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Invasão da Academia de Alcochete. Já há novas datas para o pré-julgamento

Depois da nega dada pelos juízes da Relação de Lisboa ao terceiro pedido de recusa do juiz de instrução, o pré-julgamento já tem novas datas. Instrução inicia-se a 2 de julho

Lusa e Expresso

ANTÓNIO PEDRO SANTOS

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O início da fase de instrução do caso da invasão da Academia de Alcochete tem início a 2 de julho, após dois adiamentos. O ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho é ouvido no dia seguinte pelo juiz de instrução Carlos Delca.

Na última semana, os desembargadores do Tribunal da Relação de Lisboa não deram provimento ao terceiro pedido de recusa de juiz, que pedia o afastamento de Carlos Delca do processo. Desta forma, o magistrado mantém-se à frente do caso.

A fase de instrução é uma espécie de pré-julgamento em que as defesas apresentam os seus argumentos e contestam a acusação do Ministério Público. Depois de ouvidas as partes, o juiz de instrução decide se o caso segue, ou não, para julgamento.

O processo tem 44 arguidos, 38 deles em prisão preventiva. Na última semana, o Ministério Público (MP) pediu a libertação de Fernando Mendes, o ex-líder da Juventude Leonina, que está preso na sequência do ataque à Academia do Sporting, em Alcochete. Ao que a Tribuna Expresso apurou junto de fonte do MP, o pedido deve-se “a questões de saúde”. Mendes necessita de um tranplante de medula óssea. O pedido está a ser analisado pelo juiz.

Em sentido contrário, Nuno "Mustafá" Mendes, líder da claque, ficou em prisão preventiva há dez dias, por suspeitas de tráfico de droga.

No último dia 13, Carlos Delca deslocou-se de propósito ao Campus da Justiça, em Lisboa, apenas para comunicar aos jornalistas que Nuno Areias, advogado de Tiago Neves − elemento da Juventude Leonina e um dos 44 acusados do caso − tinha apresentado um pedido para o afastar do processo. Nessa segunda-feira, o início da instrução ficou de imediato suspenso, pela segunda vez.

Agora, no início de julho, vão voltar a ser ouvidos alguns dos acusados, entre eles Bruno de Carvalho. Será uma corrida contra o tempo, já que a 21 de setembro serão libertados os primeiros 23 detidos, caso não haja o despacho de pronúncia ou de não pronúncia por parte de Carlos Delca.

De acordo com a agência Lusa, Carlos Delca agendou para 2 de julho o interrogatório de quatro arguidos: Hugo Ribeiro (10h), Celso Cordeiro (11h), Sérgio Santos (14h) e Elton Camará (15h). No dia seguinte, pelas 10h e 14h estão marcados, respetivamente, os interrogatórios a Eduardo Nicodemus e ao antigo presidente do Sporting Bruno de Carvalho.

A fase de instrução foi requerida por mais de uma dezena de arguidos, entre eles Bruno de Carvalho e Bruno Jacinto, oficial de ligação entre o Sporting e os adeptos. O primeiro está em liberdade enquanto o segundo se encontra detido preventivamente.

Em janeiro, o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Barreiro declarou a especial complexidade do processo da invasão à Academia do Sporting, pedida pelo MP, o que, consequentemente, dilatou o prazo de prisão preventiva dos arguidos que se encontram presos.

Esta decisão teve como consequência direta o alargamento do prazo (até 21 de setembro) para que o TIC do Barreiro profira a decisão instrutória (se o processo segue para julgamento), sem que 23 dos arguidos sejam colocados em liberdade.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque, o MP imputa-lhes a coautoria de crimes de terrorismo, de 40 crimes de ameaça agravada, de 38 crimes de sequestro, de dois crimes de dano com violência, de um crime de detenção de arma proibida agravado e de um de introdução em lugar vedado ao público.

Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 de ofensa à integridade física qualificada, de 38 de sequestro, de um crime de detenção de arma proibida e de crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados. Mustafá está também acusado de um crime de tráfico de droga.