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Tiago Teixeira

Tiago Teixeira

Analista de futebol

Erros coletivos a defender, a atacar e nas bolas paradas: a análise ao Benfica de Bruno Lage

O analista Tiago Teixeira explica os erros cometidos pelo Benfica frente ao Santa Clara, que já são recorrentes nos jogos da retoma da Liga portuguesa

Tiago Teixeira

MANUEL DE ALMEIDA / POOL

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A espiral negativa em que o Benfica se encontra parece não ter fim à vista, uma vez que de jogo para jogo não há qualquer sinal de melhoria - os erros coletivos continuam a ser os mesmos e a traduzirem-se em vários dissabores (7 pontos perdidos nos quatro jogos disputados após o regresso do campeonato).

Momento defensivo

É impossível analisar o momento atual do Benfica sem falar nas bolas paradas defensivas, assim como parece impossível que haja um jogo em que o Benfica não conceda oportunidades de golo neste momento específico.

Terça-feira, na derrota frente ao Santa Clara, o Benfica voltou a sofrer golos na sequência de bolas paradas, assim como tinha acontecido na vitória frente ao Rio Ave e no empate em Portimão. Os problemas são quase sempre os mesmos: sempre que a bola passa o primeiro poste (zona melhor protegida pelos encarnados), a zona do Benfica revela muitas dificuldades perante os jogadores adversários, que em muitas situações se encontram em superioridade numérica e/ou com muito espaço para atacar a bola entre os jogadores do Benfica.

Dois exemplos tirados a papel químico:

Em organização defensiva, o Benfica continua a permitir demasiadas facilidades para o adversário progredir até ao último terço. Basta que tenham um pouco de paciência na construção e circulem a bola, e os espaços dentro do bloco defensivo do Benfica aparecem todos.

Os médios-ala continuam, fruto da estratégia de Bruno Lage, a não ajustar o seu posicionamento em função dos médios-centro, deixando muito espaço para os adversários progredirem a seu bel-prazer.

Além dos posicionamentos já referidos, que tanto têm prejudicado a organização defensiva do Benfica, há também uma mudança de postura, quando o Benfica chega à vantagem, que não tem trazido grandes benefícios, muito pelo contrário. O jogo frente ao Portimonense, que terminou com um empate a dois, é o exemplo mais recente. Na primeira parte, o Benfica posicionou-se sempre de forma mais alta, procurando e conseguindo condicionar a primeira fase de construção do Portimonense, que raras vezes chegou ao último terço. Na segunda parte, baixou as suas linhas, abdicou de condicionar em zonas mais altas a construção adversária, e com isso permitiu aos jogadores do Portimonense mais facilidades para progredirem até ao último terço.

Momento ofensivo

A nível ofensivo, o Benfica vive as mesmas dificuldades há muito tempo, agora agravadas pelo menor rendimento individual de alguns jogadores. Na primeira fase de construção, salta à vista a falta de competência coletiva para sair a jogar de forma apoiada, principalmente nos momentos em que o adversário pressiona mais alto. Esta falta de competência é prejudicial até nos momentos em que o Benfica está em vantagem no marcador, uma vez que torna quase impossível conseguir gerir o resultado através da posse de bola. Sempre que a pressão adversária é um pouco mais alta e agressiva, o Benfica estica o jogo na frente, e com isso permite ao adversário ganhar mais rapidamente a bola e iniciar um novo ataque.

Quando uma equipa grande, com os jogadores que o Benfica tem (mesmo tendo em conta o erro individual de alguns), apenas consegue acertar 56% dos passes verticais que tenta, é porque algo não está a funcionar do ponto de vista coletivo. Seja pela pressa em atacar, seja pelo facto de não saber ultrapassar a pressão adversária com a bola controlada, uma equipa que acerta tão poucos passes verticais, não consegue ter fluidez no seu processo ofensivo.

A imagem seguinte, que representa um lance ao minuto 20 da primeira parte, é um excelente exemplo da falta de critério que o Benfica tem demonstrado no seu processo ofensivo.

A falta de criatividade ofensiva, do ponto de vista coletivo, também não é algo novo no Benfica de Bruno Lage, mas nesta fase de menor confiança tem sido ainda mais notória e prejudicial. Em ataque posicional, o Benfica tem sido uma equipa demasiado dependente dos lances individuais, para conseguir desorganizar a estrutura defensiva adversária. O jogo associativo é quase nulo, e o Benfica não consegue, de forma coletiva e com frequência, colocar constrangimentos defensivos aos adversários, que parecem sempre demasiado confortáveis – sem necessidade de ajustes constantes – perante o ataque encarnado.

Apesar de ter dois médios incrivelmente capazes de ligar a fase de construção com a de criação, como são Weigl e Taarabt, são raras as vezes em que o Benfica consegue chegar ao espaço entre linhas em condições vantajosas, para depois entrar de forma controlada em zonas de finalização.

Já houve uma série pior do Benfica? Sim, no pior Benfica de sempre, em 2000-01

Foi uma temporada em que o Benfica teve dois presidentes, três treinadores e venceu apenas dois dos últimos 13 jogos. No final, um 6.º lugar da tabela, o pior da história dos encarnados. Caso não vença o Marítimo na próxima jornada, o Benfica de Bruno Lage iguala esta série negra