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TAD confirma quatro jogos à porta fechada para o futsal do Sporting por cânticos homofóbicos

Em causa estão factos ocorridos no Pavilhão João Rocha durante os jogos com o Burinhosa e o Sp. Braga, nos dias 16 e 27 de outubro de 2018. Adeptos nas bancadas do Sporting proferiram insultos homofóbicos dirigidos aos jogadores Careca e Vítor Hugo. A decisão é histórica já que se trata da primeira vez que o TAD nega provimento a um recurso de um caso de comportamento homofóbico. Sporting ainda pode recorrer

Lídia Paralta Gomes

Sporting CP

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O Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) não deu razão ao Sporting no recurso apresentado pelos leões ao castigo aplicado pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol na sequência de cânticos homofóbicos durante dois jogos da temporada 2018/19, pelos quais a equipa havia sido sancionada com quatro jogos à porta fechada e uma multa pelo organismo federativo.

Em causa estão factos ocorridos no Pavilhão João Rocha durante os jogos com o Burinhosa e o Sp. Braga, nos dias 16 e 27 de outubro de 2018. Adeptos nas bancadas do Sporting proferiram insultos homofóbicos dirigidos aos jogadores Careca e Vítor Hugo, para lá de outros comportamentos, como cuspidelas para jogadores adversários que levaram mesmo à interrupção dos encontros.

A decisão é histórica já que se trata da primeira vez que o TAD nega provimento a um recurso de um caso de comportamento homofóbico.

O Sporting argumentou no recurso que não pode ser “automaticamente responsabilizado e sancionado” por todos os comportamentos desapropriados dos adeptos e que “não promove, consente ou tolera comportamentos discriminatórios dos seus adeptos”. Diz ainda que as frases proferidas “podendo e devendo, porventura, ser consideradas impropérios grosseiros, não encerram pela forma, lugar e circunstâncias onde e como foram proferidas, qualquer natureza ou intuito discriminatório, nomeadamente quanto à orientação sexual dos visados”.

A defesa do clube leonino explicita que a expressão “‘Vítor Hugo é paneleiro’, podendo ser considerada provocatória” não é discriminatória relativamente à orientação sexual do atleta “já que é do conhecimento geral ser casado e pai de família”.

Argumentos que não fizeram eco na decisão do TAD, que diz no acórdão publicado no seu site oficial diz que o Sporting “não agiu com o cuidado e diligência a que está regulamentarmente obrigado, violando o dever de evitar ou prevenir comportamentos antidesportivos, de carácter discriminatório”.

O TAD sublinha, por exemplo, que o clube “não procedeu ao afastamento de qualquer um dos adeptos que proferiram” os insultos ou adoptou “qualquer medida para fazer cessar tal situação”.

O Sporting pode ainda recorrer da decisão para o Tribunal Central Administrativo.