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Bruno de Carvalho volta a atacar: “Têm de me colocar num calabouço qualquer e esquecer a chave, na esperança de que a sociedade me esqueça”

Depois de saber que vai a julgamento no caso da invasão de Alcochete, Bruno de Carvalho não poupou em críticas à Justiça

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MÁRIO CRUZ

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Na quinta-feira à tarde, depois da decisão do juiz de instrução Carlos Delca, que levou todos os 44 arguidos do caso da invasão de Alcochete a julgamento, Bruno de Carvalho não demorou a reagir, através do Twitter, apelidando o juiz de "criminoso" e "cobarde".

Esta sexta-feira, o ex-presidente do Sporting voltou a reagir, desta feita com um texto bem mais extenso, publicado no Facebook, no qual contesta a decisão, diz que não é terrorista e lamenta o sofrimento das filhas com a situação em que está colocado. "Num Estado de Direito real só se leva as pessoas a tribunal quando se tem a convicção, pelas provas produzidas, que a probabilidade de condenação é muito forte", começa por escrever Bruno de Carvalho. "Subverter este princípio basilar do direito é condenar a sociedade a um estágio de ditadura, neste caso com a conivência do Ministério Público, e de submissão dos interesses do estado aos interesses particulares denominado-se isso de estado de corrupção", acrescenta.

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"Ouvindo ontem e hoje que isto foi uma grande vitória de Cândida Vilar, e pasme-se ainda, uma grande jogada de Carlos Delca para obter provas até ao julgamento... a pessoa vê-se novamente condenada no tribunal popular e vê-lhe serem novamente negados princípios constitucionais fundamentais como o direito ao seu bom nome, o direito a trabalho, o direito a uma casa, o direito a viver livre e com dignidade", escreve também Bruno de Carvalho.

O ex-presidente sportinguista utiliza também a ironia para assegurar que não é terrorista, já que o caso de Alcochete foi considerado terrorismo. "Mas ao crime de terrorismo estão ainda juntos 98 crimes! É muito crime! Eu não sou um mero terrorista, sou um terrorista altamente perigoso", escreve Bruno de Carvalho, no longo texto publicado nas redes sociais.

"A minha vida está irremediavelmente destruída. Nada nem ninguém pode resolver isso. É tarde demais. Que protejam agora pelo menos as minhas filhas e a minha restante família. Elas não aguentam mais este exercício vil de vexame, calúnia e difamação. Já se percebeu que não vão parar e que a minha destruição não chega. Têm de me colocar num calabouço qualquer e esquecer a chave, na esperança de que a sociedade me esqueça e que deixem bem vincado a todos de que quem se meter com o sistema é apagado totalmente!", conclui Bruno de Carvalho