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André Geraldes ilibado do processo Cashball

Ex-team manager do Sporting foi ilibado do crime de corrupção ativa, bem como o clube de Alvalade. Também não se provou que o empresário Paulo Silva tenha corrompido três árbitros de andebol

Hugo Franco e Rui Gustavo

André Geraldes foi ilibado pela PJ do Porto na Operação Cashball

RUI FARINHA/LUSA

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O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto não encontrou provas de que o ex-team manager do Sporting, André Geraldes, e o clube de Alvalade tenham corrompido árbitros de andebol. O MP também não teve provas de que o empresário Paulo Silva - que denunciou em maio de 2018 um suposto esquema de suborno a árbitros de andebol e de alguns jogadores de futebol para favorecer o Sporting - tenha subornado três árbitros. Mas encontrou indícios de que Paulo Silva ofereceu 25 mil euros ao jogador Leandro Freire, do Desportivo de Chaves, para este prejudicar o seu clube em dois jogos contra o Sporting. Mas o jogador não aceitou.

O MP ilibou também quatro jogadores de futebol, que inicialmente eram apontados por Paulo Silva de terem ajudado o Sporting: são eles Pedro Trigueira, João Aurélio, Bruno Nascimento e Rúben Lima.

"Inexistem nos autos indícios suficientes de que o arguido André Geraldes tenha participado em acordo estabelecido entre os arguidos Paulo Silva, João Gonçalves e Gonçalo Rodrigues ou na sua execução", pode ler-se no despacho de arquivamento do MP. "Apesar de o arguido indicar este arguido, team manager do Sporting, como responsável máximo pelo esquema que denunciou e em que participou, os meios de prova recolhidos não suportam com suficiência que assim era. Num dos interrogatórios, o arguido Paulo Silva afirmou mesmo que nunca falou com André Geraldes."

A 16 de maio de 2018, surpreendida pela transmissão da entrevista de Paulo Silva na CMTV, que denunciava um suposto esquema de corrupção de árbitros de andebol por parte de dirigentes do Sporting, a PJ lançou a Operação Cashball e faz buscas no estádio Alvalade XXI. André Geraldes, Paulo Silva, João Gonçalves e Gonçalo Rodrigues foram detidos, sob suspeita de corrupção desportiva. Num cofre no gabinete do então team manager do Sporting a polícia encontrou vários envelopes com pouco mais de €60 mil euros, o que adensou as suspeitas de corrupção. Geraldes e Rodrigues demitiram-se dos cargos que ocupavam no Sporting.

Agora, o MP vem dizer que a justificação dada por André Geraldes para o dinheiro encontrado no cofre, que provinha da venda de bilhetes para as claques do clube, é convincente.

O DIAP do Porto conclui ainda que não há indícios suficientes que imputem ao Sporting Clube de Portugal ou à Sporting Clube de Portugal SAD, os crimes de corrupção ativa.

Quanto a Paulo Silva é acusado de crimes de corrupção, bem como o empresário João Gonçalves e o ex-funcionário do Sporting Gonçalo Rodrigues.