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Ministro ameaça clubes de futebol: ou fazem correções ou o Governo “considerá que os estádios não têm condições para a primeira divisão”

Em causa está a violência e o racismo no futebol. Estão a correr auditorias e o ministro da Administração Interna diz que “cabe depois aos clubes de futebol efetuarem as devidas correções”. Eduardo Cabrita deixou ainda elogios a Marega

Liliana Coelho

JOSÉ SENA GOULÃO

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Mais de 100 adeptos foram impedidos de frequentarem recintos desportivos desde setembro, quando entrou em vigor a nova lei sobre violência no desporto, avançou esta terça-feira o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

Segundo o governante, foram tomadas no total 112 decisões de impedimento de entrada de adeptos e registados 4354 incidentes na última temporada desportiva. "O Governo tem tido iniciativas, quer do ponto de vista do combate ao racismo, quer em matéria do combate à violência no desporto", afirmou Eduardo Cabrita durante a comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, numa audição conjunta com o secretário do Estado do Desporto e o presidente da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto pedida pelo PCP na sequência dos insultos racistas que visaram o jogador Moussa Marega.

Embora admita que o comportamento "corajoso" do atleta foi importante ao não tolerar insultos racistas para alertar a sociedade para este problema, o ministro garantiu que o Governo "não acordou nesse dia" para o fenómeno e deu como exemplo as medidas recentes com vista ao combate da violência no desporto, nomeadamente no futebol. Entre elas o cartão de adepto que entrará em vigor na próxima época, a formação dada às forças de segurança e as auditorias que estão a ser feitas aos 18 estádios de futebol da I Liga, que envolvem a PSP, a GNR, a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

De acordo com o ministro, as auditorias devem estar concluídas até ao final de março, cabendo depois aos clubes de futebol efetuarem as devidas correções até ao início da próxima época desportiva. "Se não o fizerem, o MAI considerará que esses estádios não estarão em condições de receberem jogos da primeira divisão."

Eduardo Cabrita defendeu contudo que esta não deve ser uma "responsabilidade exclusiva" do Governo, apelando também à responsabilidade das entidades do sector, como a Liga de Clubes. Rejeitando a tese do racismo estrutural, o ministro considerou ainda que não se devem confundir casos isolados e fazer generalizações sobre a sociedade portuguesa."Os portugueses orgulham-se da mesma forma com um golo que seja marcado pelo Cristiano Ronaldo, o Quaresma ou o Éder. Todos nos lembramos daquele histórico golo. São três atletas de elite", concluiu.