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EUA. Rodman, Navratilova, Magic, Billie Jean, Tyson: quem está do lado de quem nestas eleições fraturantes

Os Estados Unidos da América estão divididos entre a continuidade de um presidente controverso e a mudança para um estilo mais diplomático, mais próximo do que nos habituámos a ver em Barack Obama. A luta entre as duas fações é visível nas ruas, nos palcos mas também nos estádios, ringues ou pavilhões. Este é um embate em que também os desportistas têm uma palavra a dizer

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JIM WATSON

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Que Donald Trump é um aficionado do golfe já todos sabemos. As imagens do presidente norte-americano de taco na mão, pronto para direcionar a bola para o buraco na relva, são por demais conhecidas. Já o lado desportista de Joe Biden poderá ser mais desconhecido, pelo menos na Europa, onde a sua modalidade preferida não é seguida com a mesma paixão: Biden chegou a evidenciar-se como jogador de beisebol, tanto no liceu como mais tarde. Essa carreira não foi longe, mas o antigo vice-presidente de Barack Obama continua a ser um grande fã da MLB, a principal liga americana de basebol. As câmaras já o apanharam a assistir ao vivo a jogos dos New York Yankees.

A cultura americana baseia-se no culto da celebridade, sendo que o anúncio deste ou daquele desportista famoso tem uma forte probabilidade de influenciar o voto dos indecisos. Apoios como o do basquetebolista Lebron James ou do treinador da NBA Steve Kerr podem indiciar que o candidato democrata, Joe Biden, tem o caminho aberto para a vitória nas eleições presidenciais americanas mais importantes das últimas décadas. Mas Donald Trump também tem os seus ases.

Pro-Trump

Talvez o mais mediático dos apoiantes de Trump provenientes da área do desporto seja Mike Tyson. O histórico pugilista dispensa apresentações. Questionado acerca de Donald Trump, Tyson disse: “Por que não gostaria dele? Um tipo que veio de onde ele veio e que está a fazer o que se vê,” dando claramente a entender a sua simpatia para com o atual presidente norte-americano.

Outro dos apoiantes de Donald Trump é Jesse Ventura. Multifacetado como poucos – ex-governador do Minnesota, comentador televisivo, escritor, ator e lutador profissional na reforma – Ventura chegou a ser pré-candidato às presidenciais deste ano. “Se Donald Trump me perguntasse se eu queria concorrer ao seu lado, eu pensaria bem porque este país precisa de um abanão e Donald Trump está a fazer isso mesmo,” afirmou,.

Por seu turno, Mick Foley, antiga estrela do WWE, disse à revista “People” que está com Biden: “Eu penso que é uma luta entre o certo e o errado. Acho que a democracia está em causa. Sei que o país está muito dividido (…) mas à medida que esta administração avançava, senti que estávamos a ir por um caminho perigoso”. Dana White, empresário e presidente do Ultimate Fighting Championship, UFC, foi veemente no seu apoio ao atual inquilino da Casa Branca: “Vocês nunca me vão ouvir dizer coisas negativas de Donald Trump”.

Há muito tempo que o mundo deixou de se surpreender com as atitudes de Dennis Rodman. Usando o meio de comunicação predileto do próprio Trump, a antiga estrela da NBA escreveu um tweet que não deixa dúvidas quanto à tendência do seu voto: “Trump é meu amigo há muitos anos. Não precisamos de mais um político mas sim de um homem de negócios como o senhor Trump”.

Pro-Biden

No entanto, é precisamente na NBA que encontramos alguns dos mais fervorosos apoiantes de Joe Biden. Steve Kerr, por exemplo, treinador dos Golden State Warriors, tem sido muito crítico da presidência atual e aproveita cada oportunidade para apelar ao voto em Biden. Do mesmo lado estão dois pesos pesados do basquetebol: Magic Johnson, antigo jogador da NBA, e LeBron James, ainda no ativo. Johnson fez questão de elogiar a escolha de Kamala Harris para vice-presidente da candidatura democrata. Já LeBron, para além do ativismo ligado ao movimento Black Lives Matter, tem sido bastante crítico da administração Trump: “Estamos num tempo em que precisamos de mudança, tem tudo a ver com a liderança, que começa no topo”.

Clay Buchholz, jogador de basebol que atua atualmente nos Toronto Blue Jays, disse ao “Boston Globe” sobre Trump: “Sempre o achei boa pessoa”. Já o antigo jogador de futebol, Robbie Rogers, não esconde a simpatia por Joe Biden. Rogers foi o primeiro atleta da MLS a assumir a sua homossexualidade. A propósito disso, participou num evento organizado por Biden para os seus apoiantes LGBTQ.

No futebol americano, foram vários os ex-desportistas que se colocaram ao lado de Trump. O antigo jogador Shawne Merriman disse publicamente que “Trump sempre foi um bom amigo”. Também Nick Mangold, antigo jogador dos New York Jets, disse que “Trump é o número um na sua posição e uma ótima pessoa”.

Duas apoiantes de peso, mas desta vez do ténis, declararam abertamente que estão ao lado de Biden. Billie Jean King, lenda do ténis feminino, escreveu no Twitter: “A mudança com que eu sonho é para uma América onde possamos viver de forma autêntica e onde cada comunidade marginalizada possa ser tratada de igual forma”. Já Martina Navratilova foi perentória: “Estou com o Joe Biden até ao fim. Vamos levar este país para onde estava antes do homem cor de laranja ter começado a destruí-lo”.

Donald Trump também reúne apoios da sua modalidade preferida, o golfe. John Daly, profissional da modalidade, não mostrou dúvidas quando publicou o tweet: “Ele não é da política. Ele é dos negócios. É aquilo de que o nosso país precisa”.

De forma pouco surpreendente, Megan Rapinoe, futebolista e capitã da seleção feminina dos EUA, foi demonstrando a sua solidariedade para com o candidato democrata, ao mesmo tempo atacando Donald Trump pelo facto de ser machista. Por outro lado, Garry Kasparov, lenda do xadrez mundial, elogiou Biden comparando-o a Churchill e a Frank Delano Roosevelt, e criticou Trump, chamando-lhe “egoísta” pela forma como lidou com a pandemia