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Jorge Jesus “pediu para sair” no primeiro ano, o “tom bélico de Bruno de Carvalho” e a SMS: assim foi o julgamento de Alcochete

O interrogatório a André Geraldes, antigo team manager de Sporting, no âmbito do caso da invasão a Alcochete, durou três horas e andou à volta de uma única pergunta: Geraldes foi ou não avisado do ataque?

Rui Gustavo e Pedro Candeias

Bruno de Carvalho e André Geraldes, ex-presidente do Sporting e antigo team manager

Gualter Fatia/Getty

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O interrogatório a André Geraldes, antigo team manager de Sporting, no âmbito do caso da invasão a Alcochete, durou três horas e andou à volta de uma única pergunta: Geraldes foi ou não avisado do ataque? Geraldes disse “não ter ideia” se recebeu ou não um SMS de Bruno Jacinto, antigo oficial de ligação com os adeptos, tal como este garantira em tribunal, mas admitiu que, horas antes da invasão, recebeu uma chamada de Vasco Fernandes, secretário técnico do clube, a avisá-lo que a Juve Leo ia a Alcochete.

Como nesse dia era notícia pelo seu envolvimento no processo Cashball, Geraldes alegou “problemas pessoais” e pediu a Vasco Fernandes para avisar o diretor de segurança do Sporting, Bruno Gonçalves. Geraldes revelou, ainda, que Jorge Jesus pediu para sair logo na primeira época e que o seu despedimento por Bruno Carvalho já estava pensado antes do jogo do Marítimo, que terá desencadeado a invasão.

17h06: André Geraldes acabou de depor.

17h00: Até 2013, de acordo com André Geraldes, as multas que o Sporting pagava pelos estragos provocados pela claque eram da responsabilidade do clube. Depois da eleição de Bruno de Carvalho, passou a haver uma “conta corrente” em que os estragos pelas claques teriam de ser pagos pela claque. A juíza pergunta se a claque pagou alguma multa. “Algumas, sim. Mas só algumas”.

16h43: “Quem é que lhe disse que Jorge Jesus ia ser despedido?”. “O presidente”. “Antes ou depois do jogo com o Benfica, o penúltimo da época?”. “Antes”. “A administração era a favor ou contra o despedimento?”. “Contra”.

16h40: Chegou a vez de Miguel A. Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho. A juíza perde imediatamente a paciência, corta duas perguntas e avisa André Geraldes para se limitar a responder a perguntas e não a comentários. Geraldes diz, então, que “Jorge Jesus chegou a pedir para sair logo na primeira época no Sporting”.

16h37: A juíza Sílvia Rosa Pires repreende o advogado de Nuno Mendes, o Mustafá, pela irrelevância das perguntas. “Se quer saber se o ambiente era bom, pergunte. Não vale a pena estar a falar dos títulos conquistados nessa época”, exaspera a juíza. “Vamos aos factos, vamos aos factos”, diz o advogado de Mustafá.

15h42: André Geraldes revela, depois, que “Bruno de Carvalho já tinha decidido despedir Jorge Jesus antes do jogo com o Marítimo”.

15h49: Miguel Pereira Coutinho, advogado do Sporting, começa a inquirir André Geraldes. Pergunta-lhe se teve conhecimento de algum palno para fazer mal a jogadores do Sporting. Geraldes é peremptório: “Não, óbvio que não.”

15h41: “O que é que teria feito se soubesse na véspera o que estava para acontecer? Qual o procedimento”, perguntou a juíza. André Geraldes responde que diria à pessoa que o informasse para reportar à direção. A juíza insiste: “Recebeu alguma mensagem de Bruno Jacinto a avisá-lo da invasão na véspera da mesma?”. “Não recebi. Não me lembro. De invasão ninguém me falou”. Interrogado por Paulo Caomesas, advogado de Bruno Jacinto, André Geraldes admite que não foi confirmar ao telemóvel se recebeu ou não uma mensagem de Bruno Jacinto. “Não tenho ideia se recebi ou não”, insiste, ao ser questionado por Paulo Camoesas.

15h30: “O que é que quer dizer: ‘Façam o que quiserem’?”, pergunta a juíza Sílvia Rosa Pires a propósito da frase atribuída a Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting e num dos principais acusados no processo. Geraldes assegura que não entendeu a declaração como um incentivo à invasão que veio a acontecer. “Tem de ser contextualizada”, relativizou André Geraldes.

15h30: André Geraldes diz que quando recebeu a chamada de Vasco Fernandes respondeu estar com um “problema pessoal” [o caso Cashball] e pediu-lhe para ligar a Ricardo Gonçalves, responsável pela segurança da Academia.

15h10: A juíza Rosa Pires pergunta a André Geraldes se não recebeu uma chamada de Vasco Fernandes, secretário técnico, antes da invasão, a avisá-lo do que estava para acontecer. Geraldes responde: “Agora, que me lembro, sim.” Nesse dia, André Geraldes era notícia nos jornais pelo seu envolvimento noutro processo, o Cashball, um caso de alegada corrupção desportiva que ainda está a ser investigado.

14h58: O atual dirigente do Farense diz que enquanto diretor desportivo do Sporting teve conhecimento de duas visitas autorizadas de adeptos à Academia de Alcochete. E que chegou a ter várias reuniões com os elementos das claques para tratar não só das visitas, mas de "protocolos entre o clube a claque". Algumas dessas reuniões decorreram na sede da JL. E outra em Alvalade. A procuradora insiste na reunoão que se realizou na casinha da Juve Leo. “Quem é que lá estava? Qual era o objetivo da reunião?”. Geraldes diz que Bruno de Carvalho usou um “tom bélico para falar com os jogadores”. A procuradora pergunta a Geraldes se está a ler papéis enquanto responde. Geraldes garante que não.

14h51: André Geraldes diz, depois, que o treino após o jogo com o Marítimo estava marcado para a parte da manhã, segundo informação que lhe tinha sido dada por Vasco Fernandes, secretário técnico do clube. E que soube da alteração para a tarde através da equipa técnica então liderada por Jorge Jesus, atual treinador do Flamengo. No dia do jogo com o Marítimo, houve um desentendimento entre Fernando Mendes, ex-líder da claque JL, e Acuña, jogador do SCP, que terá desencadeado a invasão. Geraldes diz não se ter apercebido de problemas. “Só soube do que aconteceu quando o Acuña me contou”, disse Geraldes, que é testemunha do processo apesar de ter feito parte da lista de arguidos. A procuradora Cândida Vilar disse que a investigação em relação ao ex-team manager não foi concluída, porque a PJ não conseguiu fazer uma perícia aos seus telemóveis, o que lhe valeu uma pena disciplinar.

14h41: Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação e acusado neste processo, tinha garantido que enviara mais do que um SMS a avisar da emin~encia de uma ida dos adeptos à Academia de Alcochete.

14h40: André Geraldes garante que não teve qualquer conhecimento prévio da ida dos membros da Juventude Leonina à Academia de Alcochete, negando, assim, a versão de Bruno Jacinto, antigo oficial de ligação, que afirmou ter enviado um SMS a avisar da invsão. Geraldes garante à procuradora Fernanda Matias que só soube da invasão no próprio dia dos acontecimentos.

14h39: André Geraldes começa a depor. O ex-team manger do Sporitng está a depor por videoconferência a partir de Faro. Atualmente, trabalha no Farense da II Liga.