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Os cães que detetam o vírus da Covid-19 podem ajudar a trazer o público de volta aos estádios

A equipa Miami Heat, da NBA, anunciou que está a testar um novo método de deteção do vírus nos adeptos, para lá da medição da temperatura e dos questionários. O clube americano vai utilizar cães que detetam, através do olfato, a presença do novo coronavírus

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Sadio Mané a levantar a Supertaça de 2019, em Istambul. Naqueles tempos em que os estádios ainda estavam cheios

TF-Images/Getty

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A solução poderá vir da NBA, mais concretamente dos Miami Heat, que estão a testar uma nova forma de detetar pessoas infetadas. A utilização de cães de olfato treinado para encontrar o vírus poderá ajudar a trazer de volta o público aos eventos desportivos.

Noutras circunstâncias, a ideia revelou-se uma solução eficaz. Foram usados cães para detetar drogas, explosivos e mesmo algumas doenças, como o cancro. A própria Super Bowl conta com a ajuda canina para detetar engenhos explosivos nos espetadores.

Assim, os 300 milhões de recetores olfativos contidos no nariz de um cão poderão ser postos à prova e ajudar o público a regressar às bancadas de um estádio ou de um pavilhão. Como é óbvio, os cães usados nesta operação receberiam treino específico.

Foi feito um estudo-piloto com oito cães treinados para detetar a Covid19 em secreções respiratórias de pacientes hospitalizados e de pessoas que não estão infetadas. Os cães conseguiram detetar 94% das amostras positivas. Apesar dos resultados promissores, alguns críticos defenderam que os cães podem ter simplesmente “aprendido” o cheiro dos pacientes positivos, uma vez que eram apenas sete indivíduos.

Um segundo estudo tentou testar se os cães conseguiriam encontrar a Covid19 através do suor e não das secreções respiratórias. Foi publicado em dezembro de 2020. O índice de sucesso por cão variou entre 76% e 100%.

Vários aeroportos internacionais recorrem a este tipo de testes. No Chile, os passageiros passam por um ponto do aeroporto onde são recolhidas amostras de suor do pescoço e dos pulsos que são enviados para a análise canina.

É certo que, a uma semana da Super Bowl, será difícil pôr em prática o novo método. Algumas estatísticas dizem que um cão pode ser treinado numa semana ou duas. Outras, no entanto, preveem que o treino dure entre oito semanas e seis meses.

O jornal inglês “The Guardian” coloca a questão: se um cão deteta casos positivos, não poderá o próprio animal ficar infetado com o vírus? O mesmo jornal responde que os cientistas acreditam que é raro um cão ser infetado e a possibilidade de estes passarem o vírus a um humano é incerta. Ao que parece, a utilização dos nossos melhores amigos em grandes eventos tem futuro, talvez precise de ser afinada, mas poderá ser mais um recurso à disposição dos profissionais de saúde. Pode mesmo significar que vamos voltar a ver pessoas reais – e não de cartão – a preencher os lugares num estádio.