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Atleta português Ricardo dos Santos acusa polícia de Londres de racismo: "Atiraram-me contra a parede e disseram-me que cheirava a canábis"

Recordista nacional dos 400 metros foi imobilizado pela polícia com a mulher, a também atleta britânica Bianca Williams, depois de ser mandado parar numa rua de Londres. O filho de ambos, de três meses, estava também no carro. Atleta do Benfica diz que a situação é recorrente desde que conduz um carro de gama mais alta e quer processar a polícia londrina

Lusa e Tribuna Expresso

JUERGEN MATTIS/EPA

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Tudo aconteceu quando Ricardo dos Santos, recordista nacional dos 400 metros, e a mulher, a atleta britânica Bianca Williams, regressavam a casa de carro, onde estava também o filho de ambos, de três meses. Mandados parar pela polícia de Londres, onde vivem e treinam, os dois atletas acabaram imobilizados, com a polícia a justificar a ação com uma busca para detetar drogas. Agora, o português acusa as autoridades de racismo e garante que não demorou mais de 20 segundos a parar o carro, quando lhe foi pedido pelas autoridades e garantiu que vai processar a polícia londrina.

“Parámos quando nos sentimos seguros para o fazer, estávamos no meio da estrada e vinham carros no sentido contrário. Não demorei mais de 20 segundos a parar”, explicou à Lusa o atleta do Benfica, que no sábado foi parado e algemado pela polícia.

O atleta preparava-se para ir para casa, quando, devido ao trânsito e a cinco minutos do local, resolveu mudar o trajeto, num percurso que acabou em ‘perseguição’ pela polícia.

“Disse [à mulher] que estávamos a ser seguidos, não nos mandaram parar logo”, acrescentou o atleta, explicando que, depois, que Bianca Williams, começou a filmar o que se estava a passar.

No momento em que parou o carro à porta de casa, Ricardo dos Santos e Bianca Williams foram obrigados a sair, num incidente em que o atleta português acusa a polícia de ter tirado os bastões e de o acusar de cheirar a canábis, antes de o algemar.

“Quando chegaram perto de mim, estavam prontos para bater. Tiraram o bastão, tiraram-me o telemóvel e atiraram-me contra a parede. Gritei que tinha dores e eles disseram que eu cheirava a canábis”, contou o atleta.

Ricardo dos Santos assegurou aos polícias que estava limpo, que nunca fumou, que era um atleta profissional e que, se quisessem, lhe fizessem um teste, depois de as autoridades indicarem que iriam chamar uma equipa cinotécnica para detetar drogas, o que não aconteceu.

Após estas acusações, o velocista foi ainda acusado de conduzir acima da velocidade permitida, o que Ricardo dos Santos nega, acrescentando que nem sequer foi multado, o que aconteceria se fosse verdade.

“Como sabiam que não tinham nada, mentiram”, acrescentou, em declarações à Lusa.

O incidente ocorreu no sábado à hora de almoço, no bairro residencial de Maida Vale, em Londres, numa situação que Ricardo dos Santos diz ser recorrente desde que comprou um carro de melhor gama, e que considera serem atitudes racistas.

“Vamos processar a polícia metropolitana de Londres”, assinalou o atleta, que é treinado por Linford Christie, um dos maiores nomes do atletismo britânico, campeão olímpico e mundial dos 100 metros, em 1992 e 1993, respetivamente.

Christie publicou no seu instagram um vídeo do incidente, acusando a polícia de “abuso de poder”, acrescentando que foi o segundo incidente em dois meses, corroborando as palavras de Ricardo dos Santos.

Entretanto, a polícia londrina também reagiu, assinalando que a conduta foi a correta.

Segundo a polícia, responsáveis pelo cumprimento visionaram vídeos partilhados nas redes sociais e as imagens recolhidas pelas câmaras que os agentes tinham nas fardas e concluíram “não existir preocupação com a conduta” dos polícias envolvidos.

Ricardo dos Santos revelou que estará de regresso a Portugal no início de agosto, na companhia da mulher, para se preparar no Jamor para o nacional de clubes.