Dos casos de abuso de menores a Tancos, passando por ele próprio: os processos a que Rui Pinto acedeu na PGR
Alegado hacker ficou a saber o número de telefone, correio eletrónico e data de nascimento dos 1611 magistrados do Ministério Público. E até acedeu a um manual sobre a emissão de mandados europeus
20.09.2019 às 14h56
FERENC ISZA
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A alegada invasão de Rui Pinto ao sistema informático da Procuradoria-Geral da República (PGR) não se limitou à pesquisa de processos-crime sobre futebol. O homem por trás do “Football Leaks”, de acordo com o Ministério Público português, também acedeu ilegalmente a dezenas de inquéritos em segredo de Justiça ligados aos casos mais mediáticos do momento: Tancos, BES, Operação Marquês e Rota do Atlântico são alguns exemplos. E até espiou a investigação que o Departamento Central de Investigação Penal (DCIAP) desenvolvia contra ele próprio.
Entre novembro do ano passado até janeiro deste ano, o alegado hacker acusado de 147 crimes informáticos e tentativa de extorsão pesquisou, inclusive, um documento produzido pelo Conselho da União Europeia contendo o manual para a emissão de mandados de detenção europeus (MDE), possivelmente já a preparar-se para os dias que se seguiriam. Nessa altura, era já alvo de um MDE pedido pelas autoridades portuguesas. Seria detido a 16 de janeiro em Budapeste. Depois de um conturbado processo de extradição para Portugal Rui Pinto ficou detido em prisão preventiva em Lisboa. Esta sexta-feira, os seus advogados receberam a acusação de 195 páginas.
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