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A Nike ia lançar uns ténis com a bandeira Betsy Ross. Mas Kaepernick entrou em ação e a empresa recuou

Por ocasião do Dia da Independência, a marca desportiva ia lançar os novos Air Max 1 Quick Strike Fourth of July que exibiam uma bandeira dos tempos da Revolução Americana, que seria depois usada pelo partido nazi norte-americano

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A bússola moral de Colin Kaepernick continua a agitar a sociedade norte-americana. O homem que, enquanto quarterback dos 49s, se ajoelhou durante o hino dos jogos da liga de futebol americano em protesto pela violência policial contra os afro-americanos volta a estar no centro das conversas. Desta vez, é a Nike que está sob a mira do atleta e ativista norte-americano.

Por ocasião do Dia da Independência dos Estados Unidos, que se celebra a 4 de julho, a marca desportiva ia lançar os novos Air Max 1 Quick Strike Fourth of July. Até aqui tudo bem. O problema vem a seguir, mais exatamente onde morariam os calcanhares de quem usasse estes ténis. Atrás, num mar de branco, está inscrita uma bandeira norte-americana de outros tempos, com 13 estrelas em círculo, criada na altura da Revolução Americana e que, depois, seria usada pelo partido nazi norte-americano, explica este artigo da BBC.

Após ser conhecido o produto, Kaepernick entrou em contacto com a empresa e esta recuou. “A Nike decidiu não lançar os Air Max 1 Quick Strike Fourth of July por ter uma versão antiga da bandeira americana”, disse um porta-voz.

A notícia que deu conta da mão invisível de Kaepernick foi avançada pelo “The Wall Street Journal”, que revela ainda que a empresa já terá pedido aos retalhistas para devolverem os ténis. De acordo com esta publicação, a Nike tem disponíveis os ténis sem a bandeira, com as cores vermelho, branco e azul, “um design com cores patrióticas”.

Kaepernick foi afastado da liga norte-americana de futebol após os tais episódios do joelho no chão, em 2016. Depois do ativismo político, acabou por chegar a acordo para voltar a jogar. A seguir, o norte-americano, de 31 anos, foi o protagonista de uma campanha da Nike contra o racismo, que teve forte impacto nas redes sociais, motivando, por um lado, um boicote, por outro um grande apoio, motivando uma oscilação nas ações da empresa em bolsa.