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PAOK - Benfica: descodificando o que vai na cabeça de Abel

O Benfica defronta esta terça-feira o PAOK, treinado por Abel Ferreira, e esta é a análise que se impõe à formação grega: o sistema, os pontos fortes e fracos, as transições e os melhores jogadores

Tiago Teixeira

Vladimir Rys Photography

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Para chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões, o Benfica de Jorge Jesus, tem como primeiro degrau o PAOK de Abel Ferreira, que ultrapassou o Besiktas na eliminatória anterior (vitória por 3-1). O favoritismo está do lado encarnado, dada a mais valia coletiva e individual, mas o facto de ser apenas um jogo e de se disputar na Grécia, ainda que à porta fechada, pode jogar a favor do conjunto grego.

O onze e o sistema

Começando pelo sistema tático e onze provável. À imagem do que aconteceu frente ao Besiktas, Abel deverá apostar novamente no 3-4-3. Assim, iremos ver uma equipa organizada com três centrais (Michailidis, Varela e Ingason); dois alas muito abertos e projetados (Giannoulis e Limnios); dois médios centro (Schwab e El Kaddouri) quase sempre posicionados fora do bloco, de modo a garantir coberturas ofensivas e preparados para transição defensiva; dois extremos/médios ofensivos (Tzolis e Pelkas) com liberdade para sair dos corredores laterais e aparecerem entre linhas, e um avançado centro (Akpom), que será muitas vezes solicitado num jogo mais direto. O dono da baliza será Zivkovic.

O onze provável

O onze provável

O PAOK de Abel não é uma equipa que corra grandes riscos na primeira fase de construção, por isso, e como resposta a uma pressão mais agressiva do Benfica, o jogo direto (passe longo dos centrais, principalmente de Michailidis) deverá ser muitas vezes utilizado. Aí, o principal perigo vem de Akpom, pela velocidade com que explora as costas da linha defensiva, bem como pela capacidade que tem para disputar/segurar a bola e depois ligar com Tzolis e Pelkas (aproximam para ganhar a segunda bola).

Em ataque posicional, o ponto forte do PAOK são as combinações pelo corredor lateral esquerdo, com participação de Michailidis (central esquerdo), Giannoulis (ala esquerdo) e Tzolis (extremo esquerdo). Há intenção de procurar os movimentos de profundidade de Michailidis, sendo que Tzolis aparecerá em zonas interiores servindo de apoio frontal. André Almeida terá de ter muita atenção ao espaço nas suas costas.

Dinâmica ofensiva

Dinâmica ofensiva

Dado o que se espera do jogo – um Benfica mais dominador e um PAOK num bloco mais recuado, é expectável que as transições ofensivas, com Akpom a procurar muito cair nos corredores laterais quando a equipa recupera a bola, e com Pelkas e Tzolis a aparecerem rápido para apoiar, sejam uma das principais armas ofensivas do conjunto grego. É fundamental que os centrais do Benfica não concedam espaço para que Akpom possa rodar depois de receber a bola.

Transição ofensiva

Transição ofensiva

No momento defensivo, a estratégia de Abel deverá assentar num bloco médio/baixo, organizado em 5-4-1, com os dois extremos (Tzolis e Pelkas) a descerem para a linha dos médios centro. Caso seja preciso ir atrás do resultado, o PAOK adotará uma postura mais agressiva, com uma pressão mais alta (Benfica pode aproveitar espaço nas costas dos dois médios centro), organizando-se em 5-2-3 com Tzolis e Pelkas a aproximarem-se de Akpom para condicionarem a primeira fase de construção do Benfica.

Os pontos fracos

Como pontos fracos que o Benfica pode explorar, surge muitas vezes o espaço deixado nas costas dos centrais de fora (principalmente do Iento Ingason), quando estes acompanham os movimentos de aproximação dos avançados adversários. A velocidade e movimentos de rutura de jogadores como Rafa e Everton podem ser decisivos para a criação de desequilíbrios ofensivos.

Fragilidades para aproveitar

Fragilidades para aproveitar

Frente a um PAOK muito preocupado em manter o equilíbrio defensivo, o Benfica pode encontrar na saída a três uma excelente forma de desmontar a estrutura defensiva grega. Com Weigl a baixar para o meio dos centrais, Vertonghen poderá ganhar mais espaço para conduzir e com isso atrair a marcação de Pelkas ou El Kaddouri. Consoante quem sair na pressão ao central belga, o Benfica pode usar o apoio frontal para ligar o seu processo ofensivo e progredir em direção ao último terço.

Como desmontar o PAOK

Como desmontar o PAOK

Os desequilibradores

Giannis Michailidis

No sistema 3x4x3 de Abel, Michailidis atua como central do lado esquerdo, e é muito importante na fase de construção, uma vez que é o principal responsável por realizar os passes em profundidade para o ala-esquerdo, bem como por variar o centro de jogo para o corredor oposto. Quanto melhor a pressão do Benfica o condicionar, menos condições o PAOK terá tirar partido do seu jogo mais direto.

Dimitrios Giannoulis

Atua como ala esquerdo, e é responsável pela largura e profundidade do seu corredor. A sua velocidade e movimentos de rutura (é muitas vezes solicitado através de um passe mais longo de Michailidis) são fundamentais na criação de desequilíbrios ofensivos. No último terço, procura muitas vezes um passe atrasado para Pelkas ou Tzolis.

Christos Tzolis

Apenas 18 anos mas já a demonstrar muita qualidade. Foi o melhor em campo na vitória sobre o Besiktas, tendo participado nos três golos do PAOK (dois golos e uma assistência). Joga a partir da esquerda, mas aparece muitas vezes em zonas interiores, mais concretamente no espaço entre os médios e os defesas adversários. A sua qualidade técnica (passe/remate) e visão de jogo fazem dele um dos principais perigos do conjunto grego.

Dimitrios Pelkas

O internacional grego é, a par de Tzolis, o principal perigo do PAOK em zonas de criação. Ocupa o espaço entre linhas (partindo do corredor direito), para aí receber a bola e criar perigo, quer em condução, quer no último passe (define e executa com qualidade). Aparece muito bem em zonas de finalização, geralmente à espera de um cruzamento mais atrasado.

Chuba Akpom

O poderoso avançado inglês é uma verdadeira dor de cabeça para os centrais adversários, quer no momento defensivo (pressão sobre o portador), quer no momento ofensivo. Além da agressividade com que ataca as zonas de finalização e explora a profundidade, é também fundamental quando o PAOK recorre a uma construção mais longa – disputa a primeira bola no ar ou procura segurar de costas para entregar em quem aparece de frente para o jogo.