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Na pista de Santa Anita, os cavalos de corrida morrem às dezenas. E ninguém sabe porquê

Desde novembro, trinta cavalos morreram na pista de Santa Anita, Califórnia. Após ter “perdido” quatro cavalos só este ano, Jerry Hollendorfer, treinador histórico da modalidade, foi banido da pista

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Mario Tama

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Algo de muito errado se passa na pista de corrida de cavalos de Santa Anita, Califórnia, mas ninguém sabe ainda dizer ao certo o que é. Desde o início da temporada em novembro, trinta cavalos morreram naquela pista. O último foi eutanasiado no sábado, após ter sofrido uma lesão na pista de treino. No Estados Unidos da América, esta situação (em parte insólita) tem vindo a gerar vários protestos e pedidos de suspensão da modalidade, que se financia, em parte, com base nas apostas desportivas.

Após ter “perdido” quatro cavalos, Jerry Hollendorfer, treinador histórico da modalidade, foi banido da pista de Santa Anita. O americano é suspeito de drogar cavalos que estariam lesionados e colocá-los nas pistas, quando estes não teriam condições para correr. No passado, Hollendorfer já foi multado por 19 vezes por medicar em excesso os equinos que treina. O valor que pagou, contudo, não foi além do simbólico: 16 mil dólares.

“Neste momento, estou a treinar mais de 100 cavalos. Santa Anita quis que saísse das suas instalações. Na minha opinião, essa foi uma decisão prematura. Foi uma reação extrema. Agora tenho de me afastar durante algum tempo”, afirmou Hollendorfer, em declarações ao “Daily Racing Form”.

Foi preciso morrerem 29 cavalos para a equipa que gere a pista de Santa Anita lançar uma investigação. Esta demora justifica-se, em parte, devido aos números de óbitos de anos anteriores. Em 2018, morreram 37 cavalos; em 2017, foram 54. Ou seja, o número registado este ano não é fora do comum. Os grupos ativistas, todavia, têm estado cada vez mais atentos a estes registos.

Desde o início da sua carreira, os equinos treinados por Hollendorfer ganharam 7615 corridas - 65 só esta época - e garantiram-lhe lucros de 200 milhões de dólares.

De acordo com um estudo da Universidade de Davis, Califórnia, cerca de 85% dos cavalos que morreram na pistas de corrida, nos últimos anos, estavam lesionados e a tomar medicação.