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Tiger Woods sobre George Floyd: “Sempre tive respeito pelas forças da ordem, mas nesta tragédia chocante foi ultrapassada uma linha”

O golfista Tiger Woods considera a morte de George Floyd uma “tragédia chocante”, mas sublinhou que os protestos violentos não são a solução, com a ‘estrela’ do basquetebol Trae Young ou Dennis Rodman a dizerem o mesmo

Lusa

Rob Carr

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O golfista Tiger Woods considera a morte de George Floyd uma “tragédia chocante”, mas sublinhou que os protestos violentos não são a solução, com a ‘estrela’ do basquetebol Trae Young ou Dennis Rodman a dizerem o mesmo.

“Sempre tive o maior respeito pelas forças da ordem. Eles treinam para entender quando e onde utilizar a força. Nesta tragédia chocante, essa linha foi claramente ultrapassada”, começou por dizer Woods, ‘estrela’ do desporto mundial.

O golfista comparou a onda de violência, desencadeada com a morte de George Floyd, com os distúrbios de 1992 em Los Angeles, quando os polícias responsáveis pela morte de Rodney King, um motorista de raça negra, foram absolvidos.

“Lembro-me dos distúrbios de Los Angeles e aprendi que a educação é o melhor caminho a seguir”, disse Woods, vencedor de 15 ‘majors’ do golfe, na sua conta na rede social Twitter, acrescentando: “É possível fazer valer o nosso ponto de vista, sem atear fogo nos bairros onde vivemos”.

O golfista disse esperar que, através de um diálogo honesto e construtivo, seja possível “construir uma sociedade mais segura e unida”, numa declaração que surge um dia depois de outra referência mundial no desporto, o ex-basquetebolista Michael Jordan revelar a sua tristeza e sofrimento.

"Devemos procurar expressar-nos pacificamente contra a injustiça e exigir o reconhecimento de responsabilidades", afirmou então Michael Jordan.

Nas últimas horas também o basquetebolista Trae Young discursou numa manifestação pacífica na sua cidade, em Norman, no Oklahoma, com o jogador ‘All Star’ a sublinhar que o país é agora “um lugar confuso”.

“Sinto que a justiça acontecerá e que mudanças serão feitas se nos mantivermos unidos. Somos nós que fazemos isso, este é o primeiro passo”, sublinhou o basquetebolista dos Atlanta Hawks, num discurso em que ergueu a placa “Vidas negras importam”.

Também da esfera da NBA, a antiga estrela Dennis Rodman pediu, através de um vídeo, calma aos manifestantes em todo o país.

“É uma situação má. Porque é que estão a roubar e a destruir lugares, acrescentando maior gravidade à situação que vivemos? Devemos focarmo-nos no verdadeiro problema”, disse o campeão pelos Chicago Bulls e Detroit Pistons.

As reações do mundo do desporto à morte de George Floyd têm vindo de várias áreas, desde o ténis, ao futebol, fórmula 1 ou ao basquetebol.

Nas últimas horas, a equipa campeã europeia de futebol, o Liverpool, formou uma roda e posou um joelho no círculo central de Anfield Road, numa posição pública também assumida pela tenista Coco Gauff, o piloto campeão mundial de fórmula 1 Lewis Hamilton ou o ex-basquetebolista Michael Jordam

No fim de semana, em jornada de futebol na Alemanha, os futebolistas Jadon Sancho e Achraf Hakimi marcaram golos pelo Borussia Dortmund e comemoraram com inscrições nas camisolas: “justiça para George Floyd”, e na segunda-feira Marcus Rashford, do Manchester United, lembrou as mortes de Floyd, mas também de Ahmaud Arbery e Breonna Taylor.

Arbery, um jovem afro-americano de 25 anos de idade, foi morto em 23 de fevereiro por um pai e filho quando fazia ‘jogging’, e Breonna Taylor, de 26 anos, em março quando dormia, com a polícia a invadir erradamente a sua casa.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Pelo menos quatro mil pessoas foram detidas e o recolher obrigatório foi imposto em várias cidades, incluindo Washington e Nova Iorque, mas diversos comentários do Presidente norte-americano, Donald Trump, contra os manifestantes têm intensificado os protestos.

Os quatro polícias envolvidos no incidente foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi detido, acusado de assassínio em terceiro grau e de homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.