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Depois de ganhar ao Everton, Rashford recebeu a chamada que desejava: a do primeiro-ministro, a anunciar apoios a 1,7 milhões de crianças

Boris Johnson telefonou ao avançado do Manchester United, que nos últimos meses tem lutado por programas de apoio alimentar a centenas de milhares de crianças carenciadas, para que fosse um dos primeiros a saber que os seus esforços foram finalmente ouvidos: o governo britânico vai canalizar mais de 300 milhões de euros para dar refeições aos mais carenciados durante as férias escolares até ao natal de 2021

Lídia Paralta Gomes

Simon Stacpoole/Offside

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Sábado foi um dia especial para Marcus Rashford. Depois de participar na vitória do Manchester United em casa do Everton, por 3-1, jogo que marcou o regresso aos triunfos dos red devils, o avançado inglês recebeu uma chamada telefónica especial. Não, não era a dar-lhe os parabéns pela vitória, do outro lado falava-lhe Boris Johnson, primeiro-ministro britânico e o objetivo era outro: Boris queria que o jogador fosse dos primeiros a saber que o governo, depois de muitas negas e recuos, tinha aprovado um pacote de medidas que irá ajudar mais de um milhão de crianças desfavorecidas a ter acesso a refeições durante as férias escolares.

A luta de Marcus Rashford pelo fim da pobreza alimentar nas crianças começou em junho, quando pressionou o governo a adiar o fim do programa de vouchers alimentares para cerca de 1,3 milhões de crianças, instituído como medida de apoio durante a pandemia da covid-19, no período em que as escolas fecharam. O governo acabou por ceder.

Já em finais de outubro, depois do parlamento britânico chumbar uma proposta de prolongar o pacote de ajudas até à Páscoa de 2021, numa altura em que a pandemia não parece dar tréguas, Marcus Rashford começou a ser contactado por restaurantes, cafés e empresas um pouco por todo o país, que se disponibilizaram para dar refeições a crianças desfavorecidas. No Twitter, Rashford passou horas a partilhar as localizações e as mensagens desses estabelecimentos, para que a mensagem chegasse ao maior número de pessoas.

Agora, os esforços do internacional britânico de 22 anos têm finalmente efeitos a nível oficial, com o governo de Boris Johnson a lançar um programa no valor de mais de 400 milhões de libras (cerca de 440 milhões de euros) e que vai prolongar o apoio a cerca de 1,7 milhões de crianças durante as férias da Páscoa, verão e Natal do próximo ano.

Cerca de 188 milhões de euros já serão distribuídos pelos municípios britânicos para necessidades até ao final de março, com o governo a distribuir também 18 milhões de euros a bancos alimentares por todo o país.

Já este domingo, Marcus Rashford escreveu um longo texto nas redes sociais, em que mostrou a alegria pelo passo dado pelo governo, no qual teve um papel essencial na consciencialização do problema da fome que existe entre as famílias britânicas.

“Depois do jogo, tive uma boa conversa com o primeiro ministro para perceber melhor o plano proposto e abraço os passos que foram dados para combater a pobreza alimentar infantil no Reino Unido”, começou por escrever, sublinhando que os “passos dados vão melhorar a vida de quase 1,7 milhões de crianças no Reino Unido nos próximos 12 meses e isso deve ser celebrado”.

Rashford agradeceu a todos os “comércios locais, trabalhadores solidários, voluntários, professores, assistentes sociais” que o apoiaram nesta demanda: “Juntos mostrámos o poder da bondade e da compaixão. Que quando tudo está no limite, temo-nos sempre uns aos outros”.

“Vou continuar comprometido com esta causa e vou fazê-lo para o resto da minha vida, porque na minha cabeça nenhuma criança deve passar fome no Reino Unido. Não quero que nenhuma criança passe por aquilo que eu passei e que nenhum pai ou mãe tenha de viver aquilo que a minha mãe viveu”, disse ainda.