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Cc: FC Porto. Assunto: muita posse e muita pressão, é assim o Leverkusen de Peter Bosz

Se o Bayer Leverkusen poderá criar dificuldades ao FC Porto em termos ofensivos, também é certo que a equipa de Sérgio Conceição poderá aproveitar os pontos fracos dos alemães, nomeadamente na exploração da profundidade e nas bolas paradas, esta noite, na 1ª mão dos 16 avos de final da Liga Europa (20h, SportTV1)

Tiago Teixeira

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Liderado pelo holandês Peter Bosz, o Bayer Leverkusen é neste momento 5º classificado da liga alemã, a seis pontos do líder Bayern Munique e a dois pontos da zona de apuramento para a Liga dos Campeões.

Caiu para a Liga Europa após ter terminado em terceiro lugar, com seis pontos, no grupo da Liga dos Campeões, onde tinha como adversários a Juventus, o Atlético de Madrid e o Lokomotiv.

Ideia de jogo e principais pontos fortes

Peter Bosz, ex-treinador do Borussia Dortmund e do Ajax, é um confesso admirador do futebol de posse e é essa a ideia principal do seu Leverkusen. Independentemente do sistema de jogo utilizado – variam muito entre o 4x2x3x1 e o 3x4x2x1 –, procuram sempre dominar o jogo através de um futebol curto e apoiado desde zonas recuadas, cujo principal objetivo passa por chegar ao espaço entre linhas de forma criteriosa, para aí acelerarem em direção à baliza adversária.

A maneira como usam o espaço entre a linha média e a linha defensiva adversária, é um dos principais pontos fortes da equipa alemã. Os médios ofensivos – principalmente Kai Havertz – movimentam-se muito bem nessa zona, e são muito agressivos a atacar a linha defensiva quando conseguem enquadrar.

Matthias Kern

Os movimentos de rutura feitos pelos médios ofensivos ou extremos (Diaby e Bailey são também muito fortes nestes momentos), após o apoio frontal do ponta de lança Volland (seja para ele próprio lançar em profundidade ou para ligar com algum médio de frente para o jogo) são também uma das armas ofensivas do Leverkusen.

No momento defensivo, é uma equipa que gosta de pressionar alto a primeira fase de construção adversária (principalmente o corredor central), de modo a condicionar ao máximo a saída apoiada para o ataque. Também a transição defensiva é muito agressiva, procurando recuperar logo a bola na zona onde foi perdida. É fundamental que o FC Porto seja rápido a retirar a bola das zonas de pressão.

Pontos fracos

Os 40 golos sofridos nos 31 jogos disputados esta época dizem muito do que é o Leverkusen no momento defensivo e das fragilidades que apresenta.

Bolas paradas defensivas

As marcações homem a homem que fazem nas bolas paradas já resultaram em vários golos sofridos, e podem ser exploradas pelo FC Porto, que, como sabemos, é uma das equipas mais fortes da Europa neste momento do jogo. O golo sofrido frente ao Dortmund, marcado por Mats Hummels, é um exemplo disso mesmo.

Espaço entre central e lateral

Sendo uma equipa que gosta de jogar com a linha defensiva subida, e que usa muito os alas ou laterais para pressionar nos corredores, o Leverkusen tem concedido muito espaço entre o lateral, que sai para pressionar mais alto, e o central, o que pode ser explorado através dos habituais movimentos de Marega, de dentro para fora, seja em organização ou em transição.

No golo sofrido frente ao Dortmund, é possível ver Haaland a atacar esse espaço, e com isso a desequilibrar a linha defensiva do Leverkusen, uma vez que o central do lado da bola teve de bascular mais para o corredor lateral, obrigando com isso os restantes defesas a fechar mais por dentro e a abrir espaço por fora.

Como os extremos/médios ofensivos pressionam muito por dentro e nem sempre acompanham as subidas dos laterais adversários (outro ponto fraco que o FC Porto pode explorar), Guerreiro apareceu em excelentes condições para finalizar.

Quando se posicionam num bloco médio, são muitas as vezes em que concedem muito espaço nas costas do duplo pivô, que o FC Porto pode explorar com um posicionamento interior dos seus extremos.

Destaques individuais

Kai Havertz. É, sem dúvida alguma, um dos melhores do mundo da sua geração. A qualidade técnica e criatividade que oferece no espaço entre linhas, é uma das principais armas ofensivas do Leverkusen em zonas de criação, sendo também decisivo em zonas de finalização. É fundamental que o FC Porto nunca permita muito espaço para Havertz receber a bola ou vai passar por muitas dificuldades.

Kevin Volland. É o melhor marcador da equipa alemã com 11 golos em 30 jogos, o que demonstra a sua importância em zonas de finalização. Mas Volland tem sido muito importante em zonas de criação, pela qualidade com que serve de apoio frontal e assiste os movimentos de rutura (já leva 8 assistências para golo).

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