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João Almeida Rosa

João Almeida Rosa

Treinador de futebol

O PAOK que o Benfica encontrará: completo, personalizado e com muito dedo de Abel

O Benfica vai encontrar a equipa de Abel Ferreira na 3.ª pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões e o jogo, em solo grego, não se antevê fácil: o PAOK venceu com relativa facilidade o Besiktas e nota-se claramente a influência do treinador português

João Almeida Rosa

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Foi hoje conhecido o primeiro adversário oficial do Benfica de Jorge Jesus no caminho que as águias desejam que as leve até à fase de grupos da Liga dos Campeões: o PAOK, 2.º classificado da liga grega de 2019/20, calhou num sorteio em que as outras possibilidades eram AZ Alkmaar e Rapid Viena. Numa primeira análise, pode considerar-se que não foi um bom sorteio para os encarnados, até por ter ficado estipulado que o jogo único que compõe a eliminatória será disputado em Salónica, na Grécia – ainda que sem público, o que atenua o fator casa.

Contudo, a formação do português Abel Ferreira, ex técnico do SC Braga, parece ser a que, neste momento, se encontra mais forte. Se a equipa austríaca era a mais limitada das três, o AZ Alkmaar tem até mais qualidade individual do que os gregos, mas pareceu estar um nível abaixo destes na 2.ª pré-eliminatória, onde precisou de prolongamento para bater o Plzen (3-1).

O PAOK, por outro lado, venceu o Besiktas por uns 3-1 bem mais esclarecedores, onde aos 30 minutos de jogo o placar já marcava 3-0 e, mais tarde, a equipa ainda se deu ao luxo de desperdiçar várias oportunidades, entre as quais uma grande penalidade. Foi, de facto, uma demonstração de força e competência por parte das águias negras, como é conhecido o clube.

Abel, a cumprir a 2.ª época na Grécia, viveu um ano de estreia bastante conturbado, mas em que deixou boas indicações. Na Champions, caiu precisamente nesta 3.ª pré-eliminatória no ano transato, mas fê-lo frente ao Ajax, que antes havia estado nas meias-finais da competição, e colocou muitas dificuldades aos holandeses, tendo empatado em casa. Depois, realizou uma grande primeira metade da fase regular, onde terminou no 1.º lugar, mas uma série de decisões na secretaria prejudicaram as ambições do clube.

Primeiro, foi estipulada a descida de divisão do clube; depois, a retirada de 7 pontos à equipa, pena que viria a ser retirada na ponta final do campeonato, quando o Olympiakos já detinha uma vantagem maior.

Ainda assim, a imagem dada pela equipa, a única a bater o Olympiacos no campeonato, foi globalmente positiva. E esses indícios positivos parecem confirmar-se após a bela exibição contra o Besiktas, na semana passada. Dentro das quatro linhas, Abel jogou na maior parte da época passada com uma estrutura com 4 defesas, mas nos últimos jogos enveredou por um sistema com 3 atrás, como já fazia em Braga, e foi também assim que se apresentou diante dos turcos, pelo que será esse o cenário mais provável para o Benfica.

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Num 3-4-3, o PAOK começou por pressionar alto, tentando abafar e surpreender o Besiktas, conseguindo manter o jogo no seu meio-campo ofensivo. Com bola, atacou mais e melhor pela esquerda, onde o central Michailidis, de apenas 20 anos, se mostrou seguro na construção, o ala Giannoulis projetou-se muito e Tzolis, extremo de apenas 18 anos, marcou diferenças com dois golos e uma assistência. Atenções redobradas para André Almeida e companhia no corredor direito da formação de Jorge Jesus.

Conseguida a vantagem, o PAOK não teve problemas em dar a iniciativa ao adversário, mas sempre sem deixar de criar perigo nas saídas rápidas, como é exemplo o 3.º golo alcançado. No mesmo contexto, perante a pressão mais vincada do oponente, algo que pelo que já vimos nesta pré-época e pelo que conhecemos de Jorge Jesus, deve verificar-se desde o início por parte do Benfica, a equipa de Abel Ferreira não forçou a construção curta, esticando longo no pontapé de baliza à procura de Akpom, ponta-de-lança que serve de referência para a primeira bola, com a segunda a ser disputada por vários elementos próximos do duelo. Essa foi, de resto, a anatomia do 2-0 contra o Besiktas.

Assim, é fácil constatar-se que o próximo adversário dos encarnados é uma equipa completa – capaz de pressionar alto, mas também de recolher num 5-4-1 que se deve verificar bastantes vezes com as águias, em virtude da subida dos seus laterais; capaz de sair apoiado, mas também de jogar um futebol mais direto, sem correr tantos riscos – e com um sentido estratégico bastante apurado, até porque Abel Ferreira conhece bem o Benfica, que nunca bateu, mas que enfrentou muitas vezes, e Jorge Jesus, que foi seu treinador.

Face a esta possibilidade de jogar contra o emblema português, o treinador dos gregos referiu, na passada quinta-feira em entrevista ao Canal 11, “não me importava que calhasse o Benfica, desde que fosse em casa com o estádio cheio”. Parte do desejo foi cumprido – a partida será disputada em sua casa – mas, como se sabe, será sem publico.

O facto de a eliminatória se jogar a apenas um jogo constitui uma vantagem para as equipas teoricamente menos favoritas, e neste caso essa é o PAOK, ainda que o fator casa seja menos relevante sem os fervorosos adeptos do clube de Salónica. Seja como for, não foi um sorteio propriamente simpático para o clube da Luz e antevê-se um primeiro teste exigente e um jogo bem disputado, apesar do favoritismo da equipa de Jorge Jesus.

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