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Apenas 30% dos desportistas federados em Portugal são mulheres

Esta é uma das conclusões do estudo feito no âmbito do projeto “ALL IN: Towards balance gender in sport”, da União Europeia e do Conselho da Europa, que compilou dados de 18 países com base num conjunto de indicadores de igualdade de género. A discrepância entre a percentagem de treinadores e treinadoras em Portugal ainda é maior

Lídia Paralta Gomes

FPF

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Só um terço (30%) dos desportistas federados em Portugal em federações com desportos olímpicos são mulheres, que estão ainda mais sub-representadas entre os treinadores. Esta é uma das conclusões do estudo feito no âmbito do projeto “ALL IN: Towards balance gender in sport”, da União Europeia e do Conselho da Europa, que compilou dados de 18 países com base num conjunto de indicadores de igualdade de género.

O estudo mostra que as federações de futebol e ciclismo são as que apresentam uma maior diferença de género nos federados, com 95% e 94% de praticantes homens, respetivamente. A ginástica é a federação com maior percentagem de mulheres federadas (87%).

Esta desigualdade tem paralelo na representação portuguesa nos últimos Jogos Olímpicos e Jogos Paralímpicos do Rio, em 2016, onde competiram mais homens (68%) do que mulheres (32%).

O estudo, que compila dados até 2018, sublinha que 68% das federações nacionais implementaram desde 2015 medidas para aumentar o número de raparigas e mulheres a praticar desporto. Elas foram as federações de atletismo, badminton, basquetebol, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, futebol, andebol, hóquei em campo, judo, remo, râguebi, ténis de mesa, ténis, triatlo, voleibol, halterofilismo e lutas amadoras.

No que diz respeito aos treinadores, os números mostram uma discrepância ainda maior: no total de treinadores filiados em federações com modalidades olímpicas 91% são homens e apenas 9% mulheres. No total de treinadores contratados para o alto rendimento os números estreitam, mas pouco: apenas 15% são mulheres.

Já nas direções, em 2018 apenas uma federação com modalidades olímpicas tinha como presidente uma mulher, a Federação de Tiro com Arco. Em percentagem, 96% dos presidentes de federações em Portugal são homens.

Em 2018, sete federações não tinham qualquer mulher na direção: atletismo, boxe, canoagem, ciclismo, hipismo, tiro e desportos de inverno e apenas 29% das federações tinham feito esforços, desde 2015, para recrutar ou aumentar o número de mulheres eleitas ou nomeadas para cargos de direção.

O estudo mostra ainda que apenas 9% dos jornalistas portugueses acreditados para os Jogos Olímpicos do Rio eram mulheres.

Sublinha ainda o estudo europeu que o Instituto Português do Desporto e Juventude “tem sido ativo na promoção da igualdade de género e que o Comité Olímpico de Portugal “focou-se no aumento no número de mulheres treinadoras e em posições de liderança nos seus órgãos sociais e comités”.

Governo admite que Portugal ainda está longe da igualdade de género no desporto

O secretário de Estado da Juventude e Desporto salientou a necessidade de "eliminar estereótipos associados a algumas modalidades, porque não existem desportos só de homens, nem só para mulheres". O setor do desporto é o que tem a maior diferença de salários e prémios entre homens e mulheres