Tribuna Expresso

Perfil

Atualidade

Mais três arguidos libertados e outros três prestes a sair no caso de Alcochete

Juiz Carlos Delca aligeirou a medida de coação para mais seis suspeitos da invasão da Academia

Hugo Franco

MÁRIO CRUZ

Partilhar

O número de arguidos em prisão preventiva no caso de Alcochete desceu drasticamente nas últimas duas semanas. A poucos dias do debate instrutório, que se realiza esta quarta-feira no Campus da Justiça, o juiz de instrução do Tribunal do Barreiro, Carlos Delca, libertou mais três arguidos (são eles Afonso F., Paulo P. e Jorge A.). Outros três precisam apenas da luz verde dos serviços prisionais para irem para casa com pulseira eletrónica.

Também o antigo líder da Juventude Leonina, Fernando Mendes, tinha já sido libertado por motivos de saúde durante a última semana. "Tendo em conta o grave estado de saúde do arguido, não subsistem os perigos de fuga e de continuação da atividade criminosa", escreveu o magistrado que pediu a "libertação imediata" do arguido que pode assim ter "acesso aos meios de saúde que entenda mais aptos a travar a sua patologia".

Há duas semanas, o Expresso tinha avançado que outros dois suspeitos da invasão tinham também ido para casa para cumprir a medida de coação de obrigação de permanência na habitação com recurso a meios de vigilância electrónica (OPHVE).

O processo tem 44 arguidos. Neste momento, 32 deles encontram-se em prisão preventiva. Um número que deverá descer em breve para 29 se os relatórios da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais considerarem que existem condições na habitação para o uso da tecnologia de vigilância da pulseira eletrónica em relação aos reclusos Guilherme S., Filipe A. e António C.

As defesas alegam que os arguidos pretendem a "aplicação do princípio da igualdade de tratamento", depois da libertação há cerca de um mês de Celso C., acusado dos mesmos crimes. "Já não se verifica a existência, em concreto, dos perigos elencados de perturbação do decurso do inquérito nem de continuação da atividade criminosa, que se verificavam na altura dos factos", argumentaram alguns dos advogados.

Esta quarta-feira, dia 10, irá ter início o debate instrutório do caso que se realiza uma semana depois de Carlos Delca ter ouvido seis arguidos que pediram para falar na abertura da instrução. Entre eles esteve Bruno de Carvalho, o ex-presidente do Sporting acusado pela procuradora Cândida Vilar de ser um dos três autores morais do ataque. Bruno de Carvalho foi expulso de sócio do clube numa assembleia-geral extraordinária que decorreu no Pavilhão João Rocha, este sábado.

Quanto ao juiz Carlos Delca, tem até 21 de setembro para decidir se o caso vai, ou não, a julgamento. É nesse dia que termina o prazo de prisão preventiva dos primeiros 23 detidos do caso que serão imediatamente libertados caso não haja um despacho de pronúncia, ou de não pronúncia.

Os 44 arguidos são acusados de crimes de terrorismo, ameaça agravada, ofensas à integridade física qualificada, sequestro, dano com violência, detenção de arma proibida e incêndio florestal.