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Casa de Paolo Rossi assaltada durante o funeral. "É-me indiferente aquilo que roubaram. É o gesto que me espanta"

Um colaborador de Rossi detetou o roubo ao deparar-se com uma janela partida e, no regresso de Vincenza, a mulher do antigo futebolista confirmou o assalto: "É-me indiferente aquilo que roubaram, podiam até ter-me tirado 100.000 euros, mas é o gesto que me espanta"

Lusa

Daniele Mascolo

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A casa do antigo futebolista italiano Paolo Rossi, que morreu vítima de cancro de pulmão, foi assaltada no sábado durante o seu funeral, com os assaltantes a levarem um relógio e dinheiro, revelaram os meios de comunicação italianos.

Enquanto centenas de adeptos prestavam uma última homenagem ao "herói" da vitória italiana no Mundial de 1982 na Catedral de Vicenza, os assaltantes entraram na casa de Rossi, na localidade de Bucine, na província de Arezzo (Toscana), e levaram, segundo os media italianos, um relógio e uma pequena quantia em dinheiro, "poupando" os seus troféus.

Um colaborador de Rossi detetou o roubo ao deparar-se com uma janela partida na casa rural e, no regresso de Vincenza, a mulher do antigo futebolista confirmou o assalto, fazendo um inventário inicial do que foi roubado.

"É-me indiferente aquilo que roubaram, podiam até ter-me tirado 100.000 euros, mas é o gesto que me espanta", lamentou Federica Cappelletti, em declarações aos media italianos.

"Ato cobarde"

Também o presidente da Câmara de Florença, Dario Nardella, deplorou, na rede social Twitter, o assalto, considerando que "um ato mais cobarde e repugnante do que este é realmente impensável".

"Que a polícia faça todos os possíveis para encontrar os responsáveis. Toda a minha solidariedade e apoio à família de Paolo Rossi", escreveu.

Peter Robinson - EMPICS

Paolo Rossi tornou-se uma "lenda" do futebol em 05 de julho de 1982, quando no Estádio Sarrià, em Barcelona, conseguiu um 'hat-trick' face a uma fantástica seleção brasileira, derrotando-a por 3-2 e eliminando-a do Mundial de 1982, que seria conquistado pela 'squadra azzurra'.

As atuações no Mundial valeram-lhe a conquista da 'Bota de Ouro', troféu da revista francesa 'France Football' que então era reservada a futebolistas do 'velho continente'.

Pela Itália, que representou entre 1977 e 1986, já tinha marcado presença no Mundial de 1978, na Argentina, onde a formação transalpina acabou no quarto lugar, com Rossi também como melhor marcador da equipa, com três golos.

Na sua carreira ao nível de clubes, destaque para os muitos títulos conquistados ao serviço da Juventus, nomeadamente uma Taça dos Campeões (1984/85), uma Taça das Taças (1983/84), às custas do FC Porto, batido na final de Basileia por 2-1, e uma Supertaça Europeia, em 1984.

Em Itália, arrebatou dois campeonatos e uma Taça de Itália, sendo o melhor marcador da Serie A em 1977/78, com 24 golos, uma época depois de ter sido o máximo concretizador da Serie B, com 21, ajudando o Lanerossi Vicenza a vencer a competição.

Ao longo da carreira, o ex-avançado passou pela formação de Santa Lúcia, Ambrosiana, Cattolica Virtus e Juventus, sendo que foi também na equipa de Turim que se estreou como sénior, na temporada 1973/74.

Enquanto profissional, representou ainda Como, Perugia e AC Milan, antes de encerrar a carreira em 1987, ao serviço do Verona.