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"Já estamos a partilhar informações com o Brasil": PJ abre investigação ao caso do avião com 500 quilos de cocaína

Polícias portuguesas e brasileiras vão partilhar informações sobre o caso do jato privado onde iria viajar o ex-presidente do Boavista João Loureiro. Este ex-dirigente desportivo não é para já suspeito de tráfico de droga

Hugo Franco e Rui Gustavo

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A Polícia Judiciária abriu uma investigação ao caso do avião que transportava 500 quilos de cocaína entre Salvador da Bahia e o aeródromo de Tires. Uma informação avançada pelo "Correio da Manhã" e confirmada pelo Expresso.

A polícia portuguesa e a Polícia Federal brasileira têm deste modo inquéritos paralelos, partilhando informações sobre o caso que envolve o ex-presidente do Boavista João Loureiro, que era um dos passageiros do avião particular onde foi encontrada a cocaína.

"A droga vinha do Brasil para Portugal e contava com algum apoio no nosso território. A investigação faz-se nos dois sentidos. Há canais diretos. Já estamos a partilhar informações com o Brasil", revela fonte da Polícia Judiciária, que lembra que as diligências se fazem no âmbito do recém-criado Projeto Caravela, que passa pela cooperação entre a Polícia Judiciária e a Polícia Federal do Brasil no domínio do combate ao tráfico de droga. "Quanto às possíveis extradições não haverá problemas. Os suspeitos serão presos onde tiverem de ser presos."

Ao Expresso, fonte da Polícia Judiciária garante que pelo menos para já João Loureiro não é suspeito de tráfico de droga.

O ex-presidente do Boavista foi interrogado durante quatro horas como testemunha pela Polícia Federal, em Salvador, na última sexta-feira. As autoridades brasileiras "extraíram arquivos" do seu telemóvel. Segundo disse à Lusa a Polícia Federal, Loureiro foi ouvido, presencialmente, e "apresentou a sua versão dos factos", que será "comparada com as demais provas do inquérito". Ainda segundo fontes policiais, o advogado português, filho de Valentim Loureiro, declarou que viajou para o Brasil para "auxiliar um grupo empresarial" e que "no dia 10 de fevereiro tomou conhecimento da apreensão da droga na aeronave". As autoridades indicaram que "foram extraídos arquivos do celular [telemóvel], como mensagens e fotografias, com a autorização do passageiro, e serão analisados para ver se se conferem o que foi declarado".

Ao Expresso, a Polícia Federal admite que possa interrogar mais pessoas "envolvidas nos factos". E caso venha a necessitar de elementos probatórios provenientes de Portugal, a Polícia Federal dispõe de instrumentos de cooperação internacional "que podem ser acionados junto às autoridades portuguesas".