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Maradona. “O movimento começou por volta das 11 horas. Chamaram o médico do condomínio”: relato da “dor profunda” dos argentinos

Um texto da Argentina, sobre os argentinos que sofrem aquele a quem chamaram Diós, no dia da sua partida

Marcio Resende, correspondente em Buenos Aires

Marcelo Endelli

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Aos 60 anos, um dos maiores jogadores da história do futebol, morreu de paragem cardiorrespiratória na sua casa no Tigre, município na província de Buenos Aires, local que escolheu para a sua recuperação, depois de receber alta no dia 11 de novembro, após uma cirurgia, no dia 3, para retirar um hematoma subdural na cabeça, além de tratar de abstinência de álcool.

A morte daquele que os argentinos consideravam um mito vivo foi inicialmente confirmada por Matías Morla, amigo e advogado de Maradona. Dessa vez, ao contrário de tantas vezes em que foi hospitalizado sob risco de vida, Maradona não conseguiu a última finta.

Segundo o boletim policial, a morte foi constatada nas primeiras horas da manhã, quando foram dar um medicamento a Maradona, quem aparentava continuar a dormir.

Ao perceberem que não reagia, foi chamado um médico vizinho para ajudar. Enquanto lhe praticavam reanimação cardiopulmonar (RCP), um serviço médico privado foi chamado. As tentativas de reanimação duraram 30 minutos até as 11:45 H (14:45 H em Lisboa). Ao meio-dia, a Polícia foi avisada.

"O movimento começou por volta das 11:00 H (14:00 H em Lisboa). Chamaram um médico do condomínio", contou Pablo, vizinho de Maradona no condomínio San Andrés para onde os fãs emocionados peregrinam.

Na Argentina, aos poucos, o silêncio de incredulidade dá espaço às primeiras manifestações de comoção por parte de fãs.

Na porta do clube Gimnasia y Esgrima de La Plata, a 56 Km de Buenos Aires, último clube do qual Maradona foi técnico, os adeptos penduram faixas e cartazes em homenagem.

"Tenho uma dor profunda que não posso explicar. Estou destruído. Não consigo acreditar. Foi uma parte da minha vida. Era parte das vidas de todos os argentinos", disse comovido César Luis Menotti, ex-treinador, campeão em 1978.

"Não posso acreditar. Pensei que fosse uma 'fake news'. Estou devastado. É a pior notícia que um adepto do Argentino Juniors pode receber. Nós o amamos, Obrigado por ter existido", disse o presidente argentino, Alberto Fernández, adepto do clube.

A primeira mulher de Maradona, Claudia Villafañe, com quem Maradona teve duas filhas, Dalma e Giannina, vive nessa casa. As três vivem no mesmo condomínio.

Ainda não há ainda indicações sobre o velório. Sabe-se, no entanto, que deverá ser num amplo espaço. Alguns sugerem o Parlamento. A maioria quer num estádio como o do Boca Jrs, seu clube do coração, ou o estádio do Argentino Jrs, onde Maradona começou.

"Falei com o presidente do Argentino Jrs caso a família queira velar o corpo lá. Ele me disse que sim", antecipou-se Alberto Fernández. O governo argentino decretou luto nacional de três dias.

A procuradora Laura Capra indicou que a autópsia será realizada no necrotério de San Fernando, município vizinho ao Tigre, para onde o corpo será levado. Quatro procuradores investigam a causa.

A Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol), por pressão do clube Boca Jrs, suspendeu o joga desta noite entre o Boca e o Internacional pela Taça Libertadores da América em Porto Alegre. A Conmebol pretende fazer uma homenagem, mas os jogadores argentinos avisaram que não entrariam em campo.