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Ibrahimovic e LeBron andam à bulha: "Nunca me vou calar sobre o que está mal. Ele na Suécia falou do mesmo tipo de coisas"

Ibrahimovic criticou LeBron James por falar de temas políticos e não se cingir àquilo "que é bom a fazer" que, na opinião do futebolista sueco, é apenas jogar basquetebol. A resposta não tardou e o jogador dos Lakers até lembrou que o próprio Zlatan já se queixou de racismo na Suécia

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Kevin C. Cox/Getty

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São dois dos atletas mais carismáticos do mundo e dois dos melhores no seu métier. Mas agora estão em guerra. Não uma guerra literal, mas sim de palavras. Tudo começou com uma entrevista de Zlatan Ibrahimovic na Suécia, à Discovery+. Questionado sobre LeBron James, o avançado do Milan sublinhou a sua admiração pelo basquetebolista, mas que este deveria cingir-se à sua profissão e não a questões políticas, ele que tem sido uma das vozes mais ativas de apoio ao movimento Black Lives Matter dentro da NBA.

“Eu gosto muito dele. É fenomenal. Mas não gosto quando pessoas com estatuto falam sobre política. Faz aquilo que és bom a fazer”, começou por dizer Ibrahimovic.

“Eu jogo futebol porque sou o melhor a jogar futebol. Não sou político. É um erro que as pessoas famosas fazem quando se tornam famosas: para mim, é melhor evitar certos assuntos e fazer aquilo em que és bom, senão estás a arriscar fazer algo mal”, continuou.

As palavras do futebolista não demoraram a chegar ao outro lado do oceano e na noite de sexta-feira, após o jogo dos Lakers contra os Portland Trail Blazers, LeBron James apareceu preparado para a resposta.

“Eu nunca me vou calar sobre o que está mal. Eu falo sobre as minhas pessoas, sobre igualdade, justiça social, racismo, direito ao voto, coisas que se passam na nossa comunidade”, sublinhou o quatro vezes campeão da NBA.

“Vou continuar a usar a minha plataforma para colocar os holofotes naquilo que está mal neste país e no mundo, não há qualquer hipótese de eu me cingir ao desporto porque sei o quão poderosa é esta plataforma e a minha voz”, disse ainda aos jornalistas, mostrando depois que é preciso não ter telhados de vidro na hora de o criticar, dando o exemplo do próprio Ibrahimovic, filho de imigrantes dos Balcãs, que em 2018 alegou que na Suécia o tratavam de forma diferente de jogadores com sobrenomes tipicamente suecos.

“Ele é o tipo que na Suécia falou do mesmo tipo de coisas, porque o último nome dele não era um nome tradicionalmente sueco. Ele sentiu que havia racismo. Eu eduquei-me, sou o tipo errado para virem atrás porque eu faço o meu trabalho de casa”, frisou ainda LeBron James, que aos 36 anos é não só um campeão dentro de campo como fora dele.