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“E se Cristiano Ronaldo tivesse jogado com Henry, Pires, Wiltord e Bergkamp? Se calhar tínhamos marcado 200 golos numa época!”

Arsène Wenger, treinador do Arsenal entre 1996 e 2018, deu uma entrevista à BBC na qual falou sobre os convites que recusou (Real Madrid duas vezes, por exemplo), as provas de Zlatan, então um jogador de 17 anos na segunda divisão, e sobre momentos " what if". E Cristiano Ronaldo estava na ponta da língua do treinador francês

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Mike Egerton - EMPICS

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Agora que escreveu o livro “My life in red and white”, e numa altura em que se adivinha um documentário sobre a sua carreira em 2022, Arsène Wenger tem dado algumas entrevistas. Em todas vai falando na lealdade ao Arsenal, na dor e no que tem feito para suportar o fim do casamento com o clube londrino, destapou histórias sobre convites que recusou e até sobre transferências falhadas ou que estiveram quase, quase para acontecer.

Cristiano Ronaldo, então um garoto do Sporting, esteve quase para ser um gunner antes de ser futebolista do Manchester United. Desafiado pela BBC sobre momentos "what if" ("e se..."), sem ser mencionado o nome do avançado português, Wenger revelou um que tinha um português no coração da história. “Claro que penso e se, por exemplo, o Cristiano Ronaldo tivesse jogado com o Thierry Henry, Pires, Wiltord e Bergkamp? Se calhar tínhamos marcado 200 golos numa época!”, desabafou o francês.

John Peters

Mesmo sem Cristiano Ronaldo, o Arsenal viveu em 2003/2004 uma das temporadas mais especiais da sua história, com a vitória na Premier League sem qualquer derrota no calendário. Os londrinos conquistaram 90 pontos em 38 jogos, resultado de 26 vitórias e 12 empates (73 golos marcados, 26 sofridos). Henry marcou 30 golos. Mesmo sem Cristiano, Arsène venceu três edições da Premier League, sete FA Cups, sete Supertaças de Inglaterra e três Taças da Liga. Em 2006 chegou à final da Liga dos Campeões, caindo com o Barcelona de Frank Rijkaard, Deco e Ronaldinho. O Arsenal, que jogou muito tempo com 10 jogadores, esteve a vencer até aos 75'.

No mesmo campeonato das transferências que não foram consumadas, Wenger foi ainda questionado se se arrependia por aquele episódio em que pediu ao jovem Zlatan Ibrahimovic para prestar provas no Arsenal. O sueco rejeitou. Agora, à distância, teria preferido assinar o avançado do Malmo? “Nem por isso, porque ele era um miúdo de 17 anos a jogar no Malmo, na segunda divisão da Suécia. E ninguém o conhecia. Nós fizemos testes com muitos jogadores de 17 anos, era absolutamente normal antes de tomar uma decisão.”

O treinador francês, que esteve no banco do Arsenal entre 1996 e 2018, recusou ao longo da carreira convites de Bayern, Juventus, PSG, seleções francesa e inglesa, Manchester United e Real Madrid, este último em dose dupla. Que convite o tentou mais?, perguntou a BBC. “Do Real Madrid, certamente, porque não conheces muitas pessoas que os tenham rejeitado duas vezes. E foi para ficar com uma equipa que não tinha recursos para ganhar um campeonato. Mas eu disse a mim próprio que se era para assumir o desafio de treinar o Arsenal, era para ir até ao fim.”

Arsène Wenger, 70 anos, é atualmente o chefe de desenvolvimento global da FIFA.

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Wenger imagina muitas vezes o que vai dizer a Deus quando morrer. Na maioria destes exercícios, Deus pede-lhe que justifique o seu tempo na Terra, como deu significado à sua vida e à de outros. “Tentei ganhar jogos de futebol,” dirá Wenger. Deus olhará para ele, cético: “Só isso?” Wenger explica: “Ganhar jogos é muito difícil. Se fizeres bem o teu trabalho, levas alegria a milhões. E se não ganhares…”