Tribuna Expresso

Perfil

Atualidade

“Operação sem Rosto”: um dos elementos dos NN Boys tinha uma folha com nomes, moradas e matrículas de carros de jornalistas

PSP encontrou em casa de um dos sete elementos detidos da claque benfiquista uma folha comprometedora com informações sobre jornalistas e comentadores desportivos

Hugo Franco e Lídia Paralta Gomes

CARLOS COSTA

Partilhar

Uma das maiores surpresas para os operacionais da PSP de Lisboa na “Operação sem Rosto”, que fez sete detidos entre elementos da claque benfiquista No Name Boys foi uma folha que encontram em casa de um dos suspeitos.

Esta folha continha nomes, moradas e matrículas de carros de jornalistas e comentadores desportivos. De acordo com uma fonte da PSP, este documento “tem de ser avaliado internamente para se perceber se alguns dos visados foram ou não ameaçados ou tiveram danos nos carros, por exemplo”. O mesmo responsável acrescenta que se trata de um dado “preocupante”.

Num segundo comunicado enviado esta quinta-feira às redações, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, através da Divisão de Investigação Criminal, e sob a coordenação do DIAP de Lisboa, refere ter levado a cabo durante toda a manhã uma operação em vários pontos da área metropolitana de Lisboa, com dezenas de diligências processuais relacionadas com uma investigação cujo objeto criminal envolve múltiplos crimes relacionados com o fenómeno da violência no desporto, com especial destaque para os crimes de homicídio, roubo, ofensas físicas qualificadas, detenção de arma proibida e dano.

“Ao longo de aproximadamente um ano, foram desencadeados esforços investigatórios permanentes que permitiram indiciar um grupo de autores pertencentes ao grupo organizado de adeptos, conhecido como No Name Boys, a um grande número de ocorrências que intricam no segmento social e criminal referido, e todas elas movidas por motivações e rivalidades clubísticas no panorama futebolístico”.

O comunicado acrescenta que em termos globais desta ação operacional resultou a detenção de sete homens, com idades compreendidas entre os 22 e os 33 anos de idade, seis deles através de mandados de detenção emitidos pela Autoridade Judiciária, e um em flagrante delito por posse de arma proibida. Associadas a estas detenções esteve também o cumprimento de sete buscas domiciliárias e dez não domiciliárias que permitiu a apreensão dos seguintes objetos com direto e especial relevo probatório, com efeito:

· 1 Revólver calibre .22 devidamente carregado com 8 munições;

· 16 Munições calibre .22;

· 1 pistola 6,35 mm;

· 4 Munições 6,35 mm;

· 1 Bastão extensível;

· 5 Armas brancas;

· 1 Soqueira;

· 1 Spray de gás pimenta;

· 71 bilhetes da Liga NOS sem qualquer descrição no bilhete;

· Vários petardos e potes de fumo artesanais;

· Vários objetos relacionados com a claque No Name Boys, passa montanhas, entre outros objetos com interesse para a investigação.

A PSP acrescenta que durante a investigação foi possível relacionar vários destes indivíduos com crimes de ofensas à integridade física a polícias, roubos a vítimas que eram adeptos de outras equipas, danos, furtos e, mais recentemente, agressões violentas a adeptos de clubes rivais e até de clubes de outros países estrangeiros. O grupo, agindo em superioridade numérica perante as vítimas, munidos de armas brancas, bastões e soqueiras, abordavam-nas, normalmente em locais isolados, agredindo-as deixavam-nas por vezes com lesões graves, chegando a colocar em causa a própria vida das vítimas.

“Para estas violentas agressões, o grupo de agressores estudava as rotinas das vítimas, conseguindo desta forma tirar partido desse facto, surpreendendo-as em locais conhecidos destas e em que se encontravam mais desprevenidas”.

Os detidos, alguns deles com histórico por crimes de ofensas físicas, maioritariamente associados ao quadro desportivo, serão presentes no dia 26 de junho a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, para efeitos de aplicação das respetivas medidas de coação.