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"Quando votas, não sabes que vai haver mortos nos estaleiros", diz Platini sobre o Campeonato do Mundo no Qatar

O ex-jogador francês também manifestou uma perspetiva otimista sobre a evolução do futebol nos próximos anos

Luís M. Faria

Thanassis Stavrakis

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Michel Platini, ex-jogador de futebol de primeiro plano e ex-presidente da UEFA, deu uma entrevista ao diário francês "Le Monde" esta terça-feira. Entre os assuntos tratados conta-se a atribuição do Campeonato do Mundo de 2022 ao Qatar. e as suspeitas de corrupção que têm corrido a propósito da decisão.

Além de negar que lhe tenham pago para votar como votou, Platini garante que não sentiu pressões políticas por parte do então presidente francês, apesar de se ter encontrado com Nikolas Sarkozy e com o atual emir do Qatar no Eliseu por alturas da votação, em 2010.

Outras questões que essa competição tem suscitado referem-se à sensatez, ou não, de a realizar num país tão quente como o Qatar, e também às condições em que trabalham e vivem os operários, largamente migrantes, envolvidos na construção das instalações.

Respondendo a uma pergunta sobre se lamenta ter votado a favor do Qatar para organizar o Campeonato do Mundo, sabendo que só entre 2012 e 2018 terão morrido 2700 trabalhadores migrantes nas obras, Platini responde: "Quando votas, não sabes que vai haver mortos nos estaleiros. Fazes uma escolha, segundo as tuas convicções profundas. A única coisa que eu disse, foi que, se houve corrupção, temos de retirar a competição ao Qatar".

Em relação aos efeitos da pandemia no futebol, Platini é taxativo: "Nenhumas a longo prazo! Tudo o que vai passar nos próximos anos não dependerá da covid-19, mas da evolução dos interesses e dos desafios do futebol profissional. O sistema será cada vez mais forte. Vai retornar e acelerar-se".