Tribuna Expresso

Perfil

Atualidade

Covid: Liga NOS desvaloriza 17,3%. Revisão em baixa sobe para 26,4% se os jogos forem cancelados

Consultora KPMG avaliou o efeito da covid-19 nas 10 principais ligas europeias e a conclusão é que não há clubes nem jogadores imunes à crise. Em termos financeiros, a retoma competitiva será sempre o melhor dos cenários numa época negra sem precedentes

Isabel Paulo

Gualter Fatia

Partilhar

Uma análise comparativa às principais ligas europeias revela nem as 'Big-5' ou os clubes mais ricos do mundo sairão incólumes da crise pandémica que ditou a paragem competitiva de todas as equipas, desde março. O valor dos jogadores também sofrerá uma quebra significativa no mercado de verão e previsivelmente em janeiro, quebra a que não escaparão nem mesmo as estrelas milionárias e mais cobiçadas.

A KPMG Sports antecipa, contudo, que em todas as ligas e equipas o pior cenário, em termos de impacto financeiro, será sempre o do cancelamento dos jogos esta época, quadro em que a desvalorização média dos jogadores, estimada sempre acima dos dois dígitos percentuais, sofrerá um desvio agravado em cerca de 10%.

Mbappé, o jogador mais valioso do mundo, cotado em €225 milhões, verá na próxima janela de transferências o seu passe desvalorizado em 21,5% se o PSG não voltar a jogo esta época, impacto negativo que baixará para os 16,6% se a Ligue 1 for retomada.

Nas previsões da consultora internacional, também o colega de equipa Neymar, avaliado em €175 milhões, vale agora menos 21,7% do que em fevereiro, desvalorização que não será, contudo, tão acentuada se a competição em França for retomada (14,7%).

O mesmo vale para Lionel Messi. O maior detentor de Bolas de Ouro, que partilha o segundo lugar do ranking dos jogadores mais cotados (€ 175 milhões) com o craque brasileiro, também tem o seu passe revisto em baixa - menos 27,5%, se a La Liga for cancelada, 23,2% se voltar a jogo nesta temporada.

No estudo da KPMG, em princípio os jogadores mais jovens, como é o caso de Sterling, 25 anos, do Manchester City e que valia € 150 milhões antes de ser declarada a pandemia, serão menos castigados pela crise - razão pela qual figura só vê o seu passe cair 13,8% no cenário de não regresso à competição e 10,5% se voltar a jogar antes da próxima temporada.

Ligas grandes e pequenas sem 'vacina' anti-crise

Numa altura em que o Liga NOS se prepara para voltar a competir a 4 de junho, ao contrário da Liga belga que optou por arrumar a temporada, a KPMG avança que no plano financeiro ninguém sairá a ganhar. Na Premier League, a mais milionária - avaliada em € 10,5 mil milhões em fevereiro -, a quebra projetada é de 25,4%; 16,5% se regressarem os jogos.

Em Espanha, na La Liga, estimada em € 6,6 mil milhões, os efeitos são ainda mais duros, sendo a desvalorização de quase 29% se os jogos forem definitivamente cancelados, menos 10% se houver retoma.

Na Liga NOS, com vários jogadores infetados e com os presidentes dos clubes a contestarem as apertadas medidas da DGS, a avaliação efetuada há três meses estava fixada em €1,077 mil milhões. A previsão de quebra de valor é da ordem dos 17,3%, caso se mantenha o plano de retoma competitiva, mas desvalorização atinge a margem dos 26,4% se as autoridades de saúde cancelarem os jogos até ao verão.

Em absoluto é a Premier League que irá somar a maior quebra de mercado - € 2,7 mil milhões, sem jogos, € 1,8 milhões, com o regresso aos relvados -, em qualquer cenário mais do que vale a Liga turca, belga ou a portuguesa. Já em termos percentuais, a mais penalizada será a Liga espanhola, situação que a KPMG atribui ao facto de os clubes terem de devolver parte das receitas de transmissão aos operadores televisivos.

Na análise da consultora, os clubes mais penalizados pela crise pandémica irão ser, sem dúvida, aqueles cujos orçamentos estão mais dependentes da venda de jogadores, como acontece com as SAD's portuguesas, face à esperada contração do mercado mercado de transferências deste verão.

A KPMG adiante que o menor volume de entradas e saídas de jogadores - e revistas em baixa - sucederá por duas motivos poderosos: todos os clubes perderam receitas de bilheteira, comerciais e televisivas, além de que, com as economias dos países em crise, os adeptos emocionalmente abalados pela covid-19 não irão ver com bons olhos que se paguem fortunas por jogadores.

Ou seja, quer do ponto de vista financeiro como ético, os consultores da KPMG Sports antecipam que boa parte das equipas, sobretudo as de menores recursos, irão apostar mais nos jogadores da formação. Outra das tendências adivinhadas é a da contratação de profissionais em final de contrato, a custo zero, bem como troca de jogadores entre clubes.

A consultora adverte, no entanto, para a necessidade de um reforço de regulação por parte das entidades que tutelam o futebol para evitar que os clubes com maior poder financeiro abusem da sua posição dominante no mercado, aproveitando-se das fragilidades dos mais pequenos.