Tribuna Expresso

Perfil

Atualidade

O 7.º dia do julgamento do caso de Alcochete: os quatro elementos reconhecidos por Ricardo Gonçalves, cintos, socos, geladeiras a voar

Sétimo dia do julgamento do caso de Alcochete teve o testemunho do então diretor de segurança da Academia do Sporting. Ricardo Gonçalves descreveu as agressões: socos, empurrões, geladeira a voar, cintos como arma. “Vou matar-te, não jogas nada, não vão sair daqui vivos”, diz ter ouvido, ele que admitiu ter reconhecido quatro elementos da Juve Leo. Durante a parte da tarde, os advogados de defesa dos arguidos tentaram descredibilizar o testemunho do funcionário do Sporting

Bruno de Carvalho à chegada ao julgamento na semana passada

TIAGO MIRANDA

Partilhar

Foi longo o 7.º dia do julgamento do caso da invasão de Alcochete e com apenas uma testemunha ouvida: Ricardo Gonçalves, então responsável pela segurança da Academia. Durante a manhã, Gonçalves admitiu ter reconhecido Tiago Silva (Bocas), Pavlo Antonchuk (Ucraniano), João Calisto Marques e Valter Semedo, que apontou como "os líderes" do grupo.

Durante a parte da tarde, os advogados dos arguidos tentaram descredibilizar o testemunho de Ricardo Gonçalves, por apresentar discrepâncias face ao que o funcionário disse anteriormente à GNR, algo que Gonçalves justificou com o facto de ter sido, na altura, o último do dia a ser ouvido pelas autoridades. Os argumentos dos advogados não parecem ter colhido grande aceitação por parte da juíza Sílvia Pires, que sublinhou que os testemunhos de Ricardo Gonçalves apresentavam "omissões e não contradições".

Ricardo Gonçalves continuará a ser ouvido na terça-feira, num dia em que o Tribunal de Monsanto também deverá ouvir Manuel Fernandes e Paulo Cintrão, elemento da equipa de comunicação do clube.

19h00 Termina a sessão. Ricardo Gonçalves vai continuar a ser ouvido pelo tribunal de Monsanto esta terça-feira.

18h54 "Ricardo Gonçalves garante: "É possível desligar o modem da CCTV de Alcochete. Mas não sei como". O coordenador da segurança da Academia diz em Tribunal qual é o número de telefone de Bruno Jacinto, a pedido da juíza.

18h49 "O que aconteceu no aeroporto da Madeira já aconteceu muitas vezes a jogadores. Não vi necessidade de reforçar a segurança na Academia".

18h47 "Fiz uma chamada ao Bruno Jacinto. Se não está registado nos registos telefónicos já desconheço. Mas eu telefonei-lhe", frisa Ricardo Gonçalves.

18h42 "Não havia forma de contactar André Geraldes, porque estava incontactável por causa do processo Cashball"

18h37 A sessão já vai longa. É a vez de Paulo Camoesas, advogado de Bruno Jacinto. “Jacinto reportava a André Geraldes. Não tem funções diretas na área de segurança. Mas como Oficial de Ligações aos Adeptos tem como função o contacto direto sobre aspetos de segurança. Não tenho nada a reportar (de negativo) sobre Jacinto. Esteve em todas as presenças das claques em Alcochete. Trabalhava naquelas funções há um ano”, responde Ricardo Gonçalves.

17h44 O advogado Mário Batista pergunta se algumas das câmaras estavam indisponíveis. “As imagens foram recolhidas pela GNR. Não tenho ideia se todas as imagens em concreto. É possível que houvesse alguma anomalia em algumas câmaras. O sistema é antigo. É normal.”

17h42 “Visualizei algumas imagens de CCTV e não em detalhe. Foi-me pedido pela GNR para identificar alguns indivíduos que invadiram a Academia”, diz Ricardo Gonçalves.

17h36 Em resposta ao advogado Nuno Pego, Ricardo Gonçalves diz ter mantido a porta aberta da academia porque não sabia da invasão. E que ligou à GNR porque está protocolado no clube que a vinda de adeptos a Alcochete leva sempre ao aviso automático às autoridades.

17h30 Ricardo Gonçalves diz que cerca de 6 dos invasores saltaram a vedação da academia durante a fuga. Outros correram para a porta e viraram em diferentes direções.

17h28 Em resposta ao advogado Nuno Loureiro Coelho, o coordenador de segurança do Sporting revela que é militar da GNR, esteve 4 anos nos serviços de informações e é licenciado em estudos de segurança.

17h24 Já o advogado Pedro Madureira mostra-se desagradado com o depoimento da testemunha e vai requerer uma extração de certidão ao MP por esta faltar à verdade, o que causou desagrado à juíza Sílvia Pires.

17h01 O advogado Aníbal Pinto volta a este assunto da frase de Bruno de Carvalho, na reunião de maio em Alvalade: Ricardo Gonçalves confirmou que o objetivo referido pelo ex-presidente do Sporting era vencer a final da Taça de Portugal no domingo seguinte.

Tiago Petinga

16h40 Miguel Matias diz-se feliz pelo facto de o tribunal interpretar as palavras de Bruno de Carvalho (“amanhã estaremos em Alcochete”) como não sendo ligadas às agressões que viriam a acontecer no dia seguinte, 15 de maio, mas pelo facto de a equipa ir a treinar nesse dia em Alcochete. E lembra que é pela interpretação destas palavras que Bruno de Carvalho se encontra a ser julgado.

16h37 Miguel Matias volta a frisar que Ricardo Gonçalves continua no Sporting, ao contrario de Bruno Jacinto, André Geraldes e Bruno de Carvalho. “Este esquecimento resulta só da emoção dos acontecimentos?” Resposta de Gonçalves: “Resulta só de eu ser humano”

16h36 São sobretudo omissões e não contradições, frisa a juíza. À GNR, Ricardo Gonçalves contou as agressões sofridas por Acuña e a Bataglia, mas não terá referido, por exemplo, as agressões sobre o preparador físico Ludovico ou o jogador Misic. “Há coisas que escapam à memória”, responde o coordenador de segurança do Sporting.

Também só fala num telefonema com Bruno Jacinto e não em dois, como referiu esta manhã.

16h30 Ricardo Gonçalves confessa que prestou declarações no posto da GNR numa altura do dia já muito tardia: “Fui o último a ser ouvido.” Os advogados riem-se na sala.

16h29 Num dos depoimentos Ricardo Gonçalves disse que só recebeu um telefonema de Bruno Jacinto. E não referiu alguns dos casos contados esta segunda-feira de agressões a jogadores.

16h23 Miguel Matias requer à juíza a leitura das declarações prestadas pela testemunha aos órgãos de polícia criminal e à procuradora Cândida Vilar. O objetivo é comparar os depoimentos de Ricardo Gonçalves durante o processo e o do julgamento. Quer saber se recebeu alguma pressão ou ameaça entre aqueles depoimentos e os desta segunda-feira em Monsanto. Ricardo Gonçalves garante que não foi pressionado por ninguém. Ninguém na sala se opõe que a juíza faça a leitura integral dos três depoimentos prestados por Ricardo Gonçalves neste inquérito.

16h16 Sobre a reunião de 14 de maio, em que BdC falou com o staff, repete a frase que terá sido referida pelo ex-presidente do Sporting na altura: “Quem está comigo?”. E repete que em Alvalade só se consegue monitorizar se o sistema de CCTV de Alcochete está ou não a funcionar. Não se consegue aceder às imagens.

16h13 “Não fui agredido, só ameaçado”, frisa.

16h10 "Naquela altura não achei que Jacinto soubesse do que iria acontecer. Mas posteriormente sim. Perguntei lhe dias depois como tinha ele sabido. Jacinto disse que o Tiago Silva, Bocas, o teria avisado", diz Ricardo Gonçalves. Jacinto revelou esta informação a Ricardo Gonçalves e a outra pessoa, que o coordenador de segurança do Sporting não quis nomear.

16h06 Miguel Matias, que defende Afonso Ferreira, pergunta se com o atual cargo de Ricardo Gonçalves tem uma melhoria na carreira e se mantém a confiança da estrutura do clube. Este assume que sim, embora não a nível salarial.

15h57 Durante o depoimento de Ricardo Gonçalves a Sandra Martins, Bruno de Carvalho vai para a sala privada com o seu advogado Miguel Fonseca. O ex-presidente do Sporting tinha abanado a cabeça várias vezes durante o depoimento em sinal de reprovação.

15h50 A advogada, que defende Tiago Silva, mais conhecido por Bocas, e outros arguidos, quer saber em que altura falou e se cruzou com eles. Ricardo Gonçalves diz que pediu para ele parar com aquilo porque ia desgraçar a vida dele. Este ameaçou-o e disse para o coordenador de segurança sair da sua frente porque “não era nada com ele”. Conta que Tiago Silva ocupava uma posição de destaque na claque. Era um dos líderes.

15h47 A advogada faz dezenas de perguntas pormenorizadas sobre onde se encontrava a testemunha durante todo o trajeto dos invasores. Ricardo Gonçalves diz que não foi impedido de entrar pelos adeptos de cara tapada. “Foi tudo muito rápido”, resume.

15h28 É a vez da advogada Sandra Martins, que representa vários arguidos, fazer perguntas ao antigo responsável pela segurança da Academia. As perguntas são sobre as imagens CCTV de Alcochete no dia da invasão e sobre as portas que foram trancadas na academia. Ricardo Gonçalves explica que as portas interiores são trancadas manualmente, que não existe um mecanismo que feche todas as portas.

15h23 Na invasão ao balneário viraram todos à esquerda, como se soubessem para onde deveriam ir, diz Ricardo Gonçalves.

15h14 Durante a manhã, Miguel Fonseca, o advogado de Bruno de Carvalho, tinha pedido a nulidade da parte do testemunho de Ricardo Gonçalves sobre a reunião do ex-presidente de 7 de abril, em Alvalade, aquela em que o atual coordenador de segurança do Sporting não esteve presente. E que se realizou dois dias depois da derrota contra o Atlético Madrid.

15h10 O advogado do Sporting, Miguel Coutinho, faz as primeiras perguntas a Ricardo Gonçalves. Houve uma reunião em abril entre Bruno de Carvalho e os jogadores na Academia. No seguimento dos posts do ex-presidente no Facebook sobre a derrota contra o Atlético de Madrid. Trata-se de uma terceira reunião, ainda não referida no julgamento. Jorge Jesus explicou aos jogadores que Bruno de Carvalho podia fazer críticas porque era o presidente.

TIAGO MIRANDA

15h00 Começou a sessão da tarde. É a vez dos advogados fazerem perguntas a Ricardo Gonçalves.

14h20 No restaurante situado em frente ao estabelecimento prisional e perto do tribunal de Monsanto almoçam quase lado a lado guardas prisionais, arguidos e advogados do processo e jornalistas. Não há qualquer tensão. Todos querem apenas fazer um intervalo do julgamento. Só quando o televisor passa as imagens de alguns acusados à entrada do tribunal é que o volume da vozes na sala sobe de nível. “Olhó bufo!”, “ficaste bem na televisão”, gritam os jovens adeptos do Sporting em tom de brincadeira.

13h01 Está terminada a primeira parte da sessão do sétimo dia de julgamento do caso de Alcochete. Trabalhos retomam às 14h.

13h00 O advogado de Bruno de Carvalho pede para ser considerada nula parte do testemunho de Ricardo Gonçalves, alegando que o coordenador de segurança do Sporting revelou parte de conversas privadas. E recordou que Bruno de Carvalho se recusou a prestar declarações na primeira sessão do julgamento.

13h00 “Bruno de Carvalho chegou à Academia depois das 18h, mas não sei precisar”, diz. Depois insiste que de Alvalade “não há acesso às imagens CCTV de Alcochete” e acrescenta que Bruno Jacinto já tinha estado na Academia com adeptos.

12h57 O antigo diretor de segurança não se lembra de ter recebido nessa semana o planeamento com o horário dos treinos. “Disseram-me que era à tarde. Era o Vasco Fernandes que me avisava das horas do treino.”

12h56 Ricardo Gonçalves assegura que não sabe como o grupo de Mendes chegou à Academia, assim como não falou com ricardo Vaz na altura. “Só à posteriori, dias depois. O Vaz não dava ordens à portaria para deixar entrar ou sair carros.”

12h55 “A situação era caótica. Desconheço como o grupo do Fernando Mendes entrou. Aproveitou, naturalmente, a confusão. Entraram funcionários, pais de atletas... Ficaram muitos registos por fazer no meio da confusão”, refere Ricardo Gonçalves. A juíza faz várias perguntas sobre a presença deste grupo e sobre o que disse afinal Ricardo Gonçalves aos elementos da GNR no local. “Disse-lhe [ao GNR] que não o tinha visto a fazer nada de mal.”

12h49 Ricardo Gonçalves recorda agora que depois da invasão viu Bruno Jacinto com funcionários de Sporting. “Acho que falei com ele mas a conversa foi muito rápida, eu estava indignado e perguntei o que era aquilo. Fazia todo o sentido ele estar lá, pois sempre que havia uma visita das claques ele estava presente. Desta vez, chegou tarde demais. Ele era o oficial de ligação do clube com os adeptos”, diz, acrescentando que não se recorda de ver Bruno Jacinto falar com o grupo do Fernando Mendes.

12h15 Ricardo Gonçalves indicou como líderes da invasão Tiago Silva (Bocas), Pavlo Antonchuk (Ucraniano), João Calisto Marques e Valter Semedo.

12h07 A juíza mandou levantar os arguidos que Ricardo Gonçalves identificou como sendo os líderes da invasão da Academia.

12h05 “Não foram tomadas medidas de segurança excepcionais na Academia depois dos insultos no aeroporto da Madeira porque não havia qualquer informação de visita de adeptos em Alcochete”, justifica.

12h03 Houve trocas de palavras mais exaltadas de adeptos como Fernando Mendes no aeroporto do Funchal, depois do jogo contra o Marítimo, recorda Ricardo Gonçalves. “Trocas habituais de palavras quando a equipa perde. Houve insultos, ‘não jogam nada, são uns chulos, uma cambada de filhos da p..’. O habitual no futebol. Estava lá a PSP, que tratou de os separar e a equipa seguiu.”

12h01 Ricardo Gonçalves reforça que se recorda bem da expressão do ex-presidente, “acontecesse o que acontecesse”.

11h58 Na reunião após a derrota com o Marítimo e antes da invasão de Alcochete, Bruno de Carvalho perguntou se estavam com ele “acontecesse o que acontecesse”. E se não estivessem aquele era o momento de o dizer para “depois não se arrependerem”. “Pensei que fosse uma reunião para anunciar a saída do Jorge Jesus. Mas nao se falou nisso”, diz.

11h50 Ricardo Fernandes assegura que “não houve” qualquer problema com “as imagens propriamente ditas” e que os servidores da Academia “sempre tiveram as imagens”. “A GNR solicitou as imagens a sala de controle e os ecrãs estavam em branco, achei muito estranho. Contactei de imediato o departamento informático e um dos técnicos disse-me que do estádio não estava a ser possível aceder às imagens da Academia, que tinha havido uma interrupção da comunicação as 17h18. Pensei o pior, teoria da conspiração. “Isto era possível desligar remotamente mas ele disse me que não foram eles. Só se foi algum remotamente.Transmiti isso a GNR, que chamou elementos da investigação criminal da equipa forense à Academia ver o que se passava. Os nossos técnicos também vieram.” E acrescenta: “Houve um problema técnico, as imagens sempre lá estiveram mas não conseguimos aceder por causa da ativação dos alarmes de incêndio.”

11h51 Então, continua a descrever Ricardo Gonçalves, Fernando Mendes e os que estavam com ele saíram da Academia. “O vigilante telefonou-me a perguntar se podia deixar entrar uma viatura para os ir buscar. Fui eu que dei autorização para o carro entrar e eles saírem. Não sabia quem era o condutor.”

11h49 “Vi e falei com o Fernando Mendes [antigo líder da Juve Leo]”, diz Ricardo Gonçalves. “Só conhecia uma das outras pessoas que estava com ele, o BA. Estavam de rosto descoberto. Vi-os já no fim de tudo ter acontecido, quando os outros já estavam fora da Academia e a confusão da invasão já tinha passado. São os líderes da Juventude Leonina e, indignado, abordei-os, perguntei qual tinha sido o objetivo daquilo. Disseram-me que não sabiam de nada e que não tinham vindo à Academia para isso e que nada tinham a ver com a invasão. A minha indignação era se se sabiam de alguma coisa porque nada fizeram? Disseram-me que só tinham vindo para falar com o Jorge Jesus.” Gonçalves confirma ainda que os dois líderes falaram com vários funcionários da Academia e que só após ver as imagens da câmara segurança é que se apercebeu da sua entrada.

11h43 O antigo diretor de segurança conta que foi “ameaçado em vários momentos da invasão”, incluindo pelo “senhor do cinto”. “Colocou-me uma mão no ombro e mencionou que me ia atingir com o cinto com o outro braço. Foi tudo muito rápido. Naquele momento não era pertinente avisar o Vasco Santos [diretor de segurança do clube], pouco ou nada poderia fazer.”

11h41 Nesse momento, diz, voltou ao lugar onde estava inicialmente: a estrada. “Vejo o carro patrulha da GNR a chegar, não estava a parar. O normal era vir para o interior ver se havia vítimas. Avisei o Rui Falcão de que já não havia indivíduos lá dentro e indiquei à GNR para onde tinham fugido.”

11h37 Ricardo Gonçalves volta a falar na rapidez com que tudo aconteceu. “Sai com eles, telefonei julgo que para a portaria para avisar o Rui Falcão de que eles iam a sair e para os tentar acompanhar pelo CCTV. Liguei também para a GNR a avisar do mesmo. Alguns saltaram vedações”, conta. “Vi um indivíduo a dar um soco na cara ao Jorge Jesus enquanto fugia - estava a dez ou quinze metros da porta, no jardim. Ele estava em choque com tudo o que estava a acontecer. Não consegui identificar esse indivíduo.”

11h23 Durante as agressões, o cinto “apanhou o rosto do Misic” e um dos fisioterapeutas “foi atingido por uma geleira”. “Vi que o Bas Dost tinha sido atingido e sangrava. Não vi essa agressão. Ele estava no corredor. Os indivíduos saíram a correr ao mesmo tempo. Em conversa, o Vasco Fernandes viu que um dos indivíduos deu ordens para eles saírem. Olhava para o relógio.”

11h18 Ricardo Gonçalves descreve o que aconteceu após a invasão do balneário: “Ameaçaram os jogadores, atiram uma tocha em frente a minha cara. Vi conjunto de agressões: uma geleira a voar pelo ar, indivíduos a dar socos a jogadores, um indivíduo com o cinto a atingir o Misic. O Valter, o Bocas e o Ucraniano entraram no balneário e dirigiram-se a Acuna e Bataglia e agrediram-nos. Empurrões e socos. O Calisto e Alan também agrediram. Pela forma como se deslocaram, o foco era o Acuna e o Bataglia.” “Vou matar-te, não jogas nada, não vão sair daqui vivos”, gritaram.

11h14 “Porta que dava acesso à zona do balneário estava trancada e foi danificada. Partiram o alarme de incêndio e a porta destrancou-se. Ainda me pus a frente deles mas de nada serviu”, recorda Ricardo Gonçalves. “Eram entre 40 e 50 pessoas e quase todas entraram no balneário com o objetivo de encontrar os jogadores. Conseguiram: entraram depois na zona do vestiário, que tem duas portas de correr. A porta estava aberta e o Vasco Fernandes estava a tentar fechar a porta. Nesse momento, o técnico-adjunto Raul José gritou a dizer que Jorge Jesus estava la fora. Houve uma hesitação e eles conseguiram entrar na zona do balneário.”

11h08 As primeiras portas estavam encerradas depois do alerta. “É a sala das botas, onde estão as chuteiras e onde os jogadores se equipam antes de ir para os treinos.” “Iam para a porta seguinte e, ao perceberem que estavam encerrada, forçaram as portas de vidro com sensores automáticos. Não pararam. Entraram no edifício e viraram imediatamente à esquerda, onde existia outra porta que também estava fechada.” Manuel Fernandes e Pedro Brandão vieram ver o que se passava a abriram porta do gabinete”. “E eles entraram lá para dentro.”

11h06 Entre os adeptos, recorda, “apesar de estarem de cara coberta” reconheceu “um conhecido por Bocas, o Valter, o Calisto, o Ucraniano…” “Assumiam o papel de líderes porque vinham à frente. Acompanhei sempre o grupo na tentativa de os atrasar. Isso não aconteceu. Dirigiram-se para a ala da formação, em direção aos campos de treino.” Nesse momento, Jorge Jesus e parte da equipa técnica estariam a preparar o campo para o treino. “Passaram pelos campos, viraram a esquerda em direção ao edifícios da ala profissional”, relata. “Havia um indivíduo que tinha um cinto. Ameaçou-me junto ao edifício da ala profissional. As tochas foram lançadas aí e o grupo partiu-se. A maioria seguiu para o edifício da ala profissional.”

11h00 E continua: “Quando eles entraram encapuzados fui ter com eles na tentativa de os demover. Estava junto a um dos campos da Academia, no meio da estrada. Perguntei o que queriam e disse que já tinha chamado da GNR”, conta Ricardo Gonçalves. “Disseram-me: ‘sai da frente, isto não e nada contigo’.”

10h52 Ricardo Gonçalves ficou “sempre na estrada junto ao portão da Academia¨ e uma vez mais telefonou à GNR para informar que as claques tinham chegado. “Não alertei o vigilante da Academia. O segurança ligou me no mesmo momento em que eu os estava a ver. Foi tudo muito rápido, muita coisa a acontecer ao mesmo tempo.”

10h47 Os adeptos não podem circular livremente na Academia, diz Ricardo Gonçalves. “Eram acompanhados pelo departamento de futebol e pela segurança. Dependendo se vinham todos ou só os líderes. Nunca houve desacatos das claques dentro da Academia.”

10h42 Depois de falar ao telefone com Vasco Fernandes e André Geraldes, o diretor de segurança da Academia do Sporting ligou para o posto de comando da GNR de Alcochete. “Foi dez ou 12 minutos após o primeiro telefonema de Bruno Jacinto.” E acrescenta: “Disse que apesar de não ter a informação exata do número de adeptos, devo ter dito que eram 20, 30 ou 40 pessoas - isto tendo em conta o histórico.” Da parte do comandante foi informado que havia uma patrulha perto e que ia ser enviada para a Academia. “Não me passava pela cabeça que a visita das claques tivesse a consequência que teve. Chamaria sempre a GNR porque normalmente quando as claques vinham a Academia tinha informação de diversas partes e chegava sempre com maior antecedência - no dia anterior.”

10h40 Era o departamento de futebol que autorizava as visitas, explica Ricardo Gonçalves. Cabia-lhe depois a ele “fazer com que as visitas se fizessem em segurança”. “Muitas das vezes que contactava a GNR eles já sabiam porque a PSP emite relatórios.”

10h35 Ricardo Gonçalves diz lembrar-se de outras visitas à Academia com “20 ou 30 adeptos das claques”. “No início da época era comum uma espécie de reunião entre os capitães de equipa e os adeptos para lhes desejar boa sorte. As autoridades eram informadas e coordenadas pela segurança. A GNR estava à civil na Academia. Isto era coordenado pelo team manager, André Geraldes.”

10h21 “Não falou no número de pessoas”, diz Ricardo Gonçalves. “Perguntei-lhe [a Jacinto] quantos iam e com que objectivo. Ele não me soube dar resposta. Disse que não sabia. Falei com o Vasco Fernandes, secretário técnico da equipa de futebol. Estas situações não eram novidade”, acrescenta, lembrando que situações destas “não eram novidade” e habitualmente estavam coordenadas com o departamento de futebol. “[Vasco Fernandes] Disse-me que ia ligar ao André Geraldes. entretanto voltei a ligar ao Bruno Jacinto para saber mais detalhes para depois ligar para a GNR. Ele não me soube dar mais informação, pareceu-me nervoso e disse que ia a caminho da Academia. No segundo telefonema pareceu-me algo estranho. Fiquei com a sensação de que ele não sabia o que se estava a passar.”

10h18 Gonçalves garante soube da ida dos adeptos à Academia por Bruno Jacinto, num telefonema recebido às 16h44. “Recordo a hora do telefonema porque fiz uma reconstituição dos acontecimentos no posto da GNR. Jacinto ligou-me uma vez e eu liguei-lhe uma segunda. Disse-me que iam adeptos da Juventude Leonina à Academia. Iam falar com jogadores mas não entrou em muitos detalhes.”

10h17 Ricardo Gonçalves já testemunha. Explica que na altura do ataque coordenava a segurança da Academia de Alcochete e que respondia perante Vasco Santos, que coordenava a segurança do clube.

09h33 O ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho chega pontualmente ao Tribunal de Monsanto acompanhado pelo seu advogado Miguel Fonseca.

09h31 Bruno de Carvalho já está em Monsanto.

09h30 Ricardo Gonçalves fala esta segunda-feira no Tribunal de Monsanto, onde decorre o julgamento da invasão à Academia de Alcochete. Era o diretor de segurança do centro de treino do Sporting a 15 de maio de 2018, o dia das agressões a jogadores e equipa técnica do clube. Atualmente é o coordenador de segurança do clube leonino. A defesa de Bruno de Carvalho fez questão de o ex-presidente do Sporting estar presente voltar à sala de audiências para acompanhar o testemunho de Ricardo Gonçalves. O ex-dirigente regressa depois de duas semanas de ausência por motivos profissionais.

09h30 Bom dia. Esta segunda-feira arranca o sétimo dia do do julgamento do caso de Alcochete. Acompanhe o direto na Tribuna.