Tribuna Expresso

Perfil

Atualidade

Advogado do Wikileaks pede às autoridades portuguesas para libertarem Rui Pinto

"Quero expressar a minha solidariedade com Rui Pinto, o whistleblower [denunciante] detido em Portugal que ajudou a revelar um sistema tão opaco como o do futebol", afirmou durante a Web Summit, esta quinta-feira, Juan Branco

Maria João Bourbon

Partilhar

O que diria o consultor jurídico de Julian Assange às autoridades portuguesas, que têm o whistleblower (denunciante) do Football Leaks, Rui Pinto, detido? "Diria para o libertarem", responde na tarde desta quinta-feira, em conferência de imprensa durante a Web Summit, o advogado Juan Branco.

“Quero expressar a minha solidariedade com Rui Pinto, o whistleblower [denunciante] detido em Portugal que ajudou a revelar um sistema tão opaco como o futebol”, continuou o advogado especializado em direito internacional e criminal.

Comparando o hacker português ao fundador do Wikileaks Julian Assange, Juan Branco recorda que os dois são pessoas “que não têm uma agenda nem cometeram violência... mas estão na prisão”. E continua: “Limitaram-se a expôr as verdades, de forma sincera, por isso não vejo qualquer motivo para estarem na prisão. Aliás, há uma razão: denunciaram grandes poderes, seja a administração dos Estados Unidos ou os agentes do mundo do futebol."

Juan Branco veio à Web Summit claramente com uma missão: falar, falar e voltar a falar sobre o caso de Julian Assange que, depois de sete anos exilado na embaixada do Equador em Londres, foi detido pelas autoridades do país em abril. "Mesmo que não tenha havido evoluções no caso nos últimos dias, é importante relembrar esta situação."

Juan Branco sublinha aquilo que considera ser “uma vingança e perseguição política” e refere que os advogados de defesa de Assange estão a ser pressionados pelo Reino Unido, “que quer desfazer-se deste caso o mais rapidamente possível”, para abreviarem os procedimentos.

“Estão a criar condições muito difíceis e não nos estão a dar condições para prepararmos a sua defesa”, acrescenta, referindo-se à decisão do tribunal de Londres de não conceder mais tempo a Assange para preparar a sua defesa, nem adiar por três meses o julgamento do seu processo de extradição para os Estados Unidos, marcado para fevereiro de 2020.

Apelando aos jornalistas para mostrarem “solidariedade por alguém que tomou tantos riscos para expor a verdade, o advogado franco-espanhol – filho do produtor português Paulo Branco – denuncia “as condições difíceis” a que está sujeito Julian Assange.

“Imaginem o que é estar 24h sob 24h numa cela de 7 metros quadrados, sem contacto com outras pessoas, sem computador, telefone ou televisão”, aponta, referindo a avaliação de um especialista das Nações Unidas, que afirma que Assange está a ser submetido a “tortura psicológica”. “Se perdermos Assange no atual contexto, será algo que ficará nas nossas consciências durante muito tempo.”