"