Tribuna Expresso

Perfil

Atualidade

United proíbe casal de vender cromos terrívelmente desenhados. O que aconteceu a seguir? Crusty Arnold Raynaldo e sir Alec Sverg’Son

Gigante inglês alegou que casal de Oxford estava a “infringir direitos da propriedade intelectual”. Alex e Sian refizeram a coleção, esgotaram-na rapidamente e doaram o dinheiro para a investigação do cancro

Tribuna Expresso

Twitter de Panini Cheapskates

Partilhar

Tudo começou naquele Campeonato do Mundo no Brasil, em 2014. Alex e Sian Pratchett, um casal futeboleiro de Oxford, cansaram-se de gastar rios de dinheiro nos cromos e optaram por completar a caderneta da Panini recorrendo a outra estratégia.

Nos terrenos baldios começaram a surgir, com mais ou menos habilidade, o desenho dos rostos dos futebolistas ("terríveis", segundo os Pratchett). A brincadeira ganhou dimensão, à boleia das contagiosas redes sociais. E nome: Panini Cheapskates. Ou seja, uma versão mais baratinha. O dinheiro que resultava daquela arte era doado para caridade. De acordo com o “The Guardian”, o casal britânico já angariou 14 mil euros.

Seguiram-se os seguidores e as encomendas. E a evolução: para além de seleções, Alex e Sian pintavam os heróis de tempos idos de clubes de futebol. Até que um gigante da Premier League pegou no telefone e mudou o curso desta história.

“Tristes tempos. O Manchester United contactou-nos e fez-nos parar de vender os nossos desenhos deformados dos ex-jogadores deles”, revelavam na conta da Panini Cheapskates no Twitter.

O casal admitiu que ficou “surpreendido” por estarem a ser acusados de infringir regras da propriedade intelectual e até colocaram, lado a lado, o emblema que desenharam e o da vida real, tentando apelar ao ridículo.

A solução passou por recorrer a nomes fictícios, algo tão familiar para quem jogou Sensible World of Soccer ou Pro Evolution. Ray Wooney, Poor Schools, White Dorke, Carl O’Stevez, Spark Youse e Daffyd Peckham são alguns exemplos.

Okay. Não chega, certo? Derwin San der Ved, Ray Coyne, Djimi Berbles e, senhoras e senhores, Crusty Arnold Raynaldo. O clube, orientado por sir Alec Sverg’Son, passou a ser designado por Man Red.

A nova coleção esgotou e a “coisa mais estúpida que fizeram” vai ajudar um centro de investigação. “Pensámos que seria porreiro transformar esta coisa sem sentido e fazer o bem, por isso removemos o emblema, renomeámos para ‘Man Red’, em homenagem aos videojogos sem licença”, explicam ao diário inglês, “e relançámos como um item de caridade, que correu muitíssimo bem, angariámos 500 libras (585 euros) para a investigação do cancro.”

Os cromos estão à venda na plataforma Etsy e têm equipas como Sunderland, Arsenal, Aston Villa, Celtic, Wolves, Oxford United, Newcastle, Leeds, Liverpool e outros, havendo espaço até para heróis dos anos 90.