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Foi assim o terceiro dia do julgamento de Alcochete. Cocaína, haxixe, mensagens para BdC e uma camisola do Benfica na Casinha da Juve Leo

A terceira sessão do mediático julgamento de Alcochete, em que 44 arguidos são acusados por mais de quatro mil crimes, entre os quais o de terrorismo, prosseguiu esta quinta-feira. Bruno de Carvalho, antigo presidente do Sporting, é a figura central deste processo, acusado pelo Ministério Público da autoria moral da invasão à Academia do Sporting, a 15 maio de 2018. Hoje foram ouvidos mais três agentes da GNR

Lídia Paralta Gomes, Mariana Cabral, Diogo Pombo e Pedro Candeias (texto) e Tiago Miranda (fotografia)

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Está terminado o 3.º dia do julgamento do caso de Alcochete. Numa sessão mais curta, foram ouvidos três elementos da GNR. Da parte da manhã, o sargento coordenador da Unidade de Investigação Criminal da GNR, José Monteiro, num testemunho que se focou no processo de identificação dos arguidos.

Líder da investigação que envolveu uma equipa mista da GNR e PSP, José Monteiro sublinhou em tribunal que não há qualquer mensagem enviada ou reenviada para ou por Bruno de Carvalho nos três grupos de Whatsapp analisados.

Da parte da tarde, testemunharam Rui Rolo e João Oliveira, cabos da GNR. Ao primeiro as perguntas incidiram no lançamento de tochas para a zona da baliza de Rui Patrício no Sporting - Benfica. Ao segundo, os advogados e a juíza questionaram acerca da planta da Academia de Alcochete, bem como sobre as buscas na casinha da Juve Leo, em que foram encontrados estupefacientes, levando à prisão preventiva de Nuno Mendes, conhecido por Mustafá, o líder da claque.

Os trabalhos continuam na segunda-feira, a partir das 9h30.

16h54: Terminadas as questões para o oficial da GNR e sétima testemunha da Guarda Nacional Republicana, Sílvia Rosa Pires dá por encerrada a sessão. “Hoje, acabamos um bocadinho mais cedo.” A juíza informa que os trabalhos será retomados na próxima segunda-feira, a partir das 09h30.

16h49: O advogado Rocha Quintal foca-se nas buscas ao sótão. Quer saber quem subiu primeiro: o líder da Juve Leo ou Jójó. O oficial diz que foi Mustafá. De seguida, pergunta o que relacionava o líder da claque aos estupefacientes encontrados, e quem tinha livre acesso à sede. “Apuraram isso? Fizeram esse despiste? Então, de quem era a droga?”. O cabo da GNR responde que não sabia quem teria lá ido e, à terceira questão, sobre a droga, responde. “Minha é que não era”.

O advogado rebate nas questões em torno dos estupefacientes e a quem se atribuirá a sua posse. “Portanto, não conseguiram dar identificação aos estupefacientes apreendidos. Mas, a verdade, é que ele está acusado de tráfico de droga”.

16h31: A juíza pergunta aos advogados, um a um, se têm algo a perguntar ao oficial da GNR. Rocha Quintal, representante de Nuno "Mustafá" Mendes, quer aferir onde o líder da Juve Leo foi detido, dizendo “não perceber” o porquê de Nuno Mendes estar presente na primeira busca e não na segunda. Rocha Quintal pergunta há quanto tempo estava Nuno Mendes a ser monitorizado, antes de as buscas se realizarem. o cabo da GNR não sabe dizer se o líder da JL esteve na Casinha nas 48 horas anteriores às buscas. “Sabe se, nessa altura, Nuno Mendes estava em Portugal?”. “Não era eu quem estava responsável por isso”, responde João Oliveira.

16h10: Questionado sobre se Nuno Mendes ('Mustafá') e Jójó trocaram palavras quando os estupefacientes foram descobertos, o cabo da GNR relata: “O Jójó disse que aquilo não era dele, o Nuno Mendes disse que não tinha nada a ver com aquilo e o outro teve de se calar”.

16h01: Em relação às buscas feitas na casinha da Juve Leo, o cabo da GNR diz que foram encontradas algumas tochas debaixo do balcão da cozinha, pequenas quantidades de haxixe, alguns paus e t-shirts e uma camisola do Benfica. Confirmou a presença de Jójó, o carpinteiro reformado que “toma conta do espaço”, diz João Oliveira. Segundo relatos de outras testemunhas, Jójó quase habitava na sede da JL.

A juíza coloca várias questões a João Oliveira. o cabo da GNR relatava que, nesse dia, estavam lá Jójó, a esposa de Mustafá, e outros “elementos cujos nomes não me recordo mas que pertencem todos à Juventude Leonina”. Acrescenta, ainda, que foram encontradas cerca de 15 gramas de cocaína. Sívila Rosa insiste com a porta de u msótão que teve de ser arrombada. João Oliveira diz que Nuno Mendes, chefe da claque, acompanhou todo o processo das buscas. “Estava tudo muito desarrumado, era um espaço insalubre”.

15h57: Finda a desconstrução da planta da Academia, Sílvia Rosa Pires justifica a mesma com dúvidas relativas à localização das portas que dão acesso ao balneário da equipa principal. É perguntado a João Oliveira, cabo da GNR, se viu portas forçadas ou partidas, ao que ele responde negativamente.

15h47: Na sala, continua-se a esmiuçar a planta da Academia de Alcochete. “Ó sr. dr., eu sei que é difícil acompanhar, mas assim estamos a fazer as mesmas perguntas”, atira a juíza, para o advogado do cabo da GNR.

15h34: É a vez de João Oliveira, a sétima testemunha GNR. A juíza, olhando para o relatório fotográfico da Academia, questiona-o sobre a área do futebol profissional, mais concretamente pela localização de algumas portas do complexo desportivo. São fotogramas de portas abertas e fechadas, corredores. O cabo da GNR, de pé, está junto à secretária da juíza a explicar a Sílvia Rosa Pires onde é o quê.

15h32: O advogado de Bruno de Carvalho, Miguel A. Fonseca, pede que se mostre um documento a Rui Rolo, assinado pelo próprio, em que descreveu que Rui Patrício fugiu para o centro do campo, no Sporting - Benfica, no Estádio de Alvalade, quase duas semanas antes do ataque à Academia. “Tem a certeza que o viu?”. “Sim, tenho”.

A pergunta, feita pelo advogado que defende Bruno de Carvalho, foca-se no episódio de lançamento de tochas para o relvado, durante o Sporting - Benfica. O que parecia ser um diálogo entre advogado e testemunha é interrompido pela juíza, apelando a que se fiquem pelos factos.

15h20: A juíza Sílvia Rosa Pires retoma a sessão com quase 45 minutos de atraso. O advogado Miguel Matias começa por colocar questões a Rui Rolo, cabo da GNR, que, recuando ao ataque á Academia, diz que era impossível identificar visualmente quaisquer arguidos. Questionado sobre o arguido Joaquim Costa, o cabo da GNR afirma que a sua postura foi a mais correta possível.

13h20: Acabou a inquirição do sargento José Monteiro, assim como a sessão matinal. Os trabalhos no Tribunal de Monsanto serão retomados às 14h30, após a pausa para almoço.

13h05: Miguel A. Fonseca pergunta quantas mensagens de Whatsapp dirigidas a Bruno de Carvalho a investigação detetou. "Não há", responde o sargento. "Zero? Posso apontar então? Pronto. E reencaminhadas. Também zero?" José Monteiro repete que não há mensagens.

Perante os protestos da juíza, o advogado de Bruno de Carvalho diz que em "algum momento gostava de saber por que razão" é que o seu cliente é arguido.

12h55: Miguel A. Fonseca pergunta por que razão é que Pedro Silveira e Diogo Amaral e Silva, que estavam no grupo de Whatsapp "Academia Amanhã", não foram investigados. "Recebeu ordens de alguém para não investigar estas pessoas? Tinha conhecimento de que uma destas pessoas pertence ao Partido Socialista?" José Monteiro recusa ambas as teorias.

Sílvia Rosa Pires interrompe o advogado de Bruno de Carvalho: "Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Vamos a factos".

12h35: Rocha Quintal quer saber porque é que a investigação não analisou as impressões digitais do frasco em que foi encontrada a cocaína na "Casinha" da Juventude Leonina e que levou à detenção de Nuno Mendes.

12h25: "Sou advogado de Nuno Mendes, sabe quem é?", pergunta Rocha Quintal à testemunha. "Sim, também conhecido por Mustafa, Musta ou Terror", responde o sargento.

Rocha Quintal questiona desde quando Mustafa passou a ser suspeito. "Desde o início", refere o sargento. Por ser o líder do grupo e por Valter Semedo e Tiago Silva estarem nos grupos do Whatsapp. "Eram os seus braços direitos", diz. A afirmação leva a juíza a perguntar como é que José Monteiro chegou a essa conclusão. "Pelas conversas do Whatsapp, em que era preciso pedir autorização a Nuno Mendes".

Rocha Quintal pergunta se a investigação fez diligências para saber do paradeiro de Nuno Mendes na altura do ataque; José Monteiro diz que não, mas que o MP pediu a intercepção do telemóvel de Mustafa por recaírem suspeitas sobre ele.

12h05: Um dos advogados lança novamente uma questão que já tinha sido levantada por Amândio Madaleno, mas havia ficado sem resposta: "A sua unidade já tinha investigado crimes de terrorismo?"

"Não, responde o sargento José Monteiro.

11h55: "A história que os arguidos contaram, que foram à Academia para dar apoio aos jogadores, foi completamente desmontada", diz o sargento.

José Monteiro diz ainda que Nuno Loureiro, que foi despronunciado do processo, "não foi identificado pela PSP", mas sim por um arguido, através da alcunha.

11h50: Amândio Madaleno questiona: "Mas o que é que o Elton fez?" A testemunha diz que pensa que Camará foi um dos últimos a entrar e ficou cá fora com Fernando Mendes, Nuno Torres, entre outros. Não terá, portanto, entrado no balneário.

11h45: A testemunha diz que Rúben Marques, um dos arguidos, foi identificado por ter um cinto.

11h40: A advogada de Nuno Torres questiona a testemunha se sabe se o seu cliente está em algum dos grupos de Whatsapp investigados. "No telemóvel dele há conversas relevantes sobre os factos", responde o sargento, provocando uma reação na sala do público, onde estão familiares e amigos dos suspeitos. "Não há conversas nenhumas, mentiroso", ouve-se na sala.

11h25: Muita tensão entre Amândio Madaleno e a juíza Sílvia Rosa Pires, que pede de forma exasperada que o advogado "faça perguntas" em vez de entrar em diálogo com a testemunha ou em divagações.

11h20: Amândio Madaleno, advogado de Elton "Aleluia" Camará, pergunta se a testemunha tem conhecimento que William Carvalho ligou ao seu cliente uma ou duas horas depois do ataque. "Está a dar-me uma novidade", responde o sargento José Monteiro. A informação estará no apenso E35, cuja análise do respetivo conteúdo só foi feita já na fase de instrução.

11h05: Agora, um raspanete da juíza Sílvia Rosa Pires diretamente para a sala onde estão os arguidos: "Isto não é para ser um regabofe. Se não querem ouvir, ao menos não falem uns com os outros".

10h59: "Reparou na altura do muro?" Um dos advogados de defesa atira com uma questão de engenharia para José Monteiro, mas a ideia é saber se a investigação sabe se alguém saltou o muro ou se todos os suspeitos saíram pelo portão principal da Academia.

A questão da identificação dos arguidos continua na ordem da sessão. José Monteiro diz que a sua equipa não tinha noção do que eram ou quem pertencia a claques e que por isso mesmo o Ministério Público apostou numa equipa mista, com elementos da unidade que acompanha as claques, os chamados spotters. Até porque estes "os conhecem de ginjeira", diz. "Não sei o que é que isso quer dizer em Tribunal", responde o advogado.

10h40: Miguel Matias, advogado de defesa, pergunta a José Monteiro se a investigação permitiu identificar quem fez o quê na Academia, quem atirou tochas, quem entrou no balneário, quem agrediu os jogadores. O sargento diz que não foi apurado de todo de forma individual e que a investigação foi feita através dos autos de visionamento das imagens de videovigilância. Dentro do balneário, por exemplo, não há videovigilância, mas alguns elementos foram identificados. O sargento diz que o grupo atuou "de forma concertada". Miguel Matias diz que isso é apenas "uma conclusão" do sargento.

10h25: Melo Alves, advogado de um dos arguidos, questiona o sargento José Monteiro sobre o papel do grupo do Whatsapp para a identificação dos suspeitos. O sargento diz que 23 foram apanhados em flagrante e que os restantes foram identificados em relatórios da PSP. Os grupos apenas confirmaram a identificação dos elementos.

10h20: O sargento explica como decorreu a investigação que permitiu identificar 43 elementos que entraram na Academia. Os telemóveis apreendidos mostraram presença na antena do Lidl do Montijo (o ponto de encontro) e na antena da Academia de Alcochete.

10h15: A primeira testemunha do dia é José Monteiro, sargento da Unidade de Investigação Criminal da GNR.

10h10: Mustafa e Elton "Aleluia" Camará, os únicos arguidos que estão em prisão preventiva, acabam de se sentar na sala do Tribunal de Monsanto. Estão cerca de 20 arguidos na sala.

9h30: Tal como aconteceu na terça-feira, o início da sessão está atrasado. Só agora estão a chegar os advogados e arguidos. Bruno de Carvalho, mais uma vez, não estará presente no Tribunal de Monsanto. O ex-presidente do Sporting pediu dispensa das sessões, por "não ter meio de transporte próprio" e por "questões profissionais", consoante indicou o seu advogado, Miguel A. Fonseca, à juíza Sílvia Pires.

Esta é a terceira sessão do julgamento do ataque a Alcochete, que terá habitualmente três sessões semanais até ao final de 2019, passando para duas sessões semanais no início de 2020.

Recorde AQUI a sessão de terça-feira, em que a defesa pôs em causa a validade do auto de notícia da GNR, e AQUI a sessão de segunda-feira, em que Bruno Jacinto, oficial de ligação do Sporting aos adeptos, foi a figura principal..